Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FGV 2024
- Código
- fg095145
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Intensivista
- ASuxametônio.
- BRocurônio.
- CCisatracúrio.
- DAtracúrio.
GabaritoA — Suxametônio.
Gabarito: letra A. O suxametônio (succinilcolina) é o bloqueador neuromuscular que não deve ser utilizado em infusão contínua, pois é um agente despolarizante de ação ultracurta, cuja infusão prolongada leva a dessensibilização do receptor (bloqueio de fase II), taquifilaxia e risco aumentado de hipercalemia e hipertermia maligna. Os demais (rocurônio, cisatracúrio e atracúrio) são não despolarizantes e podem ser usados em infusão contínua na UTI, sendo o cisatracúrio o de escolha.
Os bloqueadores neuromusculares (BNM) são fármacos que impedem a ação da acetilcolina no receptor pós-sináptico da junção neuromuscular, causando paralisação dos músculos esqueléticos. Eles se dividem em duas classes: despolarizantes (representados pelo suxametônio/succinilcolina) e não despolarizantes (atracúrio, cisatracúrio, pancurônio, rocurônio). Essa distinção é fundamental para entender por que um deles não pode ser usado em infusão contínua.
O suxametônio é um agonista do receptor nicotínico da acetilcolina: ele se liga e despolariza a membrana da placa motora, causando uma contração muscular breve (fasciculações) seguida de paralisia flácida. Sua ação é ultracurta (5-10 minutos) porque é rapidamente hidrolisado pela colinesterase plasmática. Porém, quando administrado em infusão contínua, ocorre um fenômeno chamado bloqueio de fase II: o receptor se dessensibiliza e o bloqueio passa a se comportar como um bloqueio não despolarizante, com recuperação imprevisível e prolongada. Além disso, a infusão contínua de suxametônio aumenta o risco de hipercalemia (especialmente em pacientes com lesão muscular, queimaduras, imobilização ou doença renal) e de hipertermia maligna, uma complicação potencialmente fatal. Por isso, o suxametônio é usado exclusivamente em bolus para intubação de sequência rápida, nunca em infusão.
Os BNM não despolarizantes, por outro lado, são antagonistas competitivos do receptor: ocupam o sítio de ligação da acetilcolina sem despolarizar a membrana. Eles podem ser administrados em infusão contínua, sendo o cisatracúrio o preferido na UTI por seu metabolismo independente de órgãos (degradação de Hofmann), o que o torna mais previsível em pacientes com disfunção renal ou hepática. O rocurônio e o atracúrio também podem ser usados em infusão, embora o rocurônio tenha metabolismo hepático e o atracúrio libere laudanosina (metabólito com potencial epileptogênico em altas doses).
A banca explora exatamente a confusão entre as duas classes: o candidato pode pensar que todos os BNM são iguais, mas a diferença entre despolarizante e não despolarizante é o que decide a questão. O suxametônio é o único despolarizante entre as alternativas, e é justamente por isso que não pode ser usado em infusão contínua.
Guarde a fronteira: despolarizante (suxametônio) = bolus apenas; não despolarizantes (rocurônio, cisatracúrio, atracúrio) = podem ser infundidos. É nessa distinção que as alternativas se separam.
O suxametônio (succinilcolina) é o bloqueador neuromuscular despolarizante de ação ultracurta. Em infusão contínua, ele causa bloqueio de fase II (dessensibilização do receptor), taquifilaxia, hipercalemia e risco de hipertermia maligna. Por isso, é contraindicado para infusão contínua — deve ser usado apenas em bolus para intubação de sequência rápida.
O rocurônio é um BNM não despolarizante de ação intermediária, que pode ser utilizado em infusão contínua na UTI. Embora tenha metabolismo hepático e eliminação mais demorada, o que exige monitorização e redução diária da dose, ele é uma alternativa válida ao cisatracúrio. A alternativa erra ao sugerir que ele não pode ser infundido.
O cisatracúrio é o BNM não despolarizante de escolha para infusão contínua em pacientes críticos, devido ao seu metabolismo independente de órgãos (degradação de Hofmann), o que o torna previsível mesmo em disfunção renal ou hepática. É amplamente utilizado em infusão contínua na UTI, especialmente em SARA. A alternativa está incorreta.
O atracúrio é um BNM não despolarizante que também pode ser utilizado em infusão contínua, embora libere laudanosina (metabólito com potencial epileptogênico em altas doses), o que o torna menos preferível que o cisatracúrio. Apesar dessa ressalva, ele pode ser infundido, então a alternativa está incorreta.
A banca troca a classe farmacológica: o candidato pode achar que todos os BNM são iguais, mas o suxametônio é o único despolarizante — e é exatamente por isso que não pode ser infundido. Os não despolarizantes (rocurônio, cisatracúrio, atracúrio) podem ser usados em infusão contínua, com o cisatracúrio como preferência na UTI.
Para memorizar: suxametônio = bolus apenas (ação ultracurta, fase II, hipercalemia, hipertermia maligna). Não despolarizantes = podem ser infundidos (cisatracúrio é o de escolha na UTI). Na prova, identifique primeiro se o fármaco é despolarizante ou não — isso resolve a questão.
Gabarito: letra A
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