Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2024
- Código
- fg094983
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Ginecologista e Obstetra
- Atumores de células germinativas.
- Btumores de Brenner.
- Cendometriomas.
- Dcorpo lúteo.
GabaritoA — tumores de células germinativas.
Gabarito: letra A. Em crianças e adolescentes, os tumores ovarianos mais comuns são os tumores de células germinativas — neoplasias que se originam das células precursoras dos gametas e predominam nessa faixa etária, ao contrário dos tumores epiteliais, que são raros antes da menarca. Essa é uma distinção epidemiológica clássica em ginecologia pediátrica e oncológica.
Os tumores ovarianos podem ser classificados conforme sua origem histológica em três grandes grupos: epiteliais (originados do epitélio de superfície do ovário), do estroma/cordão sexual (originados das células produtoras de hormônios) e de células germinativas (originados das células que dão origem aos óvulos). A distribuição desses tipos varia drasticamente com a idade: em mulheres adultas, os tumores epiteliais correspondem a cerca de 85–90% dos casos; já em crianças e adolescentes, os tumores de células germinativas são os mais frequentes, representando a maioria das neoplasias ovarianas nessa faixa etária. Isso ocorre porque, antes da puberdade e durante a adolescência, a atividade hormonal e a ovulação ainda não estabeleceram o ambiente que favorece a transformação epitelial — o epitélio ovariano ainda não sofreu os repetidos ciclos de ruptura e reparo que, na vida adulta, aumentam o risco de mutações.
Os tumores de células germinativas incluem subtipos como o disgerminoma (o mais comum), o teratoma (maduro e imaturo), o tumor do seio endodérmico (ou tumor do saco vitelino) e o coriocarcinoma. O teratoma maduro (cisto dermoide) é, na prática, a neoplasia ovariana mais frequentemente encontrada em crianças e adolescentes, sendo geralmente benigno. Já o disgerminoma é o tumor maligno mais comum nessa faixa etária. Esses tumores costumam se apresentar com massa pélvica, dor abdominal e, por vezes, torção anexial — quadro que pode simular emergência cirúrgica.
A importância clínica dessa distinção é enorme: enquanto os tumores epiteliais têm prognóstico reservado e exigem estadiamento cirúrgico agressivo, os tumores de células germinativas, mesmo os malignos, respondem muito bem à quimioterapia (esquemas à base de platina) e apresentam altas taxas de cura, permitindo, em muitos casos, cirurgia conservadora com preservação da fertilidade. Por isso, o reconhecimento do tipo histológico é decisivo para o manejo.
A banca explora exatamente a confusão entre a epidemiologia do adulto e a da criança/adolescente: quem pensa no padrão geral do câncer de ovário (predomínio epitelial) erra a questão. A pegadinha está em aplicar à faixa pediátrica uma regra que vale para a mulher adulta. Guarde o critério: faixa etária define o tipo histológico predominante — criança/adolescente = células germinativas; adulta = epitelial.
Os tumores de células germinativas são, de fato, os mais comuns em crianças e adolescentes. Essa é uma informação consolidada em ginecologia pediátrica: nessa faixa etária, a maioria das neoplasias ovarianas origina-se das células germinativas, com destaque para o teratoma maduro (benigno) e o disgerminoma (maligno). O predomínio se inverte na vida adulta, quando os tumores epiteliais assumem a liderança.
O tumor de Brenner é uma neoplasia epitelial rara, geralmente benigna, composta por células epiteliais transicionais (semelhantes ao urotélio). Ocorre predominantemente em mulheres na pós-menopausa, sendo excepcional em crianças e adolescentes. A alternativa erra ao trazer um tumor epitelial típico da idade adulta como o mais comum na faixa pediátrica.
O endometrioma (cisto ovariano de endometriose) é uma lesão benigna associada à endometriose, doença que acomete principalmente mulheres em idade reprodutiva. Em crianças e adolescentes, a endometriose é rara e, quando ocorre, raramente se manifesta como endometrioma. Além disso, endometrioma não é um tumor neoplásico — é uma lesão cística funcional/inflamatória, o que o exclui do conceito de "tumor ovariano" no sentido oncológico.
O corpo lúteo é uma estrutura fisiológica do ciclo menstrual, formada após a ovulação, e não um tumor. Embora possa originar cistos funcionais (cisto de corpo lúteo), que são comuns em adolescentes, não se trata de neoplasia. A alternativa confunde uma variação anatômica normal com tumor, o que é um erro conceitual.
Gabarito: letra A — tumores de células germinativas são os mais comuns em crianças e adolescentes.
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