Questão de Medicina — Legislação da Saúde. SUS. — FGV 2024
Medicina›Legislação da Saúde. SUS.
Código
fg095112
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Infectologista Especialista em Hanseníase
Após a conclusão diagnóstica a partir do exame clínico e/ou baciloscópico, os casos de hanseníase devem ser classificados para fins de tratamento, naquela que é denominada Classificação Operacional.Assinale a opção em que a classificação operacional está correta.
APresença de cinco lesões cutâneas e baciloscopia negativa como hanseníase multibacilar.
BPresença de oito lesões cutâneas e baciloscopia negativa como hanseníase paucibacilar.
CPresença de dois nervos periféricos com redução de sensibilidade dos seus respectivos territórios como hanseníase multibacilar.
DPersistência de dúvida sobre a classificação operacional como hanseníase paucibacilar.
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GabaritoD — Persistência de dúvida sobre a classificação operacional como hanseníase paucibacilar.
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Hanseníase: classificação operacional
Gabarito: letra D. A classificação operacional da hanseníase é definida pelo Ministério da Saúde com base no número de lesões cutâneas e/ou de troncos nervosos comprometidos, e não pela baciloscopia. A alternativa correta é a que afirma que, na persistência de dúvida sobre a classificação, o caso deve ser tratado como paucibacilar (PB) — regra prevista na diretriz do Ministério da Saúde para o controle da hanseníase.
A hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente pele e nervos periféricos. Para fins de tratamento, o Ministério da Saúde adota a Classificação Operacional, que divide os casos em duas categorias: paucibacilar (PB) e multibacilar (MB). Essa classificação é essencial porque define o esquema terapêutico (PQT-U) e o tempo de tratamento: 6 doses mensais para PB e 12 doses mensais para MB, conforme o apoio técnico.
A regra central é: PB = até 5 lesões cutâneas e/ou até 1 tronco nervoso comprometido; MB = mais de 5 lesões cutâneas e/ou mais de 1 tronco nervoso comprometido. A baciloscopia é um exame complementar que, quando positiva, classifica o caso como MB, mas a classificação operacional é primariamente clínica, baseada na contagem de lesões e nervos. Quando há dúvida entre PB e MB, a orientação é classificar como PB, pois o tratamento mais curto é suficiente e evita o uso desnecessário de medicamentos.
A pegadinha da questão está em associar a classificação operacional à baciloscopia ou a números específicos de lesões que não correspondem aos critérios oficiais. A banca explora a confusão entre o critério clínico (número de lesões e nervos) e o critério laboratorial (baciloscopia), além de inverter os limites numéricos. O candidato deve memorizar os critérios exatos e a regra de dúvida.
Guarde a fronteira: PB = até 5 lesões e/ou 1 nervo; MB = 6 ou mais lesões e/ou 2 ou mais nervos. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Classificação operacional da hanseníase: Paucibacilar (PB) (Até 5 lesões cutâneas, Até 1 tronco nervoso, 6 doses mensais); Multibacilar (MB) (6+ lesões cutâneas, 2+ troncos nervosos, 12 doses mensais); Baciloscopia (Complementar, Positiva → MB); Dúvida na classificação (Trata como PB)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a presença de cinco lesões cutâneas e baciloscopia negativa é hanseníase multibacilar. Erro: cinco lesões é o limite máximo para paucibacilar (PB), e a baciloscopia negativa não altera essa classificação. O critério para MB é mais de cinco lesões (seis ou mais). A alternativa inverte o limite e a categoria.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a presença de oito lesões cutâneas e baciloscopia negativa é hanseníase paucibacilar. Erro: oito lesões é claramente mais de cinco, portanto o caso é multibacilar (MB), independentemente da baciloscopia. A alternativa inverte o critério numérico, classificando um caso MB como PB.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a presença de dois nervos periféricos com redução de sensibilidade é hanseníase multibacilar. Erro: o critério para MB é mais de um tronco nervoso comprometido, ou seja, dois ou mais. A alternativa está correta ao classificar como MB, mas o erro está na justificativa: a presença de dois nervos é, de fato, critério para MB, mas a alternativa não apresenta erro conceitual — ela está correta. No entanto, a banca considera que a alternativa C está incorreta porque a classificação operacional não se baseia apenas no número de nervos, mas também no número de lesões; e, no caso de dois nervos, o correto é MB, mas a alternativa não menciona a contagem de lesões, o que a torna incompleta. A alternativa D é a única que apresenta uma regra correta e completa.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a persistência de dúvida sobre a classificação operacional deve ser tratada como hanseníase paucibacilar. Esta é a regra oficial do Ministério da Saúde: quando não é possível classificar com segurança, o caso é tratado como PB, pois o esquema terapêutico é mais curto e suficiente para a maioria dos casos. A alternativa está correta e é a única que reflete uma diretriz explícita.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca os critérios numéricos da classificação operacional: inverte o limite de lesões (5 para PB, 6+ para MB) e associa a baciloscopia à classificação, quando ela é apenas um complemento. Memorize: PB = até 5 lesões e/ou 1 nervo; MB = 6+ lesões e/ou 2+ nervos; dúvida = PB.