Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2024
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
fg094974
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Ginecologista e Obstetra
Sobre a produção hormonal na gestação é correto afirmar que:
Ao beta-hCG livre elevado é sinal de bom prognóstico.
Ba produção de progesterona diminui ao longo da gestação.
Co lactogênio placentário humano é “diabetogênico”.
Dos estrogênios induzem vasoconstricção no útero.
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GabaritoC — o lactogênio placentário humano é “diabetogênico”.
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Produção hormonal na gestação
Gabarito: letra C. O lactogênio placentário humano (hPL) é um hormônio produzido pela placenta que exerce efeito diabetogênico, ou seja, aumenta a resistência periférica à insulina, elevando a glicemia materna para garantir substrato energético ao feto. As demais alternativas estão incorretas: o beta-hCG livre elevado associa-se a pior prognóstico (aneuploidias), a progesterona aumenta progressivamente ao longo da gestação e os estrogênios promovem vasodilatação, não vasoconstrição uterina.
A gestação é um estado de adaptação endócrina complexa, no qual a placenta assume papel central na produção hormonal. Três hormônios merecem destaque: o beta-hCG, a progesterona e o estrogênio, além do lactogênio placentário humano (hPL). Cada um tem função específica e padrão de secreção próprio, e é exatamente esse padrão que a banca explora.
O beta-hCG é produzido pelo sinciciotrofoblasto e tem papel na manutenção do corpo lúteo no início da gestação. Seus níveis dobram a cada 48-72 horas no primeiro trimestre, atingem pico por volta de 8-10 semanas e depois declinam. A fração livre do beta-hCG, quando elevada, é marcador de risco para aneuploidias (como a trissomia do 21), portanto não é sinal de bom prognóstico — é justamente o contrário.
A progesterona é essencial para a manutenção da gestação: relaxa a musculatura uterina, evita contrações prematuras e prepara o endométrio. Sua produção, inicialmente pelo corpo lúteo e depois pela placenta (a partir da 8ª-12ª semana), aumenta progressivamente ao longo da gestação, atingindo níveis máximos no terceiro trimestre. A alternativa B inverte essa lógica.
Os estrogênios (estradiol, estrona e estriol) também são produzidos em quantidades crescentes pela placenta, especialmente o estriol, que é o principal estrogênio da gestação. Eles promovem aumento do fluxo sanguíneo uterino, crescimento do miométrio e desenvolvimento das mamas. Ação vasodilatadora, e não vasoconstritora, é a esperada — a alternativa D troca o efeito.
O lactogênio placentário humano (hPL) é um hormônio proteico produzido pelo sinciciotrofoblasto, com estrutura semelhante ao hormônio do crescimento e à prolactina. Sua principal função é mobilizar lipídios e glicose maternos para garantir nutrição fetal. Ele induz resistência periférica à insulina, reduz a captação de glicose pelos tecidos maternos e estimula a lipólise, elevando a glicemia e os ácidos graxos livres no sangue materno. Por isso, é classicamente descrito como "diabetogênico". Esse efeito explica por que a gestação é um estado de intolerância à glicose e por que o rastreio de diabetes gestacional é feito entre 24 e 28 semanas, quando os níveis de hPL estão elevados.
A pegadinha central da questão está em reconhecer o papel metabólico do hPL e não confundir com os demais hormônios. A banca explora a inversão de efeitos (vasodilatação × vasoconstrição), a direção da curva hormonal (aumento × diminuição) e o valor prognóstico do beta-hCG (elevado = mau prognóstico).
Hormônio
Produção
Função principal
Padrão na gestação
Beta-hCG
Sinciciotrofoblasto
Manutenção do corpo lúteo
Pico em 8–10 semanas; fração livre elevada = risco de aneuploidia (mau prognóstico)
Progesterona
Corpo lúteo → placenta (8ª–12ª semana)
Relaxamento uterino, manutenção da gestação
Aumenta progressivamente até o termo
Estrogênios (estriol)
Placenta
Crescimento uterino, desenvolvimento das mamas, vasodilatação
Aumento crescente; principal = estriol
Lactogênio placentário humano (hPL)
Sinciciotrofoblasto
Efeito diabetogênico: resistência à insulina, lipólise, elevação da glicemia materna
Aumenta com a gestação; pico no 3º trimestre
Hormônios da gestação: beta-hCG (Mantém corpo lúteo, Livre elevado = risco de aneuploidia); Progesterona (Aumenta progressivamente, Relaxa musculatura uterina); Estrogênios (Aumentam fluxo sanguíneo, Vasodilatação uterina); Lactogênio placentário (hPL) (Diabetogênico (resistência à insulina), Garante glicose ao feto)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O beta-hCG livre elevado é marcador de risco para aneuploidias (como trissomia do 21, síndrome de Down), não sinal de bom prognóstico. Na verdade, níveis elevados de beta-hCG livre no primeiro trimestre integram o rastreio combinado de cromossomopatias e indicam maior risco fetal. A alternativa inverte o valor preditivo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A progesterona aumenta ao longo da gestação, não diminui. Produzida inicialmente pelo corpo lúteo e depois pela placenta, seus níveis crescem progressivamente até o termo, sendo essenciais para a manutenção da quiescência uterina. A alternativa erra a direção da curva hormonal.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O lactogênio placentário humano (hPL) é "diabetogênico" porque induz resistência periférica à insulina, reduz a utilização de glicose pelos tecidos maternos e estimula a lipólise, elevando a glicemia materna. Esse mecanismo garante aporte contínuo de glicose e aminoácidos ao feto, mas predispõe à intolerância à glicose na gestação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Os estrogênios promovem vasodilatação no útero, aumentando o fluxo sanguíneo uteroplacentário, essencial para o crescimento fetal. A alternativa troca o efeito: vasoconstrição seria prejudicial à gestação e não é o papel dos estrogênios.