Questão de Medicina — Hematologia — FGV 2024
- Código
- fg095045
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Hematologista e Hemoterapeuta
- A4 – 2 – 3 – 1.
- B2 – 1 – 4 – 3.
- C3 – 1 – 4 – 2.
- D3 – 1 – 2 – 4.
GabaritoD — 3 – 1 – 2 – 4.
Gabarito: letra D. A correlação correta é: Porfiria aguda intermitente (3) → dor abdominal e disfunção autonômica; Coproporfiria (1) → convulsões e amaurose cortical; Porfiria cutânea tarda (2) → acúmulo de ferro nos hepatócitos; Porfiria eritropoiética congênita (4) → anemia hemolítica e esplenomegalia. A questão exige o conhecimento das características clínicas distintivas de cada tipo de porfiria, conforme a classificação em hepáticas agudas, hepáticas cutâneas e eritropoiéticas cutâneas.
As porfirias são um grupo de doenças metabólicas causadas por deficiências enzimáticas na via de biossíntese do heme. A via do heme ocorre principalmente no fígado e na medula óssea, e o bloqueio em diferentes etapas leva ao acúmulo de precursores ou porfirinas, determinando o quadro clínico. Quando o bloqueio ocorre antes da formação das porfirinas, acumulam-se ácido delta-aminolevulínico (ALA) e porfobilinogênio (PBG), que são neurotóxicos e causam sintomas neuroviscerais — caracterizando as porfirias hepáticas agudas. Quando o bloqueio ocorre após a formação das porfirinas, estas se acumulam e causam fotossensibilidade, levando a manifestações cutâneas — caracterizando as porfirias cutâneas.
A Porfiria Aguda Intermitente (PAI) é a mais comum das porfirias hepáticas agudas, com herança autossômica dominante, e se manifesta com crises neuroviscerais: dor abdominal intensa, vômitos, constipação, taquicardia, hipertensão e neuropatia periférica. A Coproporfiria Hereditária (CPH) também é uma porfiria hepática aguda, mas pode apresentar, além dos sintomas neuroviscerais, manifestações cutâneas. As convulsões e a amaurose cortical são complicações neurológicas graves que podem ocorrer nas crises agudas, especialmente na PAI, mas a questão associa essas manifestações à CPH — o que é clinicamente plausível, pois ambas são porfirias agudas com envolvimento neurológico.
A Porfiria Cutânea Tardia (PCT) é a mais comum das porfirias cutâneas, causada pela deficiência da enzima uroporfirinogênio descarboxilase (UROD). Um dos fatores precipitantes é a hemocromatose hereditária, que leva ao acúmulo de ferro nos hepatócitos. O ferro promove a formação de espécies reativas de oxigênio que oxidam o uroporfirinogênio, gerando uroporfirinas que inibem a UROD. Por isso, a PCT está associada à sobrecarga de ferro hepático.
A Porfiria Eritropoiética Congênita (PEC) é uma porfiria eritropoiética cutânea, de herança autossômica recessiva, causada pela deficiência da enzima uroporfirinogênio III sintase (UROS). O acúmulo de porfirinas nos eritrócitos causa hemólise, levando a anemia hemolítica e esplenomegalia. Além disso, há fotossensibilidade grave com bolhas e cicatrizes, eritrodontia e hiperplasia da medula óssea.
A pegadinha da questão está em associar corretamente cada porfiria ao seu sintoma característico, sem confundir as manifestações neuroviscerais das porfirias agudas com as manifestações cutâneas e hematológicas das porfirias crônicas. A banca explora a confusão entre a PAI e a CPH, ambas agudas, e entre a PCT e a PEC, ambas cutâneas, mas com mecanismos e apresentações distintas.
A sequência 4 – 2 – 3 – 1 associa a Porfiria Eritropoiética Congênita (4) à dor abdominal e disfunção autonômica, o que está errado. A PEC é uma porfiria cutânea com anemia hemolítica, não apresenta sintomas neuroviscerais agudos. A dor abdominal e disfunção autonômica são características da Porfiria Aguda Intermitente (3).
A sequência 2 – 1 – 4 – 3 associa a Porfiria Cutânea Tardia (2) à dor abdominal e disfunção autonômica, o que está errado. A PCT é uma porfiria cutânea, sem sintomas neurológicos. A dor abdominal e disfunção autonômica são características da Porfiria Aguda Intermitente (3).
A sequência 3 – 1 – 4 – 2 associa a Porfiria Eritropoiética Congênita (4) ao acúmulo de ferro nos hepatócitos, o que está errado. A PEC é uma porfiria eritropoiética, com anemia hemolítica, e não apresenta sobrecarga de ferro hepático. O acúmulo de ferro nos hepatócitos é característico da Porfiria Cutânea Tardia (2).
A sequência 3 – 1 – 2 – 4 está correta: Porfiria Aguda Intermitente (3) → dor abdominal e disfunção autonômica (sintomas neuroviscerais); Coproporfiria (1) → convulsões e amaurose cortical (complicações neurológicas das porfirias agudas); Porfiria Cutânea Tardia (2) → acúmulo de ferro nos hepatócitos (fator precipitante); Porfiria Eritropoiética Congênita (4) → anemia hemolítica e esplenomegalia (hemólise crônica).
Para memorizar as porfirias, separe-as em três grupos: hepáticas agudas (PAI, CPH, PV, PALAD) → sintomas neuroviscerais (dor abdominal, neuropatia, convulsões); hepáticas cutâneas (PCT, PHE) → fotossensibilidade, sem sintomas neurológicos, associadas a fatores precipitantes como álcool, estrogênio e sobrecarga de ferro; eritropoiéticas cutâneas (PEC, PPE, PLX) → fotossensibilidade + anemia hemolítica (na PEC). Lembre-se: a PEC é a única que cursa com anemia hemolítica e esplenomegalia.
Gabarito: letra D
Link permanente: /questoes/fg095045