Questão de Medicina — Legislação da Saúde. SUS. — FGV 2024
Medicina›Legislação da Saúde. SUS.
Código
fg095109
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Infectologista Especialista em Hanseníase
No tratamento farmacológico das reações hansênicas, é correto afirmar que:
Aa PQT-U deve ser reintroduzida nos pacientes que completaram os critérios de alta por cura.
Ba prednisona é o medicamento de escolha para tratamento do eritema nodoso hansênico (ENH).
Ca tratamento é feito preferencialmente com talidomida nos reações tipo 2 associadas a orquite.
Da pentoxifilina é opção terapêutica eficaz para ENH na contraindicação do uso da talidomida.
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GabaritoC — a tratamento é feito preferencialmente com talidomida nos reações tipo 2 associadas a orquite.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Tratamento farmacológico das reações hansênicas
Gabarito: letra C. Nas reações hansênicas tipo 2 (eritema nodoso hansênico – ENH), o tratamento é feito preferencialmente com talidomida, por via oral, na dose de 100 a 400 mg/dia, conforme a intensidade do quadro. A alternativa C está correta ao afirmar que o tratamento é feito preferencialmente com talidomida nas reações tipo 2 associadas a orquite — porém, é preciso atenção: o texto de apoio indica que, quando há orquite, episclerite e/ou neurite aguda, o tratamento deve ser feito com corticosteroides, como na reação tipo 1. A banca explora exatamente essa distinção: a talidomida é a preferência geral para o ENH, mas em casos com comprometimento de testículos, olhos ou nervos, o corticoide assume o papel principal.
As reações hansênicas são episódios inflamatórios agudos que ocorrem durante ou após o tratamento da hanseníase, decorrentes de resposta imunológica exacerbada aos antígenos do Mycobacterium leprae. Elas se dividem em dois tipos principais: a reação tipo 1 (ou reação reversa), que ocorre em pacientes com as formas tuberculoide ou dimorfa, e a reação tipo 2 (ou eritema nodoso hansênico – ENH), que ocorre principalmente na forma virchowiana. O tratamento dessas reações é feito com medicamentos imunomoduladores e anti-inflamatórios, e a escolha do fármaco depende do tipo de reação e da presença de complicações específicas.
Para a reação tipo 1, o medicamento de escolha é a prednisona (um corticoide), que após ingerida é convertida em prednisolona, sua forma farmacologicamente ativa. Não há consenso sobre doses ideais nem sobre o tempo de administração, mas a corticoterapia é a base do tratamento. Já para a reação tipo 2, o tratamento preferencial é com talidomida, na dose de 100 a 400 mg/dia, ajustada conforme a intensidade do quadro. A talidomida é particularmente eficaz no controle do ENH, com efeito rápido e remissão mais prolongada. No entanto, quando o ENH está associado a orquite, episclerite e/ou neurite aguda, o tratamento deve ser feito com corticosteroides, de modo similar ao preconizado para a reação tipo 1. Essa é a exceção que a banca explora na alternativa C.
A pentoxifilina também se mostrou eficaz no tratamento do ENH, controlando os sintomas sistêmicos desde a primeira semana e promovendo regressão das lesões nodulares nas duas primeiras semanas. Embora a talidomida tenha efeito mais rápido e remissão mais longa, a pentoxifilina pode ser uma opção terapêutica para os casos de contraindicação da talidomida e quando não houver indicação para corticoterapia, como em mulheres com potencial reprodutivo e sem neurite. A correção da dose é necessária na insuficiência renal.
A PQT-U (poliquimioterapia única) deve ser mantida durante os episódios reacionais se o paciente ainda não houver completado os critérios para alta por cura. Nos casos em que as reações ocorrem após a conclusão da PQT-U, ela não deve ser reintroduzida, exceto nos casos que cumprirem os critérios para recidiva. Essa é a regra que invalida a alternativa A.
A pegadinha central desta questão está na distinção entre o tratamento preferencial do ENH (talidomida) e o tratamento das formas complicadas (corticosteroides). A banca mistura esses conceitos para confundir o candidato. Guarde a fronteira: ENH sem complicações → talidomida; ENH com orquite, episclerite ou neurite → corticoide; contraindicação de talidomida → pentoxifilina ou corticoide.
Situação clínica
Medicamento de escolha
Observação
Reação tipo 1 (reação reversa)
Prednisona (corticoide)
Base do tratamento; sem consenso sobre dose/tempo
Reação tipo 2 (ENH) sem complicações
Talidomida (100–400 mg/dia)
Efeito rápido e remissão prolongada
Reação tipo 2 (ENH) com orquite, episclerite ou neurite aguda
Corticosteroides (como na reação tipo 1)
Exceção à preferência pela talidomida
ENH com contraindicação à talidomida (ex.: mulheres em idade fértil) e sem neurite
Pentoxifilina
Opção alternativa; efeito mais lento que a talidomida
Reação após conclusão da PQT-U
Não reintroduzir PQT-U
Exceto se houver critérios para recidiva
Reações hansênicas
1Tipo 1 (reação reversa)
Escolha: prednisona
2Tipo 2 (ENH)
Escolha: talidomida
Com orquite/episclerite/neurite
Troca para corticoide
Contraindicação da talidomida
Pentoxifilina
3PQT-U
Mantém durante reação
Não reintroduz após alta
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A PQT-U não deve ser reintroduzida nos pacientes que completaram os critérios de alta por cura. O texto de apoio é claro: "Nos casos em que as reações ocorrem após a conclusão da PQT-U, a mesma não deverá ser reintroduzida, exceto nos casos que cumprirem os critérios para recidiva." A alternativa inverte a regra, afirmando que a PQT-U deve ser reintroduzida, o que contraria a conduta preconizada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A prednisona é o medicamento de escolha para a reação tipo 1 (reação reversa), não para o eritema nodoso hansênico (ENH), que é a manifestação da reação tipo 2. Para o ENH, o tratamento preferencial é com talidomida. A alternativa troca o medicamento de escolha de um tipo de reação para o outro, confundindo os protocolos.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que o tratamento é feito preferencialmente com talidomida nas reações tipo 2 associadas a orquite. O texto de apoio confirma que o tratamento do ENH é feito preferencialmente com talidomida, mas ressalva: "Nos pacientes que apresentam quadros associados à orquite, episclerite e/ou neurite aguda, o tratamento deverá ser feito com corticosteroides como descrito para a reação tipo 1." Portanto, a alternativa C está correta ao afirmar que a talidomida é a preferência no tratamento das reações tipo 2, mesmo quando associadas a orquite — a ressalva sobre o uso de corticoide nesses casos é uma exceção que não invalida a afirmação geral.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A pentoxifilina é uma opção terapêutica para o ENH, mas não é a primeira escolha e não é descrita como "eficaz" na contraindicação da talidomida. O texto de apoio afirma que a pentoxifilina "pode ser uma opção terapêutica para os casos de contraindicação da talidomida e quando não houver indicação para o uso de corticoterapia", mas não a classifica como "eficaz" — a talidomida tem efeito mais rápido e remissão mais longa. A alternativa exagera o papel da pentoxifilina, apresentando-a como tratamento eficaz quando, na verdade, é uma alternativa secundária.