O histopatológico de lesões cutâneas permanece sendo o padrão ouro para estabelecer o diagnóstico definitivo da hanseníase, definindo o grupo dentro do espectro de resposta imune do paciente, e determinando a carga bacilar observada. As amostras são coradas para avaliação de morfologia e para a visualização dos bacilos.Sobre as técnicas usadas nos exames histopatológicos (pele e nervos), assinale a afirmativa correta.
AA coloração usualmente empregada para a análise morfológica é a de May-Grunwald-Giemsa.
BA coloração de Ziehl-Neelsen pode produzir resultados de exames falsamente negativos;
CA coloração de Fite-Faraco e Wade não se baseiam na resistência à descoloração álcool-ácida.
DA coloração de Fite-modificada não é capaz de quantificar os bacilos e identificar globias.
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GabaritoA — A coloração usualmente empregada para a análise morfológica é a de May-Grunwald-Giemsa.
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Hanseníase: colorações histopatológicas e diagnóstico
Gabarito: letra A. A coloração de May-Grünwald-Giemsa é a técnica usualmente empregada para a análise morfológica das células e do infiltrado inflamatório nos cortes histológicos de pele e nervos na hanseníase, enquanto a identificação dos bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR) é feita por colorações específicas como Fite-Faraco e Wade. A alternativa B está incorreta porque a coloração de Ziehl-Neelsen, embora seja uma técnica para BAAR, não é a utilizada rotineiramente na hanseníase — o método padrão é a coloração de Fite-Faraco ou Wade, que preserva melhor a morfologia do Mycobacterium leprae.
O diagnóstico da hanseníase é essencialmente clínico e epidemiológico, baseado nos três sinais cardinais: lesão cutânea com alteração de sensibilidade, espessamento de nervo periférico e presença de bacilos confirmada por baciloscopia ou biópsia. O exame histopatológico é empregado quando o diagnóstico permanece indefinido, especialmente no diferencial com outras dermatoses e nos casos de acometimento neural puro. Nas biópsias de pele, o fragmento deve incluir toda a espessura da derme e parte da hipoderme, sendo coletado preferencialmente das bordas das lesões mais ativas. Já as biópsias de nervos são obtidas de ramos cutâneos sensitivos, como o radial superficial, o sural e o fibular superficial.
O tecido biopsiado é submetido a duas colorações principais: a Hematoxilina-Eosina (HE), que permite a visualização do infiltrado inflamatório, e a coloração de Fite-Faraco ou Wade, que identifica os bacilos álcool-ácido resistentes. A coloração de May-Grünwald-Giemsa, por sua vez, é uma técnica de rotina para a análise morfológica das células, sendo amplamente utilizada em hematologia e citologia. Na hanseníase, ela é empregada para avaliar a morfologia do infiltrado inflamatório, complementando a HE. A coloração de Ziehl-Neelsen, embora seja uma técnica clássica para BAAR, não é a preferida na hanseníase, pois o M. leprae apresenta uma parede celular com lipídios específicos que podem ser melhor preservados com a coloração de Fite-Faraco, que utiliza uma descoloração mais suave.
A distinção entre as colorações é crucial: enquanto a HE e a May-Grünwald-Giemsa são usadas para a morfologia, as colorações de Fite-Faraco e Wade são específicas para a visualização dos bacilos. A coloração de Fite-modificada, uma variação da Fite-Faraco, é capaz de quantificar os bacilos e identificar globias, que são agrupamentos de bacilos dentro de macrófagos, típicos da forma virchowiana. A alternativa C está incorreta porque as colorações de Fite-Faraco e Wade se baseiam sim na resistência à descoloração álcool-ácida, característica dos BAAR. A alternativa D está incorreta porque a coloração de Fite-modificada é justamente a técnica que permite a quantificação dos bacilos e a identificação de globias.
A pegadinha da banca está em confundir a coloração de Ziehl-Neelsen, que é a técnica clássica para BAAR em outras micobactérias, com a coloração de Fite-Faraco, que é a preferida na hanseníase. O candidato que não conhece a especificidade da Fite-Faraco pode marcar a alternativa B como correta, mas ela é falsa porque a Ziehl-Neelsen pode produzir resultados falsamente negativos na hanseníase, devido à menor resistência do M. leprae à descoloração álcool-ácida. A alternativa A, portanto, é a correta, pois a May-Grünwald-Giemsa é a coloração usualmente empregada para a análise morfológica.
Coloração
Finalidade principal
Uso na hanseníase
Hematoxilina-Eosina (HE)
Morfologia do infiltrado inflamatório
Visualização do infiltrado e da arquitetura tecidual
May-Grünwald-Giemsa
Morfologia celular
Análise morfológica das células do infiltrado (técnica usual)
Fite-Faraco / Wade
Identificação de BAAR
Técnica padrão para visualização dos bacilos (preserva morfologia do M. leprae)
Fite-modificada
Quantificação de bacilos e identificação de globias
Avaliação da carga bacilar e agrupamentos em macrófagos
Ziehl-Neelsen
Identificação de BAAR (técnica clássica)
Não é a preferida; pode gerar falsos negativos no M. leprae
Colorações na hanseníase
1Morfologia
Hematoxilina-Eosina (HE)
May-Grünwald-Giemsa
2Bacilos (BAAR)
Fite-Faraco
Wade
Fite-modificada
quantifica bacilos
identifica globias
Ziehl-Neelsen
falsos negativos no M. leprae
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A coloração de May-Grünwald-Giemsa é uma técnica de rotina para a análise morfológica das células, sendo amplamente utilizada em hematologia e citologia. Na hanseníase, ela é empregada para avaliar a morfologia do infiltrado inflamatório, complementando a HE. A alternativa está correta porque a May-Grünwald-Giemsa é a coloração usualmente empregada para a análise morfológica, enquanto as colorações de Fite-Faraco e Wade são específicas para a visualização dos bacilos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A coloração de Ziehl-Neelsen é uma técnica clássica para BAAR, mas não é a preferida na hanseníase. O M. leprae apresenta uma parede celular com lipídios específicos que podem ser melhor preservados com a coloração de Fite-Faraco, que utiliza uma descoloração mais suave. A alternativa está incorreta porque a Ziehl-Neelsen pode produzir resultados falsamente negativos na hanseníase, devido à menor resistência do M. leprae à descoloração álcool-ácida. A banca explora a confusão entre a Ziehl-Neelsen, que é a técnica clássica para BAAR em outras micobactérias, e a Fite-Faraco, que é a preferida na hanseníase.
Alternativa C — ❌ Incorreta
As colorações de Fite-Faraco e Wade se baseiam sim na resistência à descoloração álcool-ácida, característica dos BAAR. A alternativa está incorreta porque inverte o princípio dessas colorações, que são justamente as técnicas específicas para a identificação dos bacilos álcool-ácido resistentes na hanseníase. A banca troca o princípio da técnica, fazendo o candidato acreditar que elas não se baseiam na resistência à descoloração.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A coloração de Fite-modificada é justamente a técnica que permite a quantificação dos bacilos e a identificação de globias, que são agrupamentos de bacilos dentro de macrófagos, típicos da forma virchowiana. A alternativa está incorreta porque nega uma capacidade que a Fite-modificada possui. A banca explora a confusão entre a Fite-modificada e outras colorações que não permitem a quantificação, mas a Fite-modificada é específica para isso.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar a coloração de Ziehl-Neelsen pela de Fite-Faraco, fazendo o candidato acreditar que a Ziehl-Neelsen é a técnica preferida na hanseníase. Lembre-se: a Ziehl-Neelsen é a técnica clássica para BAAR em outras micobactérias, mas na hanseníase a preferida é a Fite-Faraco, que preserva melhor a morfologia do M. leprae. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela comparativa das colorações: HE (morfologia do infiltrado), May-Grünwald-Giemsa (morfologia celular), Fite-Faraco/Wade (BAAR), Fite-modificada (quantificação e globias), Ziehl-Neelsen (BAAR em outras micobactérias). Essa tabela é o mapa completo para questões de histopatologia na hanseníase.