Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2024

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg094995
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Ginecologista e Obstetra
É correto afirmar a respeito da embriologia dos órgãos genitais da mulher:
  1. ATodos os oócitos ao nascimento chegam à puberdade.
  2. BA vagina se forma no sétimo mês de vida intrauterina.
  3. CO desenvolvimento do ducto de Muller depende do ovário.
  4. DOs ductos paramesonéfricos dão origem ao útero.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Os ductos paramesonéfricos dão origem ao útero.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Embriologia dos órgãos genitais femininos

Gabarito: letra D. Os ductos paramesonéfricos (ductos de Müller) são os primórdios embrionários que dão origem ao útero, às tubas uterinas e à porção superior da vagina — por isso a afirmativa D está correta. As demais alternativas erram ao afirmar que todos os oócitos chegam à puberdade (a maioria sofre atresia), que a vagina se forma no sétimo mês (sua formação é mais precoce, entre a 9ª e 12ª semana) e que o desenvolvimento do ducto de Müller depende do ovário (na verdade, independe das gônadas — ocorre mesmo na ausência delas).

A embriologia do sistema genital feminino é um dos temas mais cobrados em ginecologia e obstetrícia, pois explica a origem de diversas malformações (como útero bicorno, septado ou didelfo). Para entender, é preciso partir do princípio: no embrião indiferenciado, existem dois pares de ductos — os ductos mesonéfricos (de Wolff) e os ductos paramesonéfricos (de Müller). No sexo feminino, na ausência do hormônio antimülleriano (produzido pelas células de Sertoli do testículo fetal) e de testosterona, os ductos de Müller se desenvolvem e os de Wolff regridem. Já no sexo masculino, o hormônio antimülleriano faz os ductos de Müller regredirem, enquanto a testosterona estimula os ductos de Wolff a formarem o epidídimo, o ducto deferente e as vesículas seminais.

Os ductos paramesonéfricos são estruturas pares que se desenvolvem lateralmente aos ductos mesonéfricos. Na porção cranial, permanecem abertos e formam as tubas uterinas (trompas de Falópio). Na porção caudal, os dois ductos se fundem na linha média, formando o canal uterino, que dará origem ao útero e à porção superior da vagina. Essa fusão é fundamental: quando ocorre de forma incompleta, surgem as malformações müllerianas, como o útero bicorno (fusão parcial) ou o útero didelfo (ausência total de fusão).

Um ponto crucial e frequentemente mal compreendido é que o desenvolvimento dos ductos de Müller independe da presença do ovário. Isso porque, no embrião feminino, a diferenciação dos ductos é um processo "passivo", que ocorre por default — ou seja, na ausência de hormônios masculinos, os ductos de Müller se desenvolvem espontaneamente. Prova disso é que, mesmo em fetos com disgenesia gonadal (ausência ou má-formação dos ovários), o útero e as tubas se formam normalmente. O ovário, por sua vez, só passa a ter importância endócrina na puberdade, quando começa a produzir estrogênio.

Outro ponto importante é a gametogênese feminina. Os oócitos são formados ainda na vida intrauterina: por volta da 20ª semana de gestação, a mulher tem seu número máximo de oócitos (cerca de 6 a 7 milhões). A partir daí, ocorre uma redução progressiva por atresia (morte celular programada). Ao nascimento, restam aproximadamente 1 a 2 milhões de oócitos; na puberdade, cerca de 300 a 400 mil; e ao longo da vida reprodutiva, apenas cerca de 400 a 500 oócitos serão ovulados. Portanto, a afirmação de que "todos os oócitos ao nascimento chegam à puberdade" é completamente falsa — a grande maioria degenera antes mesmo da menarca.

Quanto à vagina, sua formação é um processo complexo que envolve a fusão dos ductos de Müller (porção superior) e o seio urogenital (porção inferior). A canalização completa da vagina ocorre por volta da 20ª a 24ª semana de gestação, e não no sétimo mês (28ª semana). A afirmativa B, portanto, erra ao cronologizar a formação vaginal no sétimo mês de vida intrauterina.

A pegadinha central desta questão é a inversão da dependência entre gônadas e ductos: a banca tenta fazer o candidato acreditar que o ovário comanda o desenvolvimento dos ductos de Müller, quando na verdade é o contrário — a ausência de hormônios masculinos é que permite o desenvolvimento feminino. Guarde essa lógica: no embrião, o "padrão feminino" é o default; o testículo é que "desvia" o desenvolvimento para o padrão masculino.

Embriologia genital feminina
  • 1Ductos paramesonéfricos (Müller)
    • Tubas uterinas (porção cranial)
    • Útero (fusão caudal)
    • Porção superior da vagina
    • Independem do ovário (default)
  • 2Ductos mesonéfricos (Wolff)
    • Regridem no sexo feminino
    • No masculino: epidídimo, ducto deferente, vesículas
  • 3Gametogênese
    • 20ª semana: 6–7 milhões de oócitos
    • Nascimento: 1–2 milhões
    • Puberdade: 300–400 mil
    • Maioria sofre atresia
  • 4Formação da vagina
    • Müller (superior) + seio urogenital (inferior)
    • Canalização: 20ª–24ª semana
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que todos os oócitos ao nascimento chegam à puberdade. Isso é falso: ao nascimento, a mulher tem cerca de 1 a 2 milhões de oócitos, mas a grande maioria sofre atresia (degeneração) antes da puberdade. Estima-se que apenas cerca de 300 a 400 mil oócitos chegam à menarca, e somente 400 a 500 serão ovulados ao longo da vida reprodutiva. A atresia é um processo contínuo que começa ainda na vida intrauterina e se estende por toda a vida.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a vagina se forma no sétimo mês de vida intrauterina. A formação da vagina envolve a fusão dos ductos paramesonéfricos (porção superior) com o seio urogenital (porção inferior), e sua canalização completa ocorre por volta da 20ª a 24ª semana de gestação — ou seja, entre o quinto e o sexto mês, não no sétimo. A banca troca o período correto de formação por um mês posterior.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o desenvolvimento do ducto de Müller depende do ovário. Isso é falso: o desenvolvimento dos ductos paramesonéfricos é independente das gônadas. No embrião feminino, na ausência de hormônio antimülleriano e testosterona, os ductos de Müller se desenvolvem espontaneamente — é o padrão "default" do desenvolvimento embrionário. Mesmo em fetos com disgenesia gonadal, o útero e as tubas se formam normalmente. O ovário só adquire importância endócrina na puberdade.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que os ductos paramesonéfricos dão origem ao útero. Correto: os ductos de Müller (paramesonéfricos) são os primórdios embrionários que, no sexo feminino, dão origem às tubas uterinas (porção cranial), ao útero (porção caudal fundida) e à porção superior da vagina. A fusão incompleta desses ductos resulta em malformações como útero bicorno, septado ou didelfo.

Gabarito: letra D — os ductos paramesonéfricos (de Müller) originam o útero, as tubas e a porção superior da vagina.

Link permanente: /questoes/fg094995