Questão de Medicina — Legislação da Saúde. SUS. — FGV 2024
Medicina›Legislação da Saúde. SUS.
Código
fg095100
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Infectologista Especialista em Hanseníase
Entre os indicadores de avaliação da qualidade dos serviços de hanseníase, aquele que reflete à adesão aos protocolos de tratamento farmacológico é:
Aproporção de casos novos de hanseníase com grau de incapacidade física avaliado no diagnóstico.
Bproporção de casos segundo classificação operacional entre o total de casos novos.
Cproporção de contatos examinados de casos novos de hanseníase diagnosticados nos anos das coortes.
Dproporção de cura de hanseníase entre os casos novos diagnosticados no ano das coortes.
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GabaritoA — proporção de casos novos de hanseníase com grau de incapacidade física avaliado no diagnóstico.
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Indicadores de qualidade dos serviços de hanseníase
Gabarito: letra A. O indicador que reflete a adesão aos protocolos de tratamento farmacológico é a proporção de casos novos de hanseníase com grau de incapacidade física avaliado no diagnóstico — pois a avaliação do grau de incapacidade no momento do diagnóstico é uma etapa obrigatória do protocolo, e sua realização demonstra que o serviço está seguindo o que foi preconizado. Essa é a leitura direta do item 17.2 do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Hanseníase, que lista os indicadores de avaliação da qualidade dos serviços.
A questão cobra a distinção entre dois grupos de indicadores da hanseníase: os de monitoramento do controle da doença enquanto problema de saúde pública (item 17.1) e os de avaliação da qualidade dos serviços (item 17.2). O primeiro grupo mede o impacto epidemiológico — taxas de detecção, prevalência, incapacidade na população. O segundo mede o desempenho operacional dos serviços — se eles estão cumprindo as etapas do cuidado, como diagnosticar, tratar, avaliar e acompanhar. A pegadinha está em confundir um indicador de qualidade (que mede o processo) com um indicador de resultado epidemiológico (que mede o desfecho).
O PCDT da Hanseníase, em seu item 17.2, elenca sete indicadores de qualidade dos serviços: (a) proporção de cura entre casos novos diagnosticados no ano das coortes; (b) proporção de casos em abandono de tratamento; (c) proporção de contatos examinados; (d) proporção de casos novos com grau de incapacidade física avaliado no diagnóstico; (e) proporção de casos curados no ano com grau de incapacidade avaliado; (f) proporção de casos segundo classificação operacional; e (g) proporção de casos de recidiva. Todos medem se o serviço está executando as ações preconizadas — e é exatamente isso que define um indicador de qualidade: ele verifica a conformidade com o protocolo, não o resultado final da doença.
A avaliação do grau de incapacidade física no diagnóstico é uma etapa obrigatória do PCDT, realizada por meio da Avaliação Neurológica Simplificada (ANS). Se o serviço avalia o grau de incapacidade de todos os casos novos no momento do diagnóstico, ele está aderindo ao protocolo. Se não avalia, está falhando no processo. Por isso, a proporção de casos avaliados é um indicador direto de adesão ao protocolo de tratamento — que inclui não só a prescrição da poliquimioterapia (PQT), mas também a avaliação clínica inicial completa. As demais alternativas medem outros aspectos: a letra B mede a classificação operacional (paucibacilar/multibacilar), a letra C mede a investigação de contatos, e a letra D mede o desfecho do tratamento (cura). Nenhuma delas mede diretamente a adesão ao protocolo de tratamento farmacológico.
Guarde a fronteira: indicador de qualidade = mede o processo (conformidade com o protocolo); indicador de monitoramento = mede o resultado (impacto na saúde). É nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Indicadores de hanseníase (PCDT)
1Monitoramento (17.1)
Medem impacto epidemiológico
Taxas de detecção e prevalência
2Qualidade dos serviços (17.2)
Medem conformidade com o protocolo
Avaliação do grau de incapacidade no diagnóstico
Proporção de cura
Contatos examinados
Classificação operacional
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A proporção de casos novos com grau de incapacidade física avaliado no diagnóstico é um indicador de qualidade porque mede se o serviço está cumprindo uma etapa obrigatória do protocolo — a avaliação neurológica simplificada no momento do diagnóstico. Essa avaliação é parte integrante do cuidado ao paciente com hanseníase, e sua realização demonstra adesão ao que foi preconizado pelo PCDT. O indicador verifica o processo, não o desfecho: se o serviço avalia todos os casos novos, ele está seguindo o protocolo; se não avalia, está falhando na adesão.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A proporção de casos segundo classificação operacional entre o total de casos novos é um indicador de qualidade, mas não reflete adesão ao tratamento farmacológico. A classificação operacional (paucibacilar ou multibacilar) é um dado epidemiológico que orienta o esquema terapêutico, mas medir a proporção de casos classificados não verifica se o tratamento foi seguido. É um indicador de qualidade do diagnóstico, não da adesão ao protocolo de tratamento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A proporção de contatos examinados de casos novos diagnosticados nos anos das coortes é um indicador de qualidade, mas mede a investigação de contatos — uma ação de vigilância e prevenção, não a adesão ao tratamento farmacológico do caso índice. O exame de contatos é importante para interromper a cadeia de transmissão, mas não verifica se o paciente diagnosticado está seguindo o protocolo de tratamento. É um indicador de qualidade da vigilância, não do tratamento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A proporção de cura de hanseníase entre os casos novos diagnosticados no ano das coortes é um indicador de qualidade, mas mede o desfecho do tratamento, não a adesão ao protocolo. A cura é o resultado esperado quando o tratamento é seguido corretamente, mas o indicador não verifica se o paciente aderiu ao esquema farmacológico — ele apenas mede quantos foram curados. A adesão é um processo que antecede o desfecho; a cura pode ser influenciada por outros fatores, como a gravidade da doença e a resposta individual ao tratamento. Por isso, a proporção de cura não reflete diretamente a adesão ao protocolo.
Gabarito: letra A — a proporção de casos novos com grau de incapacidade física avaliado no diagnóstico é o indicador que reflete a adesão aos protocolos de tratamento farmacológico, pois mede a conformidade com uma etapa obrigatória do cuidado.