Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Geriatria — FGV 2024

MedicinaGeriatria
Código
fg094962
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Geriatra
Paciente masculino, 65 anos, portador de hipertensão arterial e obesidade (IMC 35 Kg/m² ), foi admitido na emergência com quadro gripal. Faz uso de Losartana potássica 50mg, uma vez ao dia, e Atenolol 25mg, 2 vezes ao dia. No momento da admissão, relatava quadro gripal há 8 dias, com mialgia, odinofagia, febre de 38°C, tosse produtiva e dispneia aos pequenos esforços, além de dificuldade de dormir por desconforto respiratório, ao se deitar.Ao exame físico, estava lúcido e orientado, hipohidratado ++/4+, corado, acianótico, anictérico. Apresentava frequência respiratória de 25 irpm, pressão arterial de 130 mmHg por 80 mmHg, frequência cardíaca de 90 bpm e Saturação de O₂ de 92%, com queda para 89%, ao se deitar. O teste de COVID-19 na emergência foi positivo.Diante desse quadro, o médico da emergência deve
  1. Aprescrever Oseltamivir e hidratação venosa. Após a hidratação, indicar a alta hospitalar, referenciando à Unidade Básica de Saúde da área de sua residência.
  2. Bproceder com a intubação orotraqueal. Prescrever o suporte intensivo, hidratação venosa e exames complementares.
  3. Cprescrever a oxigenioterapia sob monitoramento e hidratação venosa. Solicitar exames complementares e indicar a internação hospitalar em leito de isolamento.
  4. Dprescrever hidratação venosa e dexametasona IV. Indicar a alta hospitalar, após a hidratação e uso do corticoide, com indicação de isolamento domiciliar.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — prescrever a oxigenioterapia sob monitoramento e hidratação venosa. Solicitar exames complementares e indicar a internação hospitalar em leito de isolamento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

COVID-19 com SRAG: conduta na emergência

Gabarito: letra C. O paciente apresenta síndrome respiratória aguda grave (SRAG) — dispneia aos pequenos esforços, desconforto respiratório ao deitar (ortopneia), FR 25 irpm, SpO₂ 92% com queda para 89% em decúbito — e fatores de risco (65 anos, HAS, obesidade). A conduta correta é oxigenioterapia sob monitoramento, hidratação venosa, exames complementares e internação hospitalar em leito de isolamento, conforme as diretrizes de manejo da SRAG. As demais alternativas erram ao indicar alta hospitalar ou intubação imediata sem critério.

A SRAG é definida como síndrome gripal que apresenta dispneia ou desconforto respiratório, ou SpO₂ < 95% em ar ambiente, ou piora das condições clínicas de doença de base. No caso, o paciente tem SpO₂ de 92% (já abaixo de 95%) e queda para 89% ao deitar — critério claro de hipoxemia que exige oxigenioterapia e monitoramento. A ortopneia (dificuldade de dormir por desconforto respiratório ao se deitar) indica congestão pulmonar ou dessaturação postural, reforçando a gravidade. Além disso, ele tem 65 anos, hipertensão e obesidade (IMC 35), fatores de risco para evolução desfavorável da COVID-19. A internação é necessária para monitoramento contínuo, pois a hipoxemia silenciosa pode progredir rapidamente. A hidratação venosa corrige a desidratação (hipohidratado ++/4+) e os exames complementares (hemograma, PCR, D-dímero, radiografia de tórax, gasometria) ajudam a estratificar o risco e guiar a conduta. A alternativa C é a única que contempla todas essas medidas de forma adequada.

A alternativa A erra ao indicar alta após hidratação, ignorando a hipoxemia e os fatores de risco. A alternativa B erra ao indicar intubação orotraqueal imediata, sem tentativa de oxigenioterapia não invasiva — a intubação é reservada para falência respiratória ou instabilidade. A alternativa D erra ao indicar alta após hidratação e dexametasona, pois o paciente precisa de monitoramento hospitalar; além disso, a dexametasona é indicada em casos de hipoxemia (SpO₂ < 94% ou necessidade de O₂), mas não substitui a internação.

A pegadinha central é a troca entre alta hospitalar e internação: o candidato pode ser tentado a liberar o paciente por estar lúcido e orientado, mas a hipoxemia (SpO₂ 92%) e a ortopneia são sinais de gravidade que exigem internação. Outra pegadinha é a intubação precoce: a banca explora o medo de evolução grave, mas a conduta inicial é oxigenioterapia, não intubação imediata.

  1. 1Oxigenioterapia + monitoramento
  2. 2Hidratação venosa
  3. 3Exames complementares
  4. 4Internação em isolamento
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao indicar alta hospitalar após hidratação. O paciente tem SpO₂ 92% (hipoxemia) e ortopneia, critérios de SRAG que exigem internação e monitoramento. A referência à Unidade Básica de Saúde é inadequada para um caso agudo com hipoxemia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erra ao indicar intubação orotraqueal imediata. O paciente está lúcido, orientado, com FR 25 irpm e SpO₂ 92% — ainda não há indicação de via aérea definitiva. A conduta inicial é oxigenioterapia (cateter nasal ou máscara) e monitoramento; a intubação é reservada para falência da oxigenioterapia, desconforto respiratório grave ou instabilidade hemodinâmica.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta ao prescrever oxigenioterapia sob monitoramento, hidratação venosa, exames complementares e internação em leito de isolamento. A hipoxemia (SpO₂ 92%, queda para 89% ao deitar) e a ortopneia indicam necessidade de O₂ e monitoramento contínuo. A hidratação corrige a desidratação; os exames complementares (hemograma, PCR, radiografia de tórax, gasometria) avaliam a gravidade; a internação em isolamento é obrigatória para SRAG por COVID-19.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra ao indicar alta hospitalar após hidratação e dexametasona. A dexametasona é indicada em casos de hipoxemia (SpO₂ < 94% ou necessidade de O₂), mas o paciente precisa de monitoramento hospitalar — a alta com isolamento domiciliar é inadequada para quem já apresenta dessaturação. Além disso, a dexametasona não é o único tratamento; a oxigenioterapia e a internação são essenciais.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a troca entre alta e internação e a intubação precoce. O candidato pode achar que, por estar lúcido e orientado, o paciente pode ir para casa — mas a SpO₂ 92% e a ortopneia são sinais de gravidade que exigem internação. Da mesma forma, a intubação imediata é precipitada: a conduta inicial é oxigenioterapia, não via aérea definitiva. Fique atento aos critérios de SRAG: dispneia, desconforto respiratório, SpO₂ < 95% ou piora de doença de base.

PEGA ESSA DICA!

Na emergência, diante de um paciente com síndrome gripal, avalie sempre: FR, SpO₂, presença de dispneia/ortopneia e fatores de risco (idade > 60, HAS, diabetes, obesidade, cardiopatia, etc.). Se houver hipoxemia (SpO₂ < 95%) ou desconforto respiratório, internar — nunca dar alta. Oxigenioterapia e hidratação são medidas iniciais; intubação só se houver falência respiratória.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/fg094962