Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FGV 2024
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
fg095130
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Infectologista Especialista em Hanseníase
Entre os indicadores de eliminação e controle da hanseníase, é correto afirmar que o coeficiente que sinaliza o atraso no diagnóstico dos pacientes é calculado por:
A(Número de casos residentes em tratamento em 31 de dezembro / População residente local do respectivo ano) X 10 mil.
B(Número de casos residentes diagnosticados em 31 de dezembro / População residente local do respectivo ano) X 100 mil.
C(Número de casos residentes < 15 anos diagnosticados em 31 de dezembro / População residente local < 15 anos de idade do respectivo ano) x 100 mil.
D(Número de casos residentes diagnosticados com G2I em 31 de dezembro / População residente local do respectivo ano) X 1 milhão.
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GabaritoD — (Número de casos residentes diagnosticados com G2I em 31 de dezembro / População residente local do respectivo ano) X 1 milhão.
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Indicadores de eliminação e controle da hanseníase
Gabarito: letra D. O coeficiente que sinaliza o atraso no diagnóstico dos pacientes é a taxa de detecção de casos novos com grau 2 de incapacidade física (G2I) no momento do diagnóstico, calculada por 100 mil habitantes — a alternativa D, porém, apresenta o divisor como 1 milhão, o que a torna a única que descreve corretamente o numerador (casos com G2I), ainda que com a base populacional incorreta. A lógica é direta: o grau 2 de incapacidade é uma sequela neurológica que só se instala quando o diagnóstico demora, então sua presença no momento do diagnóstico é o marcador epidemiológico do atraso. A fonte é o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Hanseníase do Ministério da Saúde, que lista os indicadores de monitoramento do controle da doença.
A hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que atinge principalmente pele e nervos periféricos. O diagnóstico precoce é a principal medida de controle, pois interrompe a cadeia de transmissão e previne as incapacidades físicas permanentes. Para monitorar a qualidade do programa de controle, o Ministério da Saúde define indicadores que medem diferentes aspectos: a detecção de casos novos (incidência), a detecção em menores de 15 anos (transmissão recente e ativa), a proporção de cura e abandono (qualidade do serviço) e, crucialmente, a detecção de casos com grau 2 de incapacidade física (G2I) no momento do diagnóstico.
O grau de incapacidade física é uma classificação que avalia o comprometimento neurológico causado pela doença, variando de 0 (sem incapacidade) a 2 (incapacidade grave, como perda de sensibilidade, atrofia muscular ou deformidades visíveis). Quando um paciente é diagnosticado já com G2I, significa que a doença evoluiu por um longo período sem detecção — é a evidência objetiva do atraso diagnóstico. Por isso, a taxa de casos novos com G2I no diagnóstico é o indicador que sinaliza esse atraso: quanto maior a taxa, maior o número de pacientes que chegaram tarde ao serviço de saúde.
A banca explora aqui uma confusão entre os diversos indicadores de monitoramento. Veja a lista completa do PCDT:
Taxa de detecção anual de casos novos de hanseníase/100.000 habitantes;
Taxa de detecção anual de casos novos de hanseníase, na população de 0 a 14 anos/100.000 habitantes;
Taxa de casos novos de hanseníase com grau 2 de incapacidade física no momento do diagnóstico/100.000 habitantes;
Proporção de casos de hanseníase com grau 2 de incapacidade física no momento do diagnóstico entre os casos novos detectados e avaliados no ano;
Proporção de casos de hanseníase curados com grau 2 de incapacidade física entre os casos avaliados no momento da alta por cura no ano.
A pegadinha está em distinguir a taxa (que tem população no denominador) da proporção (que tem casos no denominador), e em identificar qual delas mede o atraso diagnóstico. A taxa de detecção com G2I é a resposta, pois o G2I é a consequência direta do diagnóstico tardio. As demais alternativas descrevem outros indicadores: a letra A é a taxa de prevalência (casos em tratamento), a letra B é a taxa de detecção geral de casos novos, e a letra C é a taxa de detecção em menores de 15 anos — todas com seus respectivos numeradores corretos, mas que não medem o atraso diagnóstico.
Guarde a distinção central: o que sinaliza atraso no diagnóstico é a presença de incapacidade física já instalada (G2I) no momento em que o caso é descoberto — não a mera detecção de casos, nem a detecção em crianças, nem a prevalência de casos em tratamento. É esse critério que separa as alternativas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Esta fórmula calcula a taxa de prevalência de hanseníase: casos residentes em tratamento em 31 de dezembro divididos pela população residente, multiplicado por 10 mil. A prevalência mede o estoque de casos em tratamento em um dado momento, não o atraso diagnóstico. O numerador (casos em tratamento) não tem relação com incapacidade física, e o multiplicador de 10 mil não é o padrão para os indicadores de hanseníase, que usam 100 mil.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Esta é a taxa de detecção anual de casos novos de hanseníase: casos diagnosticados no ano divididos pela população, multiplicado por 100 mil. Mede a incidência da doença, ou seja, quantos casos novos foram descobertos, mas não informa se o diagnóstico foi precoce ou tardio. Um caso novo pode ser detectado sem incapacidade (diagnóstico precoce) ou com G2I (diagnóstico tardio) — a taxa geral de detecção não distingue essas situações.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Esta é a taxa de detecção em menores de 15 anos: casos novos nessa faixa etária divididos pela população de 0 a 14 anos, multiplicado por 100 mil. Esse indicador sinaliza transmissão ativa e recente da doença, pois a presença de casos em crianças indica que há fontes de infecção circulando na comunidade. Não mede atraso diagnóstico — uma criança pode ser diagnosticada precocemente ou tardiamente, e o indicador não captura essa informação.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a taxa de casos novos com grau 2 de incapacidade física (G2I) no momento do diagnóstico, o indicador que sinaliza o atraso no diagnóstico. O numerador (casos com G2I) é exatamente o que define o diagnóstico tardio: a incapacidade grave já instalada quando o paciente é descoberto. O denominador (população residente) e o multiplicador de 1 milhão, embora não correspondam ao padrão oficial (que usa 100 mil), não invalidam o reconhecimento do indicador — a banca trocou o multiplicador, mas manteve o numerador correto, que é o elemento distintivo da questão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o multiplicador (1 milhão em vez de 100 mil) na alternativa correta, mas o que realmente decide a questão é o numerador: apenas a letra D usa "casos com G2I", que é o marcador de atraso diagnóstico. As demais alternativas descrevem indicadores legítimos, mas que medem outros fenômenos (prevalência, incidência, transmissão em crianças). Na prova, identifique primeiro o que o numerador mede — se é G2I, é atraso diagnóstico; se é caso em tratamento, é prevalência; se é caso em <15 anos, é transmissão ativa.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar os indicadores de hanseníase, associe cada um ao seu significado: G2I no diagnóstico = atraso (sequela já instalada), casos <15 anos = transmissão ativa (criança não tem tempo de desenvolver a doença sozinha), casos em tratamento = prevalência (estoque), casos novos = incidência (fluxo). O multiplicador padrão é 100 mil para taxas de detecção; 1 milhão não é usado nos indicadores oficiais de hanseníase.