Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FGV 2024
- Código
- fg095098
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Infectologista
- Avírus.
- Bbactérias.
- Cparasitos.
- Dfungos.
GabaritoA — vírus.
Gabarito: letra A. O risco associado à transmissão sanguínea ocupacional é significativamente maior quando o paciente-fonte está infectado por vírus, pois os agentes virais mais comumente envolvidos em acidentes com material biológico — HIV, HBV e HCV — são os que apresentam maior potencial de transmissão e consequências clínicas graves. Essa é uma informação consolidada em diretrizes de biossegurança e saúde do trabalhador, que destacam esses três vírus como os principais agentes de preocupação nesse contexto.
A questão aborda um tema central da biossegurança em serviços de saúde: o risco ocupacional de infecção por exposição a sangue e fluidos corporais. Quando um trabalhador da área de saúde sofre um acidente com material biológico — seja por via percutânea (agulhas, bisturis, outros perfurocortantes) ou mucocutânea (contato com pele não íntegra, mucosas) —, a preocupação imediata é com a transmissão de patógenos. Embora bactérias, parasitos e fungos possam, teoricamente, ser transmitidos por essa via, a literatura e os protocolos de manejo pós-exposição concentram-se nos vírus. Isso ocorre por três razões principais: (1) a alta prevalência de infecções virais crônicas na população (como hepatites B e C e HIV), (2) a baixa dose infecciosa necessária para transmissão de alguns vírus, especialmente o HBV, e (3) a gravidade clínica das infecções virais, que podem levar a doença crônica, cirrose, carcinoma hepatocelular ou imunodeficiência. Em contraste, bactérias como Brucella sp. e Mycobacterium tuberculosis são preocupações relevantes em contextos específicos (laboratórios, procedimentos geradores de aerossóis), mas não representam o risco mais significativo na exposição sanguínea ocupacional em geral. Parasitos e fungos, por sua vez, raramente são transmitidos por essa via em ambientes de saúde.
O Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde, reconhece os acidentes com exposição a material biológico como agravos de notificação compulsória, justamente pela gravidade potencial. Os ferimentos com agulhas e material perfurocortante são considerados extremamente perigosos por serem capazes de transmitir mais de 20 tipos de patógenos, sendo o HIV, o HBV e o HCV os agentes infecciosos mais comumente envolvidos. Essa é a base técnica que sustenta a resposta: quando se fala em risco ocupacional de transmissão sanguínea, os vírus são os protagonistas.
A distinção entre os quatro grupos de patógenos é essencial para entender a questão. Vírus são parasitas intracelulares obrigatórios que dependem de células hospedeiras para se replicar; bactérias são organismos unicelulares procariontes; parasitos incluem protozoários e helmintos; fungos são organismos eucariontes com parede celular de quitina. Cada grupo tem mecanismos de transmissão e patogenicidade próprios, mas, no contexto específico de exposição ocupacional a sangue, os vírus se destacam pela combinação de prevalência, infectividade e morbimortalidade. A pegadinha da questão está em generalizar o risco para todos os patógenos, quando a literatura especializada aponta claramente os vírus como o grupo de maior preocupação.
Guarde este critério: em acidentes com material biológico, a prioridade de avaliação e profilaxia é sempre para vírus (HIV, HBV, HCV), seguidos por bactérias em contextos específicos. É exatamente essa hierarquia que a alternativa correta reflete.
A alternativa está correta porque os vírus são, de fato, os agentes de maior risco na transmissão sanguínea ocupacional. O HIV, o vírus da hepatite B (HBV) e o da hepatite C (HCV) são os patógenos mais comumente envolvidos em acidentes com material biológico, conforme reconhecido pelas autoridades de saúde. A alta prevalência dessas infecções na população, a baixa dose infecciosa (especialmente do HBV) e a gravidade das consequências clínicas (cronicidade, cirrose, hepatocarcinoma, AIDS) justificam essa prioridade. Os protocolos de profilaxia pós-exposição (PEP) são desenhados principalmente para esses três vírus, o que reforça a centralidade deles no manejo de acidentes ocupacionais.
A alternativa está incorreta porque, embora bactérias possam ser transmitidas por exposição sanguínea (como Brucella sp. em laboratórios, ou Staphylococcus em infecções de corrente sanguínea), elas não representam o risco mais significativo nesse contexto. A preocupação com bactérias em acidentes ocupacionais é mais relevante em situações específicas, como manipulação de culturas em laboratório ou procedimentos geradores de aerossóis, mas não é o cenário de maior risco na exposição percutânea ou mucocutânea a sangue de pacientes. A banca explora aqui a confusão entre o risco geral de infecção e o risco específico de transmissão sanguínea ocupacional, onde os vírus predominam.
A alternativa está incorreta porque parasitos raramente são transmitidos por exposição ocupacional a sangue. Embora alguns parasitos possam ser transmitidos por via sanguínea (como o Plasmodium em transfusões, ou o Trypanosoma cruzi em acidentes de laboratório), esses casos são excepcionais e não configuram o risco mais significativo para trabalhadores da saúde. A transmissão de parasitos geralmente ocorre por outras vias (vetores, água, alimentos), e a preocupação em acidentes com material biológico é mínima quando comparada aos vírus. A alternativa tenta generalizar o risco para todos os grupos de patógenos, mas a literatura é clara ao priorizar os vírus.
A alternativa está incorreta porque fungos são os agentes de menor preocupação na transmissão sanguínea ocupacional. Infecções fúngicas sistêmicas (como candidemia ou aspergilose) ocorrem principalmente em pacientes imunocomprometidos, mas a transmissão ocupacional por exposição a sangue é extremamente rara. Os fungos não têm a mesma capacidade de transmissão por via percutânea ou mucocutânea que os vírus, e não há protocolos específicos de profilaxia pós-exposição para fungos em acidentes com material biológico. A alternativa é um distrator que testa o conhecimento sobre a hierarquia de risco entre os grupos de patógenos.
A banca explora a tendência de generalizar o risco para todos os patógenos, mas a literatura especializada é clara: em acidentes com material biológico, os vírus (HIV, HBV, HCV) são os agentes de maior preocupação. O candidato que não conhece essa hierarquia pode ser levado a considerar bactérias ou parasitos como resposta, mas a prevalência, a infectividade e a gravidade das infecções virais as tornam o risco mais significativo. Com treino, você identifica essa prioridade de longe 💪.
Gabarito: letra A
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