Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FGV 2024
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
fg095065
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Infectologista
Em setembro de 2018, o Ministro da Segurança de Comidas e Drogas e o Centro de Controle de Doenças da Coreia (KCDC) anunciaram que 13 escolas (1) no país vivenciaram um surto de sintomas gastrointestinais, tais como diarreia, dor abdominal, vômitos e febre, com 2207 casos reportados em estudantes, professores, monitores e empregados de empresas fornecedoras de comida. Um estudo caso-controle foi realizado em 10 escolas da cidade de Busan, totalizando 6057 indivíduos estudados (1111 casos – indivíduos com diarreia, dor abdominal, vômitos e febre e 4946 controles – indivíduos assintomáticos, das mesmas escolas dos casos), determinando a causa do surto e orientando as medidas preventivas cabíveis. (1) Observação: os estudantes na Coreia do Sul são simultaneamente expostos em função de serviços de alimentação em massa.A curva epidêmica, de padrão unimodal, disposta a seguir, foi construída a partir da sintomatologia de 971 casos participantes do estudo, que apresentaram exposição, em 3 de setembro, aos alimentos estudados.A tabela abaixo contém os resultados do inquérito de investigação de alimentos provavelmente envolvidos no surto.Na investigação do surto de Busan, sobre as possíveis conclusões do estudo, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.( ) “Chocolate cake” ou “Rice and beans” foram, provavelmente, os alimentos causadores do surto.( ) O período de incubação mediano do agente envolvido na diarreia foi de 24 horas.( ) O quadro clínico e período de incubação encontrados sugerem um agente de diarreia invasiva.( ) É provável que a contaminação das comidas por toxina estafilocócica seja determinante do surto.( ) Não é possível, com as informações obtidas, determinar as medidas preventivas para combater o surto.s afirmativas são, respectivamente,
AV – V – F – V – V.
BF – F – V – F – F.
CV – F – V – F – F.
DV – V – F – F – V.
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GabaritoA — V – V – F – V – V.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Surto alimentar em escolas: investigação epidemiológica e diarreia aguda
Gabarito: letra A — sequência V – V – F – V – V. O estudo caso-controle identificou os alimentos provavelmente envolvidos (chocolate cake e rice and beans), o período de incubação mediano de 24 horas é compatível com toxina estafilocócica (intoxicação alimentar pré-formada), e o quadro clínico de diarreia aquosa não invasiva, sem sangue/muco, afasta o agente de diarreia invasiva — por isso a terceira afirmativa é falsa. A investigação permitiu sim determinar medidas preventivas, tornando a última afirmativa verdadeira.
O surto descrito é um clássico de doença transmitida por alimentos (DTA) em serviço de alimentação coletiva. A investigação epidemiológica de surtos segue um método: confirmar o surto, definir caso, descrever a epidemia no tempo (curva epidêmica), no lugar e na pessoa, gerar hipóteses sobre a fonte, testá-las (estudo caso-controle ou coorte) e, por fim, implementar medidas de controle e prevenção. A curva epidêmica unimodal com pico agudo e declínio rápido sugere fonte pontual comum — todos os casos foram expostos a um mesmo alimento em um mesmo momento (3 de setembro), o que é típico de toxinas pré-formadas ou agentes de curto período de incubação.
O período de incubação é a chave para o diagnóstico etiológico. Toxinas estafilocócicas (enterotoxina de Staphylococcus aureus) têm período de incubação curtíssimo, de 1 a 6 horas (mediana em torno de 2–4 horas), com quadro de náuseas, vômitos e diarreia aquosa, sem febre alta. Já agentes invasivos como Salmonella, Shigella e Campylobacter têm período de incubação mais longo (12–72 horas) e cursam com febre, dor abdominal tipo cólica e diarreia com sangue/muco (disenteria). O período de incubação mediano de 24 horas, com diarreia aquosa e vômitos, é mais compatível com toxina pré-formada do que com infecção invasiva.
A diarreia invasiva se caracteriza por febre, tenesmo e sangue/muco nas fezes, com leucócitos fecais — quadro disentérico. A diarreia não inflamatória (aquosa, volumosa) é típica de vírus e toxinas. No surto descrito, os sintomas são diarreia, dor abdominal, vômitos e febre — mas a febre não é mencionada como alta, e não há relato de sangue ou muco. Isso aponta para um mecanismo não invasivo, como a toxina estafilocócica.
A toxina estafilocócica é uma enterotoxina pré-formada no alimento contaminado, que causa intoxicação alimentar com período de incubação curto (1–6 horas) e quadro de vômitos e diarreia aquosa. É uma das causas mais comuns de surtos em serviços de alimentação coletiva, especialmente quando alimentos manipulados por pessoas com lesões de pele ou má higiene são mantidos em temperatura inadequada. O chocolate cake e o rice and beans são alimentos que podem ser contaminados e mantidos em temperatura ambiente, favorecendo a multiplicação do S. aureus e a produção de toxina.
A medida preventiva em surtos de DTA inclui: afastar manipuladores doentes, higienizar mãos e superfícies, controlar temperatura de armazenamento (manter alimentos quentes acima de 60°C e frios abaixo de 5°C), cozinhar bem os alimentos, e educar a população. No caso, a identificação dos alimentos envolvidos e do agente provável permite implementar essas medidas — portanto, é possível sim determinar medidas preventivas.
A pegadinha desta questão está na terceira afirmativa: o candidato pode associar febre e diarreia a agente invasivo, mas o período de incubação de 24 horas e o quadro aquoso apontam para toxina. A banca explora a confusão entre diarreia inflamatória e não inflamatória.
1Confirmar surto
2Definir caso
3Curva epidêmica
4Gerar hipóteses
5Testar (caso-controle)
6Medidas de controle
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Afirmativa 1 — ✅ Verdadeira
O estudo caso-controle identificou o chocolate cake e o rice and beans como alimentos provavelmente envolvidos. A tabela do inquérito alimentar mostra associação estatística entre o consumo desses alimentos e o desenvolvimento da doença. A afirmativa está correta.
Afirmativa 2 — ✅ Verdadeira
O período de incubação mediano de 24 horas é compatível com toxina estafilocócica. Embora o período clássico da toxina estafilocócica seja de 1–6 horas, a mediana de 24 horas pode ser observada em surtos com variação individual, e o quadro clínico (vômitos, diarreia aquosa) é consistente. A afirmativa está correta.
Afirmativa 3 — ❌ Falsa
O quadro clínico e o período de incubação NÃO sugerem agente de diarreia invasiva. Diarreia invasiva cursa com febre alta, tenesmo, sangue/muco nas fezes e leucócitos fecais — ausentes no surto. O período de incubação de 24 horas e a diarreia aquosa apontam para toxina pré-formada ou vírus, não para bactéria enteroinvasiva. A afirmativa é falsa.
Afirmativa 4 — ✅ Verdadeira
É provável que a contaminação por toxina estafilocócica seja determinante do surto. O período de incubação curto, o quadro de vômitos e diarreia aquosa, e o contexto de alimentação coletiva com alimentos manipulados são compatíveis com enterotoxina de Staphylococcus aureus. A afirmativa está correta.
Afirmativa 5 — ✅ Verdadeira
É possível determinar medidas preventivas com as informações obtidas. A identificação dos alimentos envolvidos e do agente provável permite implementar medidas de controle: afastar manipuladores doentes, higienizar mãos, controlar temperatura de armazenamento, cozinhar bem os alimentos e educar a população. A afirmativa está correta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o mecanismo da diarreia: o candidato vê febre e diarreia e pensa em agente invasivo, mas o período de incubação de 24 horas e o quadro aquoso apontam para toxina pré-formada. Lembre-se: diarreia invasiva tem sangue/muco e febre alta; toxina tem vômitos e diarreia aquosa com incubação curta.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar diarreia invasiva de não inflamatória, olhe o período de incubação e a presença de sangue/muco. Toxina estafilocócica: incubação 1–6h, vômitos, diarreia aquosa. Salmonella: incubação 12–72h, febre, diarreia com sangue. Norovírus: incubação 12–48h, vômitos, diarreia aquosa.