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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FGV 2024

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
fg095033
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Hematologista e Hemoterapeuta
Em relação ao linfoma B difuso de grandes células B, assinale a opção que indica o protocolo de tratamento medicamentoso mais adequado.
  1. ATratamento de primeira linha para pacientes em estágio I: rituximab + ciclofosfamida + vincristina + prednisona.
  2. BPara pacientes em estágio III ou IV: rituximab + vincristina + prednisona.
  3. CPara pacientes idosos: rituximab + terapia intratecal com metotrexate.
  4. DPara pacientes refratários: terapia com CAR-T-cell.
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GabaritoD — Para pacientes refratários: terapia com CAR-T-cell.

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Linfoma B difuso de grandes células: tratamento por cenário clínico

Gabarito: letra D. Para pacientes com linfoma B difuso de grandes células (LBDGC) refratário, a terapia com células CAR-T é uma opção estabelecida e a mais adequada entre as alternativas. As demais opções apresentam esquemas incompletos ou incorretos para os cenários descritos, conforme as diretrizes atuais de tratamento dessa neoplasia.

O linfoma B difuso de grandes células é o subtipo mais comum de linfoma não Hodgkin agressivo. O tratamento de primeira linha, independentemente do estádio (I a IV), é baseado no esquema R-CHOP: rituximabe, ciclofosfamida, doxorrubicina, vincristina e prednisona. A adição de rituximabe ao CHOP melhorou significativamente a sobrevida, tornando-se o padrão. Para doença localizada (estádios I e II), podem ser considerados ciclos reduzidos de R-CHOP associados ou não à radioterapia, mas o esquema completo permanece o mesmo. Para doença avançada (estádios III e IV), o R-CHOP é o tratamento padrão, geralmente por 6 ciclos.

Em pacientes idosos ou com comorbidades, a redução de dose ou o uso de esquemas adaptados pode ser necessário, mas a base continua sendo o R-CHOP. A terapia intratecal com metotrexato é reservada para profilaxia de doença no sistema nervoso central em casos de alto risco, não como tratamento sistêmico de primeira linha. Para pacientes refratários (que não respondem ou progridem durante o tratamento inicial) ou com recidiva, as opções incluem quimioterapia de resgate (como R-ICE ou R-DHAP) seguida de transplante autólogo de células-tronco, e, mais recentemente, a terapia com células CAR-T (como tisagenlecleucel e axicabtagene ciloleucel) para casos refratários ou recidivados após duas ou mais linhas de tratamento. A terapia CAR-T é uma imunoterapia celular que reprograma os linfócitos T do próprio paciente para reconhecer e destruir as células tumorais que expressam CD19.

A pegadinha desta questão está em associar esquemas incompletos ou incorretos a cenários específicos. A alternativa A omite a doxorrubicina, componente essencial do R-CHOP. A alternativa B omite a ciclofosfamida e a doxorrubicina, além de não considerar que o tratamento de primeira linha para doença avançada é o R-CHOP completo. A alternativa C sugere terapia intratecal como tratamento sistêmico, o que é incorreto. A alternativa D, por sua vez, está correta ao indicar a terapia CAR-T para pacientes refratários, uma opção aprovada e eficaz nesse cenário.

Guarde a distinção entre os cenários: primeira linha (R-CHOP), doença refratária/recidivada (quimioterapia de resgate + transplante, ou CAR-T) e profilaxia de SNC (metotrexato intratecal). É exatamente essa distinção que separa as alternativas.

11ª linha (estádios I–IV)
R-CHOP completo
Rituximabe + CHOP
2Refratário/recidivado
Quimioterapia de resgate (R-ICE/R-DHAP)
Transplante autólogo
CAR-T (anti-CD19)
3Profilaxia de SNC (alto risco)
Metotrexato intratecal
Tratamento do LBDGC
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Tratamento do LBDGC: 1ª linha (estádios I–IV) (R-CHOP completo, Rituximabe + CHOP); Refratário/recidivado (Quimioterapia de resgate (R-ICE/R-DHAP), Transplante autólogo, CAR-T (anti-CD19)); Profilaxia de SNC (alto risco) (Metotrexato intratecal)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O esquema descrito (rituximabe + ciclofosfamida + vincristina + prednisona) omite a doxorrubicina, que é componente essencial do R-CHOP. O tratamento de primeira linha para LBDGC em estádio I é o R-CHOP completo, não uma versão sem antraciclina. A omissão de um fármaco-chave torna o esquema inadequado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Para estádios III ou IV, o tratamento padrão é o R-CHOP completo (rituximabe, ciclofosfamida, doxorrubicina, vincristina e prednisona). A alternativa omite a ciclofosfamida e a doxorrubicina, apresentando um esquema incompleto e insuficiente para doença avançada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A terapia intratecal com metotrexato é utilizada para profilaxia de doença no sistema nervoso central em casos de alto risco, não como tratamento sistêmico de primeira linha para pacientes idosos. O tratamento de primeira linha para idosos continua sendo o R-CHOP, com ajustes de dose conforme a condição clínica.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Para pacientes com LBDGC refratário (que não respondem ou progridem durante o tratamento inicial), a terapia com células CAR-T é uma opção estabelecida e aprovada. Essa imunoterapia celular tem demonstrado eficácia em casos refratários ou recidivados, sendo uma alternativa adequada nesse cenário.

Gabarito: letra D

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