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Questão de Medicina — Nefrologia — FGV 2024

MedicinaNefrologia
Código
fg095209
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Nefrologista
Com relação ao rim esponja medular, é correto afirmar que
  1. Aé uma condição grave, de caráter recessivo, caracterizada por cistos corticais.
  2. Bestá geralmente associado à fibrose periportal.
  3. Ca maioria dos pacientes é assintomática e a doença é diagnosticada com base em achados incidentais de imagem por outros motivos.
  4. Dgeralmente progride para doença renal crônica a partir da 5ª década de vida.
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GabaritoC — a maioria dos pacientes é assintomática e a doença é diagnosticada com base em achados incidentais de imagem por outros motivos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Rim esponja medular: apresentação clínica e diagnóstico

Gabarito: letra C. O rim esponja medular (REM) é um distúrbio cístico em que a maioria dos pacientes é assintomática, sendo a doença diagnosticada com base em achados incidentais de imagem realizados por outros motivos — exatamente o que afirma a alternativa correta. Essa característica é central na definição da doença, conforme a literatura nefrológica.

O rim esponja medular, também conhecido como doença de Lenarduzzi-Cacchi-Ricci, é um distúrbio cístico relativamente incomum, caracterizado por ectasia e dilatação cística dos ductos coletores medulares e papilares, o que confere ao rim um aspecto esponjoso nos exames de imagem. A doença ocorre geralmente de forma esporádica, embora casos familiares tenham sido relatados. Não foi estabelecida uma base genética bem definida para o REM, o que contrasta com outras doenças císticas renais, como a doença renal policística autossômica dominante (DRPAD), que tem herança genética bem caracterizada.

A apresentação clínica do REM é marcada pela ausência de sintomas na maioria dos pacientes. A doença é frequentemente detectada entre 30 e 50 anos, muitas vezes de forma incidental, quando o paciente realiza exames de imagem por outros motivos. Quando sintomáticos, os pacientes podem apresentar nefrolitíase (cálculos renais), nefrocalcinose, infecções urinárias e, em alguns casos, hematúria. O REM está associado a defeitos de acidificação e concentração da urina, elevado risco de nefrocalcinose e cálculos renais, e risco moderado de infecções urinárias e doença renal crônica (DRC). No entanto, a evolução clínica é benigna e normalmente não está associada à doença renal em estágio terminal (DRET).

O diagnóstico do REM é feito por exames de imagem. A urografia por tomografia computadorizada (TC) substituiu a urografia intravenosa como exame de escolha. Na TC, observa-se retenção do contraste nas pirâmides renais e nos ductos coletores císticos, dando um aspecto de pincel ou estriações lineares difusas. A nefrocalcinose é comum, mas não é necessária para o diagnóstico. A TC também é útil para descartar outras condições, como necrose papilar, DRPAD, obstrução ou pielonefrite.

É importante distinguir o REM de outras doenças císticas renais, como a DRPAD e a nefronoftise (NPHP). A DRPAD é uma doença genética autossômica dominante, com cistos volumosos que aumentam o tamanho dos rins, frequentemente associada a cistos hepáticos, aneurismas cerebrais e anormalidades valvares cardíacas. A NPHP é uma doença autossômica recessiva, com início na infância ou adolescência, caracterizada por cistos medulares, baixa densidade urinária e ausência de proteinúria significativa, podendo evoluir para DRET. O REM, por sua vez, tem evolução benigna e raramente progride para DRET.

A pegadinha desta questão está em associar o REM a características de outras doenças císticas renais. A banca explora a confusão entre o REM e a DRPAD ou a NPHP, que têm apresentações clínicas e prognósticos distintos. O candidato que não domina as diferenças entre essas entidades pode facilmente marcar uma alternativa incorreta. Guarde a fronteira entre o REM (benigno, assintomático, achado incidental) e as outras doenças císticas (progressivas, com manifestações sistêmicas): é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Critério

Rim Esponja Medular (REM)

Doença Renal Policística Autossômica Dominante (DRPAD)

Nefronoftise (NPHP)

Herança genética

Esporádico (casos familiares raros)

Autossômica dominante

Autossômica recessiva

Localização dos cistos

Medular (ectasia de ductos coletores)

Cortical e medular (cistos volumosos)

Medular

Prognóstico

Benigno; raramente evolui para DRET

Progressivo; evolui para DRET (50-70 anos)

Progressivo; evolui para DRET precocemente

Manifestações sistêmicas

Ausentes

Cistos hepáticos, aneurismas cerebrais, anormalidades valvares

Fibrose hepática, retinite pigmentosa, ataxia cerebelar

Rim esponja medular
  • 1Características
    • Ectasia cística dos ductos coletores
    • Cistos medulares e papilares
    • Esporádico (sem herança definida)
  • 2Clínica
    • Maioria assintomática
    • Diagnóstico incidental (30-50 anos)
    • Nefrolitíase e nefrocalcinose
    • Evolução benigna
  • 3Diagnóstico
    • TC com retenção do contraste
    • Aspecto de pincel nas pirâmides
  • 4Distinções
    • DRPAD: dominante, cistos volumosos, DRET
    • Nefronoftise
      • recessiva, início precoce, fibrose hepática
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o REM é uma condição grave, de caráter recessivo, caracterizada por cistos corticais. Há dois erros: (1) o REM não é uma condição grave — a evolução clínica é benigna e normalmente não está associada à DRET; (2) o REM não tem caráter recessivo — ocorre geralmente de forma esporádica, sem base genética bem definida, embora casos familiares tenham sido relatados. Além disso, os cistos do REM são medulares (ectasia dos ductos coletores medulares e papilares), não corticais. A descrição de cistos corticais e caráter recessivo se aproxima mais da nefronoftise, que é uma doença autossômica recessiva.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o REM está geralmente associado à fibrose periportal. Não há associação entre REM e fibrose periportal. A fibrose hepática é uma manifestação extrarrenal que pode ocorrer na nefronoftise (NPHP), mas não no REM. A NPHP pode apresentar sintomas extrarrenais, como retinite pigmentosa (síndrome de Senior-Løken), déficit intelectual, ataxia cerebelar, anormalidades ósseas ou fibrose hepática. O REM não tem essas associações sistêmicas.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a maioria dos pacientes é assintomática e a doença é diagnosticada com base em achados incidentais de imagem por outros motivos. Isso está correto. O REM é frequentemente detectado de forma incidental, entre 30 e 50 anos, quando o paciente realiza exames de imagem por outras razões. A maioria dos pacientes é assintomática, e a evolução clínica é benigna. Essa é a característica mais marcante do REM e a que o distingue de outras doenças císticas renais.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o REM geralmente progride para doença renal crônica a partir da 5ª década de vida. Isso está incorreto. O REM está associado a risco moderado de DRC, mas a evolução clínica é benigna e normalmente não está associada à DRET. A progressão para DRC não é uma característica geral do REM. A progressão para DRET é mais característica de outras doenças císticas, como a DRPAD (que pode evoluir para DRET entre 50 e 70 anos) ou a NPHP.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as doenças císticas renais na prova, foque em três critérios: herança genética, localização dos cistos e prognóstico. O REM é esporádico, com cistos medulares e evolução benigna; a DRPAD é autossômica dominante, com cistos volumosos e progressão para DRET; a NPHP é autossômica recessiva, com cistos medulares e início precoce. Memorize essas diferenças e você acertará questões como esta.

Gabarito: letra C

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