Em relação às diretrizes estabelecidas para transfusão profilática de plaquetas em pacientes com dengue hemorrágica e trombocitopenia, assinale a afirmativa correta.
AEstá indicada sempre que a contagem de plaquetas estiver abaixo de 10.000/µL.
BEstá indicada quando a contagem de plaquetas for inferior a 15.000/µL.
CA transfusão profilática de plaquetas está contraindicada na dengue hemorrágica, por ser ineficaz nesta situação clínica.
DTem indicação quando a contagem de plaquetas estiver abaixo de 20.000/µL em crianças com idade inferior a 1 (um) ano.
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GabaritoC — A transfusão profilática de plaquetas está contraindicada na dengue hemorrágica, por ser ineficaz nesta situação clínica.
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Transfusão profilática de plaquetas na dengue hemorrágica
Gabarito: letra C. Na dengue hemorrágica, a trombocitopenia tem mecanismo imunológico (reação cruzada de anticorpos antivirais com antígenos plaquetários), comportando-se como plaquetopenia autoimune — por isso a transfusão profilática de plaquetas é contraindicada, independentemente da contagem plaquetária, pois é ineficaz e pode até piorar o quadro. Essa é a diretriz expressa nas orientações sobre manejo da dengue e da plaquetopenia.
A transfusão profilática de plaquetas tem como objetivo prevenir hemorragias espontâneas ou induzidas por pequenos traumas ou procedimentos invasivos em pacientes com trombocitopenia sem sangramento ativo. A indicação clássica é na trombocitopenia por deficiência de produção (ex.: pós-quimioterapia, aplasia de medula), com gatilho de 10.000/µL (ou 20.000/µL se houver fatores de risco como febre, sepse ou sangramento). Antes de procedimentos invasivos, o gatilho sobe para 50.000/µL (e 100.000/µL em neurocirurgia).
Porém, essa lógica não se aplica à dengue hemorrágica. A plaquetopenia na dengue é causada por anticorpos dirigidos contra proteínas virais que apresentam reação cruzada com antígenos plaquetários — ou seja, é uma destruição imunológica periférica, semelhante à púrpura trombocitopênica imune (PTI). Nesse cenário, a transfusão profilática é ineficaz, pois as plaquetas transfundidas são rapidamente destruídas pelos mesmos anticorpos, e pode até aumentar o risco de complicações (como sobrecarga volêmica e reações transfusionais). Por isso, a conduta correta é não transfundir profilaticamente, reservando a transfusão apenas para sangramento ativo (e mesmo assim com cautela, pois o benefício é questionável).
A distinção crucial é entre trombocitopenia por produção diminuída (onde a transfusão profilática faz sentido) e trombocitopenia por destruição periférica aumentada (onde ela é contraindicada). Na dengue, a destruição é imunológica — o que a coloca no segundo grupo, junto com PTI, púrpura trombocitopênica trombótica (PTT), síndrome hemolítico-urêmica (SHU) e trombocitopenia induzida por heparina (HIT).
A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que decora os gatilhos numéricos (10.000, 15.000, 20.000) e os aplica mecanicamente à dengue erra a questão. A pegadinha é aplicar à dengue um gatilho que vale para outras trombocitopenias, ignorando a fisiopatologia específica da doença. Guarde o princípio: na dengue, o número de plaquetas não define indicação de transfusão profilática — ela é contraindicada por princípio.
Transfusão profilática de plaquetas
1Trombocitopenia por hipoprodução
Indicada (gatilho 10.000/µL)
20.000/µL com fatores de risco
50.000/µL antes de procedimento
2Trombocitopenia por destruição periférica
Contraindicada
Mecanismo imunológico
Dengue hemorrágica
PTI
PTT
SHU
HIT
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a transfusão profilática está indicada sempre que a contagem de plaquetas estiver abaixo de 10.000/µL. Esse gatilho é válido para trombocitopenias por hipoprodução (quimioterapia, aplasia), mas não se aplica à dengue hemorrágica, onde a plaquetopenia é por destruição imunológica. Na dengue, mesmo com plaquetas < 10.000/µL, a transfusão profilática é contraindicada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a transfusão profilática está indicada quando a contagem for inferior a 15.000/µL. Esse valor não corresponde a nenhum gatilho consagrado para transfusão profilática em trombocitopenias (os limiares usuais são 10.000/µL, 20.000/µL ou 50.000/µL para procedimentos). Além disso, na dengue, nenhum gatilho numérico justifica transfusão profilática — ela é contraindicada independentemente da contagem.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a transfusão profilática de plaquetas está contraindicada na dengue hemorrágica, por ser ineficaz nesta situação clínica. É exatamente o que preconizam as diretrizes: a plaquetopenia da dengue é imunomediada (reação cruzada de anticorpos antivirais com plaquetas), comportando-se como plaquetopenia autoimune, na qual a transfusão profilática não tem benefício e pode até ser prejudicial. A transfusão só se justifica em caso de sangramento ativo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que há indicação quando a contagem estiver abaixo de 20.000/µL em crianças com menos de 1 ano. Esse gatilho (20.000/µL) é usado em trombocitopenias por hipoprodução com fatores de risco (febre, sepse), mas não na dengue, e a faixa etária citada não altera a contraindicação. Na dengue, a transfusão profilática é contraindicada em qualquer idade, inclusive em lactentes.