Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FGV 2024
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
fg095027
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Hansenólogo
Assinale a opção que indica a conduta correta para contatos de pacientes de Hanseníase que possuam sorologia anti-PGL-1 positiva, mas que não apresentam critérios para o diagnóstico clínico ou laboratorial da doença.
AAvaliação anual por 5 anos na assistência básica de saúde.
BEncaminhamento para início de PQT-U para multibacilares.
CEncaminhamento para início de PQT-U para paucibacilares.
DPoderão ser liberados do monitoramento.
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GabaritoA — Avaliação anual por 5 anos na assistência básica de saúde.
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Hanseníase: conduta para contatos com sorologia anti-PGL-1 positiva
Gabarito: letra A. Contatos de pacientes com hanseníase que apresentam sorologia anti-PGL-1 positiva, mas sem critérios para diagnóstico clínico ou laboratorial da doença, devem ser avaliados anualmente por 5 anos na atenção básica de saúde — conduta prevista nas diretrizes do Ministério da Saúde para vigilância de contatos. A sorologia positiva isolada não indica doença ativa nem define classificação operacional, portanto não justifica tratamento com PQT-U.
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente pele e nervos periféricos. O diagnóstico é essencialmente clínico-epidemiológico, baseado na presença de lesões cutâneas com alteração de sensibilidade e/ou espessamento de nervos, podendo ser complementado por exames laboratoriais como a baciloscopia. A sorologia anti-PGL-1 detecta anticorpos IgM contra o glicolipídeo fenólico 1, antígeno específico do bacilo, e sua positividade indica exposição prévia ou infecção subclínica — não confirma doença ativa. Indivíduos saudáveis podem ser soropositivos, especialmente em áreas endêmicas, e casos paucibacilares podem ser soronegativos. Por isso, a sorologia não é usada isoladamente para diagnóstico, mas como ferramenta auxiliar na identificação de contatos com maior risco de adoecimento.
Para os contatos domiciliares, a recomendação é a avaliação clínica periódica. Quando a sorologia anti-PGL-1 é positiva, mas não há critérios clínicos ou laboratoriais para o diagnóstico, o contato deve ser acompanhado com avaliação anual na unidade básica de saúde. Esse monitoramento visa detectar precocemente o surgimento da doença, já que a soropositividade confere maior risco de adoecimento. A conduta não é iniciar tratamento — a PQT-U é reservada para casos confirmados — nem liberar o contato do acompanhamento, pois o risco persiste. A vacinação com BCG é ofertada aos contatos não vacinados ou com apenas uma dose, como medida de imunoprofilaxia, mas não substitui a vigilância clínica.
A distinção central está entre infecção subclínica (sorologia positiva sem doença) e doença ativa (com critérios diagnósticos). A sorologia positiva isolada não classifica o paciente como multibacilar ou paucibacilar — essa classificação depende de critérios clínicos (número de lesões, comprometimento neural) e/ou baciloscopia. Portanto, encaminhar para PQT-U sem diagnóstico é conduta inadequada. O acompanhamento anual por 5 anos é a conduta correta, pois permite a detecção precoce de sinais da doença, quando o tratamento é mais eficaz e reduz a transmissão.
A banca explora a confusão entre sorologia positiva e doença ativa: o candidato pode associar a positividade à necessidade imediata de tratamento, mas a diretriz é clara — sem critérios diagnósticos, não há tratamento, apenas vigilância. Guarde essa fronteira: sorologia positiva ≠ hanseníase ativa; a conduta é monitoramento clínico anual.
1Sorologia positiva
2Sem critérios diagnósticos
3Avaliação anual por 5 anos
4Detecção precoce da doença
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A avaliação anual por 5 anos na assistência básica de saúde é exatamente a conduta recomendada para contatos com sorologia anti-PGL-1 positiva sem critérios diagnósticos. O monitoramento periódico permite a detecção precoce da doença, quando o tratamento é mais eficaz e reduz a transmissão. A alternativa espelha a diretriz do Ministério da Saúde para vigilância de contatos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Encaminhar para início de PQT-U para multibacilares é incorreto porque a classificação operacional (multibacilar ou paucibacilar) exige critérios clínicos e/ou laboratoriais de doença ativa — que estão ausentes no caso. A sorologia positiva isolada não define classificação nem indica tratamento. A PQT-U é reservada para casos confirmados de hanseníase.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Encaminhar para início de PQT-U para paucibacilares também é incorreto, pelo mesmo motivo da alternativa B: sem critérios diagnósticos, não há doença ativa a tratar. A sorologia positiva não classifica o contato como paucibacilar nem justifica o início de poliquimioterapia. A conduta é vigilância clínica, não tratamento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Liberar os contatos do monitoramento é incorreto porque a soropositividade confere maior risco de adoecimento, e o acompanhamento anual visa justamente a detecção precoce. A liberação do acompanhamento deixaria o contato sem vigilância, contrariando a recomendação de avaliação periódica por 5 anos.
Gabarito: letra A — avaliação anual por 5 anos na assistência básica de saúde.