Questão de Medicina — Legislação da Saúde. SUS. — FGV 2024
Medicina›Legislação da Saúde. SUS.
Código
fg095012
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Hansenólogo
A histopatologia é considerado um exame complementar ou auxiliar no diagnóstico da hanseníase. A coloração do fragmento de pele para a visualização do processo inflamatório e reconhecimento dos bacilos deve ser feita respectivamente por
AHematoxilina-Eosina e Fite-Faraco/Wade.
BFontana Masson e Giemsa.
CGomori-Grocott e PAS.
DOrceína, Whartin-Starry.
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GabaritoA — Hematoxilina-Eosina e Fite-Faraco/Wade.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hanseníase: colorações histopatológicas
Gabarito: letra A. Na histopatologia da hanseníase, o fragmento de pele deve ser corado pela Hematoxilina-Eosina (HE) para a visualização do processo inflamatório e pela coloração de Fite-Faraco ou Wade para a identificação dos bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR), conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da hanseníase do Ministério da Saúde.
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, um bacilo álcool-ácido resistente. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos sinais cardinais, mas exames complementares como a baciloscopia e a histopatologia são fundamentais em casos de dúvida diagnóstica, especialmente no diagnóstico diferencial com outras dermatoses e nas formas neurais puras. A histopatologia é empregada quando o diagnóstico persiste indefinido após a avaliação clínica e baciloscópica, sendo um exame auxiliar de grande valor.
O exame histopatológico analisa o tipo, a extensão e as características do infiltrado inflamatório, além da presença do M. leprae. Para isso, são utilizadas duas colorações principais e complementares: a Hematoxilina-Eosina (HE), que cora o citoplasma em rosa e o núcleo em azul/púrpura, permitindo a visualização detalhada do infiltrado inflamatório (linfócitos, histiócitos, células epitelioides, células gigantes multinucleadas); e a coloração de Fite-Faraco ou Wade, que é uma variação da coloração de Ziehl-Neelsen, específica para bacilos álcool-ácido resistentes, corando o M. leprae em vermelho. A escolha dessas colorações não é aleatória: a HE é a coloração de rotina para avaliar a morfologia tecidual, enquanto a Fite-Faraco/Wade é a técnica que permite visualizar o bacilo, que não é corado pela HE.
Na prática, o fragmento de pele é coletado preferencialmente das bordas das lesões mais ativas e recentes, incluindo toda a espessura da derme e parte da hipoderme. O tecido é então processado e corado. A leitura histopatológica varia conforme a forma clínica: no polo tuberculoide, geralmente não se observam bacilos, mas sim granulomas com células epitelioides e células gigantes; no polo virchowiano, observa-se infiltrado difuso com histiócitos repletos de BAAR. Essa distinção é crucial para a classificação e conduta.
A pegadinha da banca está em confundir as colorações específicas para bacilos álcool-ácido resistentes (Fite-Faraco/Wade) com outras colorações especiais usadas para diferentes agentes ou estruturas, como Fontana Masson (melanina), Giemsa (sangue e parasitos), Gomori-Grocott (fungos), PAS (glicogênio e mucopolissacarídeos), Orceína (fibras elásticas) e Warthin-Starry (espiroquetas). A questão exige o conhecimento da técnica correta para cada finalidade: HE para o processo inflamatório e Fite-Faraco/Wade para os bacilos.
Colorações histopatológicas
1HE (Hematoxilina-Eosina)
Núcleo (azul/púrpura)
Citoplasma (rosa)
Processo inflamatório
2Fite-Faraco/Wade
BAAR (M. leprae)
Variação de Ziehl-Neelsen
3Outras colorações especiais
Fontana Masson → melanina
Giemsa → sangue/parasitos
Gomori-Grocott → fungos
PAS → glicogênio/mucinas
Orceína → fibras elásticas
Warthin-Starry → espiroquetas
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta porque reproduz exatamente a técnica recomendada pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da hanseníase: a coloração de Hematoxilina-Eosina (HE) para visualização do infiltrado inflamatório e a coloração de Fite-Faraco ou Wade para identificação dos bacilos álcool-ácido resistentes. A HE é a coloração de rotina em histopatologia, corando núcleos em azul e citoplasma em rosa, permitindo a análise morfológica do processo inflamatório. A Fite-Faraco e a Wade são variações da coloração de Ziehl-Neelsen, adaptadas para a parede celular do M. leprae, que é mais frágil que a de outras micobactérias, corando os bacilos em vermelho. Essas duas colorações são complementares e essenciais para o diagnóstico histopatológico da hanseníase.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta porque associa Fontana Masson e Giemsa, que não são as colorações indicadas para a hanseníase. A coloração de Fontana Masson é utilizada para evidenciar melanina e grânulos argentafins, sendo útil em dermatoses como o melanoma. A coloração de Giemsa é usada para corar sangue e parasitos (como em esfregaços sanguíneos e para protozoários), não sendo específica para bacilos álcool-ácido resistentes. A banca troca as colorações corretas por outras que têm indicações diferentes, explorando a confusão entre as técnicas especiais.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta porque indica Gomori-Grocott e PAS, que são colorações para fungos e glicogênio/mucopolissacarídeos, respectivamente. A coloração de Gomori-Grocott (metenamina-prata) é utilizada para evidenciar fungos, como Pneumocystis jirovecii e Histoplasma capsulatum. A coloração de PAS (Ácido Periódico de Schiff) cora glicogênio, mucinas neutras e glicoproteínas, sendo útil em diversas condições, mas não para bacilos álcool-ácido resistentes. A banca explora a confusão entre as colorações para micobactérias e as colorações para fungos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta porque cita Orceína e Warthin-Starry, que não são as colorações indicadas para a hanseníase. A coloração de Orceína é utilizada para evidenciar fibras elásticas e também pode ser usada para o vírus da hepatite B (corpos de inclusão). A coloração de Warthin-Starry é uma impregnação pela prata utilizada para evidenciar espiroquetas, como Treponema pallidum e Borrelia burgdorferi. A banca troca as colorações corretas por outras que têm indicações diferentes, explorando a confusão entre as técnicas especiais.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as colorações especiais usadas em histopatologia. O candidato que não domina a técnica específica para cada agente pode cair em alternativas que citam colorações para fungos (Gomori-Grocott, PAS), melanina (Fontana Masson), parasitos (Giemsa) ou espiroquetas (Warthin-Starry). A chave é lembrar que, para bacilos álcool-ácido resistentes como o M. leprae, a coloração é a Fite-Faraco ou Wade, uma variação da Ziehl-Neelsen. Com treino, você identifica essas trocas de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela mental das colorações especiais e seus alvos: HE (núcleo/citoplasma), Fite-Faraco/Wade (BAAR), Ziehl-Neelsen (BAAR em escarro), Gomori-Grocott (fungos), PAS (glicogênio/mucinas), Fontana Masson (melanina), Giemsa (sangue/parasitos), Orceína (fibras elásticas), Warthin-Starry (espiroquetas). Essa tabela resolve a maioria das questões sobre colorações.