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Questão de Medicina — Dermatologia — FGV 2024

MedicinaDermatologia
Código
fg095018
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Hansenólogo
A Dapsona é metabolizada por acetilação no fígado pela N-acetiltransferase. Em alguns pacientes esta acetilação é mais veloz do que em outros (acetiladores rápidos e acetiladores lentos). Os acetiladores lentos tem maior risco de eventos adversos, principalmente de
  1. Afototoxidade.
  2. Balterações nas enzimas hepáticas.
  3. Cnefrotoxidade.
  4. Deventos hematológicos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — eventos hematológicos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dapsona: farmacogenética e eventos adversos

Gabarito: letra D. Os acetiladores lentos de dapsona apresentam maior risco de eventos adversos hematológicos, como hemólise e anemia, pois a metabolização mais lenta pela N-acetiltransferase leva ao acúmulo de metabólitos tóxicos que lesam as hemácias. Essa relação está descrita na literatura de farmacologia e nos protocolos de tratamento da hanseníase, que recomendam monitoramento hematológico nos primeiros meses de uso.

A dapsona é um fármaco clássico no tratamento da hanseníase, atuando como antagonista competitivo do ácido paraminobenzoico (PABA), o que impede a síntese de ácido fólico pela bactéria. Sua metabolização ocorre no fígado, por acetilação mediada pela enzima N-acetiltransferase. A velocidade dessa acetilação varia entre os indivíduos: os acetiladores rápidos metabolizam o fármaco rapidamente e podem necessitar de ajustes de dose; os acetiladores lentos acumulam o fármaco e seus metabólitos, tornando-se mais propensos a desenvolver eventos adversos, particularmente hematológicos.

O principal evento hematológico é a hemólise, que pode evoluir para anemia significativa. Isso ocorre porque os metabólitos da dapsona (hidroxilaminas) são oxidantes e danificam a membrana das hemácias, especialmente em pacientes com deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD), metemoglobina redutase ou hemoglobina M. Por isso, recomenda-se monitorar os níveis hematológicos nos primeiros meses de tratamento, sempre que possível.

É importante distinguir os eventos adversos da dapsona dos de outros fármacos usados na hanseníase. A rifampicina, por exemplo, pode causar hepatotoxicidade (elevação transitória das transaminases), mas raramente na dose mensal do esquema PQT-U. A clofazimina causa pigmentação da pele, ictiose e efeitos gastrointestinais. A minociclina pode causar fotossensibilidade, tontura e descoloração dentária. O ofloxacino pode causar tendinites e fotossensibilização. Assim, cada fármaco tem seu perfil de toxicidade, e a banca explora exatamente essa distinção.

A pegadinha desta questão está em associar os acetiladores lentos a eventos adversos que não são os mais característicos da dapsona. A fototoxicidade (A) é mais relacionada a outros fármacos, como as fluoroquinolonas e a minociclina. As alterações nas enzimas hepáticas (B) são mais típicas da rifampicina e de outros hepatotóxicos. A nefrotoxicidade (C) é um evento raro da dapsona, descrito como nefropatia, mas não é o principal risco nos acetiladores lentos. O evento hematológico (D) é o que a literatura destaca como o principal risco nesse grupo.

Guarde a relação: acetilador lento → acúmulo de metabólitos → hemólise/anemia. É esse o critério que separa a alternativa correta das demais.

Dapsona
  • 1Metabolização
    • Acetilação hepática (N-acetiltransferase)
    • Acetiladores rápidos
    • Acetiladores lentos
  • 2Eventos adversos
    • Hematológicos (hemólise/anemia)
    • Raros: hepatopatia, nefropatia
  • 3Outros fármacos da hanseníase
    • Rifampicina → hepatotoxicidade
    • Clofazimina → pigmentação
    • Minociclina → fotossensibilidade
    • Ofloxacino → tendinite
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A fototoxicidade não é o evento adverso mais associado aos acetiladores lentos de dapsona. A dapsona pode causar reações cutâneas, mas a fotossensibilidade é mais característica de outros fármacos, como as fluoroquinolonas (ofloxacino) e a minociclina. Nos acetiladores lentos, o risco predominante é hematológico, não cutâneo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Alterações nas enzimas hepáticas são mais típicas da rifampicina, que pode causar elevação transitória das transaminases. A dapsona pode causar hepatopatia, mas é um evento raro, não sendo o principal risco nos acetiladores lentos. A banca troca o evento hematológico pelo hepático, que é mais associado a outro fármaco do esquema.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A nefrotoxicidade é um evento raro da dapsona (descrito como nefropatia), mas não é o principal risco nos acetiladores lentos. A banca explora a confusão com outros fármacos que têm nefrotoxicidade mais relevante, como alguns antibióticos. O risco predominante nesse grupo é hematológico.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Os acetiladores lentos acumulam a dapsona e seus metabólitos, aumentando o risco de eventos hematológicos, principalmente hemólise e anemia. A literatura recomenda monitoramento hematológico nos primeiros meses de tratamento, especialmente em pacientes com deficiência de G6PD. Essa é a associação clássica cobrada em farmacologia e dermatologia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o evento hematológico (hemólise/anemia) por outros efeitos adversos que pertencem a fármacos diferentes do esquema PQT-U. Lembre-se: rifampicina → hepatotoxicidade; clofazimina → pigmentação; minociclina → fotossensibilidade; dapsona → hemólise. Nos acetiladores lentos, o risco é hematológico.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte uma tabela mental dos eventos adversos dos fármacos da hanseníase: dapsona (hemólise), rifampicina (hepatotoxicidade), clofazimina (pigmentação), minociclina (fotossensibilidade), ofloxacino (tendinite). Associe cada fármaco ao seu principal efeito adverso e, quando a questão falar em acetiladores lentos, lembre-se automaticamente de hemólise.

Gabarito: letra D

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