Paciente masculino, obeso, portador de diabetes tipo 2 de longa data, comparece no seu consultório com quadro de doença renal estagio 3 A relação albumina: creatinina em amostra de urina de 160mg/g. Encontra-se com os níveis pressóricos controlados, o uso de inibidores de enzima de conversão e metabolismo controlados. Além de orientar quanto à necessidade de perda ponderal e atividade física, você opta por iniciar dapagliflozina.A esse respeito, assinale a afirmativa correta.
AO fármaco reduz a reabsorção de glucose para o sangue, pelo bloqueio dos co-transportadores SGLT2.
BO fármaco aumenta o risco de doença cardiovascular.
CA sua ação se dá no túbulo contornado distal.
DA taxa de filtração glomerular de uma maneira geral interfere na sua ação, estando contraindicado se abaixo de 45 mL/min.
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GabaritoA — O fármaco reduz a reabsorção de glucose para o sangue, pelo bloqueio dos co-transportadores SGLT2.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Inibidores de SGLT2: mecanismo de ação e uso na doença renal crônica
Gabarito: letra A. A dapagliflozina é um inibidor do cotransportador sódio-glicose 2 (SGLT2), localizado no túbulo contorcido proximal, e sua ação reduz a reabsorção de glicose para o sangue, promovendo glicosúria. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a droga reduz o risco cardiovascular, atua no túbulo proximal (não distal) e não está contraindicada em TFG de 45 mL/min — na verdade, pode ser usada até TFG ≥ 25-30 mL/min, conforme o contexto clínico.
Os inibidores de SGLT2 (gliflozinas) são uma classe de fármacos inicialmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, mas que ganharam enorme relevância na nefrologia e cardiologia por seus benefícios renais e cardiovasculares independentes do controle glicêmico. O mecanismo de ação é o bloqueio seletivo do cotransportador sódio-glicose 2, uma proteína transmembrana localizada na membrana apical das células do túbulo contorcido proximal do néfron. Em condições fisiológicas, o SGLT2 é responsável pela reabsorção de cerca de 90% da glicose filtrada no glomérulo, acoplada ao transporte de sódio. Ao inibir esse transportador, a dapagliflozina reduz a reabsorção de glicose, resultando em glicosúria e consequente redução da glicemia, além de natriurese leve.
O local de ação é um ponto crucial: o SGLT2 está no túbulo contorcido proximal, não no distal. Essa distinção é frequentemente explorada em provas, pois o túbulo distal é o local de ação de outras classes de diuréticos (como os tiazídicos, que atuam no túbulo contorcido distal). A compreensão da anatomia funcional do néfron é essencial para localizar o sítio de ação de cada fármaco.
No contexto da doença renal crônica (DRC), os inibidores de SGLT2 demonstraram benefícios significativos. O estudo DAPA-CKD, por exemplo, avaliou a dapagliflozina em pacientes com DRC (TFG 25-75 mL/min/1,73 m²) com albuminúria, com e sem diabetes, e mostrou redução do risco de declínio da função renal, doença renal terminal e morte por causas renais ou cardiovasculares. O protocolo clínico menciona que, para uso da dapagliflozina, o paciente deve estar em uso de IECA ou BRA e apresentar TFG entre 25 e 75 mL/min, sendo diabético tipo 2 ou apresentando RAC > 300 mg/g em não diabéticos. Vale destacar que, mesmo com mudanças na TFG ou na RAC após o início do tratamento, o medicamento deve ser mantido até o início da terapia renal substitutiva.
A contraindicação dos inibidores de SGLT2 é TFG < 30 mL/min/1,73 m², conforme a tabela de fármacos de segunda linha. Portanto, a alternativa D, que afirma contraindicação abaixo de 45 mL/min, está incorreta — o paciente do caso tem DRC estágio 3A (TFG 45-59 mL/min), dentro da faixa de uso seguro e benéfico. Além disso, a classe reduz o risco cardiovascular, contrariando a alternativa B. A alternativa C erra o local de ação, que é o túbulo contorcido proximal, não o distal.
A pegadinha central desta questão é a troca do local de ação (proximal vs. distal) e a contraindicação por TFG. O candidato que memoriza apenas o nome da classe (inibidores de SGLT2) sem saber onde o transportador se localiza pode cair na alternativa C. Da mesma forma, a alternativa D explora a confusão entre a contraindicação real (TFG < 30) e um valor intermediário (45).
Guarde a fronteira entre o local de ação (túbulo proximal) e a contraindicação por TFG (abaixo de 30 mL/min): é exatamente nesses dois pontos que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmativa descreve corretamente o mecanismo de ação da dapagliflozina: ela bloqueia os cotransportadores SGLT2, localizados no túbulo contorcido proximal, reduzindo a reabsorção de glicose para o sangue e promovendo glicosúria. Esse é o mecanismo fundamental da classe, que também resulta em natriurese leve e redução da pressão intraglomerular, contribuindo para a proteção renal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A dapagliflozina reduz o risco de doença cardiovascular, não o aumenta. Estudos como o DAPA-HF e o DECLARE-TIMI 58 demonstraram redução de eventos cardiovasculares maiores e de hospitalizações por insuficiência cardíaca. A classe é recomendada justamente por seu benefício cardiovascular, além do renal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ação da dapagliflozina se dá no túbulo contorcido proximal, onde está localizado o SGLT2. O túbulo contorcido distal é o local de ação de outras classes, como os diuréticos tiazídicos. A banca troca o segmento do néfron para confundir o candidato.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A dapagliflozina não está contraindicada em TFG abaixo de 45 mL/min. A contraindicação ocorre para TFG < 30 mL/min/1,73 m². O paciente do caso tem DRC estágio 3A (TFG 45-59 mL/min), dentro da faixa de uso seguro e com benefício comprovado, conforme o estudo DAPA-CKD (que incluiu pacientes com TFG 25-75 mL/min).
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o local de ação (proximal vs. distal) e o valor de TFG para contraindicação (30 vs. 45). O candidato que decora o nome da classe sem saber a localização do SGLT2 cai na alternativa C; o que confunde os valores de TFG cai na D. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, lembre-se: SGLT2 = Sódio-Glicose Transportador 2 = túbulo proximal (2º segmento). A contraindicação é TFG < 30 mL/min. Compare com os tiazídicos (túbulo distal) e com a contraindicação dos arGLP1 (também TFG < 30).