Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FGV 2024
- Código
- fg094997
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Hansenólogo
- APentoxifilina.
- BClofazimina.
- CTalidomida.
- DPrednisolona.
GabaritoB — Clofazimina.
Gabarito: letra B. No Brasil, o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde recomenda o tratamento da reação tipo 2 (eritema nodoso hansênico — ENH) em crianças com clofazimina, na dose de 1,5–2 mg/kg, em esquema fracionado por três meses. A talidomida, embora seja o fármaco clássico para o ENH em adultos, não é autorizada em menores de 18 anos pelo PCDT, pois sua bula no Brasil é destinada somente a adultos.
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que acomete principalmente pele e nervos periféricos. Durante o curso da doença — antes, durante ou após o tratamento específico — podem ocorrer os chamados episódios reacionais, que são respostas inflamatórias agudas do sistema imunológico contra o bacilo. Existem dois tipos principais: a reação tipo 1 (ou reação reversa), que ocorre nas formas tuberculoide e dimorfa, e a reação tipo 2, cuja manifestação clínica mais frequente é o eritema nodoso hansênico (ENH). O ENH é uma reação inflamatória desencadeada por imunocomplexos, com aumento de citocinas como TNF-α e IFN-γ, e se manifesta por nódulos eritematosos dolorosos, febre, neurite, artralgia e outras alterações sistêmicas.
O tratamento do ENH varia conforme a faixa etária. Em adultos, a talidomida é o fármaco de escolha, por sua potente ação anti-inflamatória e imunomoduladora. No entanto, em crianças, o PCDT estabelece que o tratamento deve ser feito com clofazimina, um fármaco com propriedades anti-inflamatórias e imunossupressoras, que também faz parte da poliquimioterapia (PQT) para hanseníase multibacilar. A dose recomendada é de 1,5–2 mg/kg, administrada três vezes ao dia no primeiro mês, duas vezes ao dia no segundo mês e uma vez ao dia no terceiro mês, sem ultrapassar a dose máxima diária de 300 mg. A dose deve ser fracionada e administrada com alimentos para reduzir os efeitos gastrointestinais.
A justificativa para essa escolha é a segurança: a talidomida é um potente teratógeno, e seu uso em crianças e mulheres em idade fértil é extremamente restrito. No Brasil, a talidomida produzida e disponibilizada no SUS tem registro em bula destinado somente para adultos, e o PCDT não autoriza sua administração em menores de 18 anos. Portanto, a clofazimina é a opção segura e eficaz para o tratamento do ENH na população pediátrica.
A banca explora exatamente essa distinção: o candidato que conhece o tratamento do ENH em adultos (talidomida) pode marcar a alternativa C, mas a questão especifica "em crianças", o que muda completamente a conduta. A pegadinha está em não atentar para o público-alvo da pergunta.
A pentoxifilina é um fármaco que inibe a produção de TNF-α e, por isso, já foi estudada como adjuvante no tratamento do ENH. No entanto, o PCDT não a recomenda como tratamento de primeira linha para o ENH em crianças. Ela pode ser considerada em casos específicos, mas não é a conduta preconizada pelo protocolo para essa situação.
A clofazimina é o fármaco de escolha para o tratamento do ENH em crianças, conforme o PCDT. O protocolo estabelece o esquema com doses de 1,5–2 mg/kg, fracionadas, por três meses, com dose máxima diária de 300 mg. Essa recomendação se deve à eficácia anti-inflamatória do fármaco e à segurança, uma vez que a talidomida é contraindicada em menores de 18 anos.
A talidomida é o tratamento clássico do ENH em adultos, mas não é autorizada em crianças pelo PCDT. A bula do medicamento no Brasil é destinada somente a adultos, e o protocolo veda expressamente sua administração em menores de 18 anos, devido ao risco de teratogenicidade e neurotoxicidade. Essa é a pegadinha central da questão: o candidato que não atenta para o público pediátrico marca esta alternativa.
A prednisolona (e a prednisona) é um corticosteroide utilizado no tratamento da reação tipo 1 (reação reversa) e também pode ser usada em casos de ENH grave, mas não é o tratamento de primeira linha para o ENH em crianças segundo o PCDT. Os corticosteroides são opções em situações específicas, como neurite ou formas graves, mas a conduta inicial preconizada para o ENH pediátrico é a clofazimina.
A banca explora a associação clássica entre ENH e talidomida, que é o tratamento padrão em adultos. A questão, porém, especifica "em crianças", e o PCDT veda o uso de talidomida em menores de 18 anos. O candidato que não lê com atenção o público-alvo cai na alternativa C. Fique atento: quando a questão delimita a população (criança, gestante, idoso), a conduta pode mudar completamente.
Para questões de PCDT, memorize os fármacos de escolha por situação e faixa etária. No ENH: adulto → talidomida; criança → clofazimina. Na reação tipo 1: prednisona. Essa distinção é recorrente em provas de infectologia e dermatologia.
Gabarito: letra B
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