Questão de Medicina — Dermatologia — FGV 2024
- Código
- fg095003
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Hansenólogo
- Amediano.
- Bulnar.
- Ctibial posterior.
- Dsural.
GabaritoB — ulnar.
Gabarito: letra B. Na hanseníase, embora qualquer nervo periférico possa ser afetado, os nervos ulnares são os mais frequentemente acometidos — é o que a literatura e os protocolos do Ministério da Saúde apontam de forma consistente. O enunciado descreve exatamente o segundo sinal cardinal da doença (espessamento neural + alterações sensitivas/motoras/autonômicas no território do nervo), e a pergunta é qual nervo é o mais comumente afetado.
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que tem predileção por pele e nervos periféricos. O diagnóstico é essencialmente clínico e se baseia em três sinais cardinais: (1) lesão(ões) de pele com alteração de sensibilidade; (2) espessamento de nervo periférico associado a alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas; (3) presença do bacilo na baciloscopia ou biópsia. O segundo sinal é justamente o que o enunciado descreve — e é ele que confirma o diagnóstico quando há suspeita clínica, especialmente na forma neural pura, em que não há lesões cutâneas.
O comprometimento neural na hanseníase é uma das marcas da doença e a principal causa de incapacidades. O bacilo tem tropismo por nervos de regiões mais frias do corpo, o que explica a distribuição dos nervos afetados. Os nervos mais acometidos incluem o ramo oftálmico do trigêmeo, facial, auricular, radial, ulnar, mediano, radial cutâneo, fibular comum, sural e tibial. Porém, há uma hierarquia de frequência: os ulnares são os mais frequentemente acometidos, seguidos de perto pelos medianos e tibiais posteriores. Essa predileção tem explicação anatômica — os nervos ulnar e mediano passam por regiões de maior exposição e temperatura mais baixa (cotovelo e punho), o que favorece a proliferação bacilar.
Na prática clínica, o exame dermatoneurológico deve palpar sistematicamente os nervos periféricos, especialmente os ulnares, medianos, fibulares e tibiais posteriores, buscando espessamento, dor e alterações de sensibilidade ou força. O diagnóstico precoce é crucial para evitar incapacidades permanentes, como a mão em garra (comprometimento ulnar) e a mão caída (comprometimento radial).
A pegadinha desta questão está em confundir a frequência de acometimento com a gravidade ou com a localização anatômica. O nervo ulnar é o mais acometido, mas o mediano também é muito afetado — e o tibial posterior é o mais acometido nos membros inferiores. A banca explora exatamente essa hierarquia: o candidato que sabe que o ulnar é o mais frequente acerta; o que confunde com o mediano ou com o tibial erra.
A banca troca o nervo mais frequentemente acometido (ulnar) por outros nervos que também são afetados, mas com menor frequência. O mediano (A) e o tibial posterior (C) são nervos importantes na hanseníase, mas não são os mais acometidos. O sural (D) é menos frequentemente afetado e é mais usado como sítio de biópsia. Guarde: ulnar > mediano > tibial posterior em frequência de acometimento.
O nervo mediano é um dos mais acometidos na hanseníase, mas não é o mais frequentemente afetado. Ele ocupa a segunda posição em frequência, atrás do ulnar. A banca coloca o mediano como distrator porque ele é um nervo muito conhecido e também muito acometido — mas a hierarquia correta é ulnar em primeiro lugar.
O nervo ulnar é o mais frequentemente acometido na hanseníase. Isso se deve ao seu trajeto superficial no cotovelo (canal epitroclear), onde a temperatura é mais baixa, favorecendo a proliferação do M. leprae. O comprometimento ulnar leva à clássica mão em garra e à hipoestesia no 4º e 5º quirodáctilos.
O nervo tibial posterior é o mais acometido nos membros inferiores, mas não é o mais frequentemente afetado em termos globais. Ele é um nervo importante na hanseníase, especialmente na forma neural pura, mas a frequência global é menor que a do ulnar.
O nervo sural é menos frequentemente acometido na hanseníase. Ele é mais utilizado como sítio de biópsia para diagnóstico, pois é um nervo sensitivo superficial e de fácil acesso. A banca o coloca como distrator justamente por essa associação com biópsia, mas não é o mais acometido.
Gabarito: letra B — o nervo ulnar é o mais comumente afetado na hanseníase.
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