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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FGV 2024

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
fg095089
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Infectologista
A prescrição de antibióticos pressupõe o conhecimento dos mecanismos de resistência bacteriana para a escolha correta do fármaco, conforme o provável perfil de resistência da bactéria causadora da infecção a ser debelada.Assinale a situação em que a escolha do antibiótico está de acordo com o mecanismo de resistência que o tratamento prescrito visa contornar.
  1. Atratamento de otite por pneumococo resistente com amoxicilina + clavulanato.
  2. Btratamento de pneumonia por Klebsiella ESBL com cefalosporina de 3ª geração.
  3. Ctratamento celulite por estafilococo CA-MRSA com ampicilina + sulbactam.
  4. Dtratamento de endocardite por enterococo VRE com daptomicina + ceftarolina.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — tratamento de endocardite por enterococo VRE com daptomicina + ceftarolina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Resistência bacteriana e escolha racional de antibióticos

Gabarito: letra D. A única situação em que o antibiótico escolhido contorna corretamente o mecanismo de resistência é o tratamento de endocardite por enterococo VRE (resistente à vancomicina) com daptomicina + ceftarolina — a daptomicina é ativa contra enterococos resistentes à vancomicina, e a ceftarolina (cefalosporina anti-MRSA) potencializa essa ação, sendo uma combinação reconhecida para VRE. As demais alternativas apresentam escolhas inadequadas: ou o fármaco não contorna o mecanismo de resistência descrito, ou a associação não é a indicada para aquele perfil bacteriano.

A prescrição racional de antibióticos exige compreender os principais mecanismos de resistência bacteriana e saber qual fármaco os contorna. Os mecanismos mais relevantes na prática clínica são: produção de β-lactamases (enzimas que hidrolisam o anel β-lactâmico), alteração do sítio de ação (como a PBP2a no MRSA), alteração da permeabilidade da membrana externa (em Gram-negativos), bombas de efluxo e modificação enzimática do fármaco (como a resistência aos aminoglicosídeos). A escolha do antibiótico deve ser guiada pelo mecanismo específico: para β-lactamases, usam-se inibidores de β-lactamase (clavulanato, sulbactam, tazobactam) associados a penicilinas; para MRSA, usam-se glicopeptídeos (vancomicina) ou agentes anti-MRSA (linezolida, daptomicina, ceftarolina); para ESBL (β-lactamases de espectro estendido), as cefalosporinas de 3ª geração são ineficazes, sendo necessários carbapenêmicos; para VRE, a vancomicina é ineficaz, e as opções incluem linezolida, daptomicina, tigeciclina ou a combinação daptomicina + ceftarolina.

A pegadinha central desta questão é que o candidato precisa correlacionar o mecanismo de resistência com o fármaco que o contorna, e não apenas reconhecer o nome da bactéria. Por exemplo, a amoxicilina + clavulanato é indicada para bactérias produtoras de β-lactamase, mas o pneumococo resistente à penicilina (PRP) tem resistência por alteração de PBP, não por produção de β-lactamase — logo, o clavulanato não contorna esse mecanismo. Da mesma forma, a Klebsiella ESBL produz β-lactamases que hidrolisam cefalosporinas de 3ª geração, tornando-as ineficazes; o tratamento correto seria um carbapenêmico. O estafilococo CA-MRSA tem resistência por PBP2a, que não é contornada por ampicilina + sulbactam (inibidor de β-lactamase não age sobre PBP2a). Já o enterococo VRE tem resistência à vancomicina por alteração do precursor do peptideoglicano (D-Ala-D-Lac), e a daptomicina age na membrana celular, sendo ativa contra VRE; a ceftarolina, por sua vez, tem afinidade pela PBP2a e potencializa a ação da daptomicina, sendo uma combinação sinérgica reconhecida.

Para fixar: a correlação entre mecanismo de resistência e estratégia terapêutica é o que decide a questão. Guarde os pares: β-lactamase → inibidor de β-lactamase; PBP alterada (PRP, MRSA) → fármacos que não dependem de β-lactâmicos ou cefalosporinas anti-MRSA; ESBL → carbapenêmico; VRE → daptomicina, linezolida ou combinação sinérgica. É exatamente essa correlação que separa as alternativas.

Mecanismo de resistência

Bactéria (exemplo)

Antibiótico que contorna

Antibiótico inadequado

Alteração do sítio de ação (PBP)

Pneumococo resistente (PRP)

Cefalosporina de 3ª geração, vancomicina

Amoxicilina + clavulanato

β-lactamase de espectro estendido (ESBL)

Klebsiella ESBL

Carbapenêmico

Cefalosporina de 3ª geração

PBP2a (MRSA)

Estafilococo CA-MRSA

Vancomicina, linezolida, daptomicina, ceftarolina

Ampicilina + sulbactam

Alteração do precursor do peptideoglicano (D-Ala-D-Lac)

Enterococo VRE

Daptomicina + ceftarolina, linezolida

Vancomicina

1β-lactamase
Inibidor de β-lactamase
Ex.: clavulanato, sulbactam
2PBP alterada (PRP, MRSA)
Vancomicina, linezolida
Ceftarolina (anti-MRSA)
3ESBL
Carbapenêmico
Cefalosporina 3ª geração é ineficaz
4VRE
Daptomicina + ceftarolina
Vancomicina é ineficaz
Mecanismo de resistência → fármaco
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Mecanismo de resistência → fármaco: β-lactamase (Inibidor de β-lactamase, Ex.: clavulanato, sulbactam); PBP alterada (PRP, MRSA) (Vancomicina, linezolida, Ceftarolina (anti-MRSA)); ESBL (Carbapenêmico, Cefalosporina 3ª geração é ineficaz); VRE (Daptomicina + ceftarolina, Vancomicina é ineficaz)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A amoxicilina + clavulanato é indicada para contornar a produção de β-lactamase, mas o pneumococo resistente à penicilina (PRP) tem resistência por alteração do sítio de ação (PBP), não por produção de β-lactamase. Portanto, o clavulanato não contorna o mecanismo de resistência do PRP; a escolha adequada seria uma cefalosporina de 3ª geração (como ceftriaxona) ou vancomicina, dependendo do nível de resistência.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A Klebsiella ESBL produz β-lactamases de espectro estendido que hidrolisam cefalosporinas de 3ª geração (como ceftriaxona e cefotaxima). Portanto, usar cefalosporina de 3ª geração para tratar pneumonia por Klebsiella ESBL é inadequado — o tratamento correto seria um carbapenêmico (meropenem, imipenem) ou, em alguns casos, combinações com inibidores de β-lactamase (como piperacilina-tazobactam), dependendo do perfil de sensibilidade.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O estafilococo CA-MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina adquirido na comunidade) tem resistência por produção da PBP2a, uma proteína ligadora de penicilina alterada que não é inibida pelos β-lactâmicos convencionais. A ampicilina + sulbactam é uma combinação com inibidor de β-lactamase, que contorna a produção de β-lactamase (comum em S. aureus sensível à meticilina), mas não age sobre a PBP2a. Para CA-MRSA, o tratamento adequado seria vancomicina, linezolida, daptomicina ou ceftarolina.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O enterococo VRE (Enterococcus resistente à vancomicina) tem resistência por alteração do precursor do peptideoglicano (D-Ala-D-Lac), o que impede a ligação da vancomicina. A daptomicina é um lipopeptídeo que age na membrana celular bacteriana, sendo ativa contra VRE. A ceftarolina, uma cefalosporina de 5ª geração com atividade anti-MRSA, tem afinidade pela PBP2a e demonstrou sinergia com daptomicina contra VRE, sendo uma combinação reconhecida para o tratamento de endocardite por VRE. Portanto, a escolha está de acordo com o mecanismo de resistência que se visa contornar.

Gabarito: letra D

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