Uma mulher de 35 anos tem história de episódios repetidos de processo inflamatório na mama esquerda, com drenagem espontânea na linha periareolar. A paciente não tem comorbidades e é tabagista.O melhor tratamento para evitar novas recidivas futuras consiste em ressecção:
Ados ductos comprometidos e suspensão do tabagismo.
Bsegmentar da mama esquerda e uso de compressas mornas.
Cde quadrante mamário à esquerda e radioterapia.
Ddos ductos terminais e antibiótico profilático por seis meses.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — dos ductos comprometidos e suspensão do tabagismo.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Mastite periductal recorrente: tratamento cirúrgico e cessação do tabagismo
Gabarito: letra A. O quadro descrito — episódios repetidos de processo inflamatório na mama com drenagem espontânea na linha periareolar em mulher jovem tabagista — é clássico de mastite periductal (ectasia ductal infectada), cujo tratamento definitivo para evitar recidivas é a ressecção dos ductos comprometidos associada à suspensão do tabagismo, principal fator de risco modificável. As demais alternativas propõem condutas inadequadas para essa condição benigna, como radioterapia ou antibiótico profilático prolongado.
A mastite periductal é uma condição inflamatória benigna que acomete os ductos subareolares, mais comum em mulheres jovens e tabagistas. O tabagismo é um fator de risco bem estabelecido, pois causa metaplasia escamosa do epitélio ductal, levando à obstrução dos ductos, estase de secreções e infecção secundária. Isso explica a drenagem espontânea na linha periareolar — o abscesso formado drena através da pele adjacente à aréola. O processo é recorrente justamente porque o ducto comprometido permanece como foco de infecção, e o tabagismo contínuo perpetua a metaplasia ductal.
O tratamento definitivo da mastite periductal recorrente é cirúrgico: a excisão do ducto ou ductos comprometidos (ductectomia), removendo o tecido doente e eliminando o foco de recidiva. A simples drenagem de abscesso ou o uso de antibióticos trata o episódio agudo, mas não previne novas recidivas, pois o ducto alterado permanece. A cessação do tabagismo é parte essencial do manejo, pois remove o estímulo que causa a metaplasia ductal — sem parar de fumar, mesmo após a cirurgia, o risco de desenvolver novos ductos comprometidos permanece elevado.
É importante distinguir a mastite periductal do câncer de mama inflamatório, que também pode se apresentar com sinais inflamatórios. No entanto, o carcinoma inflamatório é uma neoplasia agressiva, geralmente sem drenagem espontânea de pus, e ocorre mais frequentemente em mulheres mais velhas. A drenagem espontânea na linha periareolar em mulher jovem tabagista é muito mais sugestiva de processo benigno. A distinção é crucial porque o tratamento é completamente diferente: enquanto a mastite periductal é tratada com ductectomia, o câncer de mama requer abordagem oncológica com cirurgia, radioterapia e quimioterapia conforme o estadiamento.
A pegadinha desta questão está em associar o quadro a um câncer de mama e propor tratamento oncológico (ressecção segmentar, quadrantectomia, radioterapia). A banca explora o reflexo do candidato de pensar em neoplasia diante de um processo inflamatório mamário. No entanto, a apresentação clínica — episódios repetidos, drenagem espontânea, mulher jovem, tabagista — aponta fortemente para a mastite periductal, uma condição benigna. O tratamento correto é a ressecção dos ductos comprometidos, não a ressecção de parênquima mamário saudável como se fosse tumor.
Guarde a fronteira entre doença benigna da mama (mastite periductal) e neoplasia maligna (câncer de mama): é exatamente nela que as alternativas se dividem. A presença de drenagem espontânea de pus e a recorrência em mulher jovem tabagista são os sinais que apontam para o processo benigno, e o tratamento cirúrgico deve ser dirigido ao ducto doente, não à mama como um todo.
Mastite periductal
1Fatores de risco
Tabagismo (metaplasia ductal)
Mulher jovem
2Quadro clínico
Episódios recorrentes
Drenagem espontânea periareolar
3Tratamento definitivo
Ductectomia (ductos comprometidos)
Cessação do tabagismo
4Diagnóstico diferencial
Câncer de mama inflamatório
Sem drenagem de pus
Mulher mais velha
Tratamento oncológico
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ressecção dos ductos comprometidos (ductectomia) remove o foco da infecção recorrente, e a suspensão do tabagismo elimina o principal fator de risco para a metaplasia ductal que causa a doença. Essa é a conduta que trata a causa e previne novas recidivas, sendo o padrão de tratamento para mastite periductal recorrente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A ressecção segmentar da mama é um procedimento para câncer de mama (cirurgia conservadora), não para doença benigna dos ductos. Além disso, compressas mornas são apenas medidas sintomáticas para o episódio agudo, sem efeito na prevenção de recidivas. A conduta não trata o ducto comprometido, que permanece como foco de infecção.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A quadrantectomia é uma cirurgia conservadora para câncer de mama, e a radioterapia adjuvante é indicada nesse contexto oncológico. Aplicar esse tratamento a uma mastite periductal seria um erro grave: submeteria a paciente a uma cirurgia mutilante desnecessária e a radioterapia, que não tem papel no tratamento de doença benigna. O quadro não é neoplásico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A ressecção dos ductos terminais é um termo impreciso — o correto é a ressecção dos ductos comprometidos (subareolares), não dos terminais. Além disso, o antibiótico profilático por seis meses não é indicado: trata a infecção aguda, mas não remove o ducto doente que causa a recidiva, e o uso prolongado de antibióticos traz riscos de resistência bacteriana e efeitos adversos sem benefício comprovado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer você pensar em câncer de mama diante de um processo inflamatório mamário. Mas a drenagem espontânea na linha periareolar em mulher jovem tabagista é o cenário clássico de mastite periductal, uma doença benigna. O tratamento é a ductectomia, não a cirurgia oncológica. Fique atento: sinais inflamatórios na mama nem sempre significam neoplasia — o carcinoma inflamatório é raro e geralmente não drena pus espontaneamente.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, diante de um quadro inflamatório mamário, pergunte-se: há drenagem espontânea? A paciente é jovem e tabagista? Os episódios são recorrentes? Se sim, pense em mastite periductal e lembre-se do tratamento: ductectomia + cessação do tabagismo. Essa associação é a chave para acertar questões sobre esse tema.