Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Nefrologia — FGV 2024

MedicinaNefrologia
Código
fg095224
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Nefrologista
Paciente idosa, sexo feminino, em uso de polifarmácia e inibidor de bomba de próton para proteger o estômago, apresenta distúrbio hidroeletrolítico, caracterizado por hipotensão, hiponatremia e hipocalemia. Após a retirada de diurético de alça, e reposição oral de potássio, houve melhora do estado geral, mantendo-se normotensa e euvolêmica, porém com persistência de hipocalemia.Nesse caso, assinale a conduta inicial correta.
  1. AUtilizar espironolactona.
  2. BInvestigar tubulopatia por uso crônico de diurético.
  3. CProgramar hidratação venosa com reposição de potássio, pois ainda não foi corrigido o distúrbio hidroeletrolítico.
  4. DDosagem sérica de magnésio, com provável início de reposição oral.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Dosagem sérica de magnésio, com provável início de reposição oral.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipocalemia refratária: o papel do magnésio

Gabarito: letra D. A conduta inicial correta é a dosagem sérica de magnésio, com provável início de reposição oral, pois a hipocalemia refratária à reposição de potássio, em paciente idosa em uso de inibidor de bomba de prótons (IBP) e diurético de alça, é classicamente associada à hipomagnesemia — condição que perpetua a perda renal de potássio e impede a correção eficaz do distúrbio. A literatura médica é clara: "Se hipocalemia associada com hipomagnesemia, a reposição isolada de potássio pode se apresentar refratária. Recomenda-se a reposição de magnésio."

A hipocalemia é definida pela concentração sérica de potássio menor que 3,5 mEq/L e se estratifica em leve (3,1–3,5 mEq/L), moderada (2,5–3,0 mEq/L) e grave (< 2,5 mEq/L). As causas mais comuns são vômitos, diarreia e uso de diuréticos — exatamente o cenário da paciente, que faz uso de diurético de alça. O que torna este caso particular é a persistência da hipocalemia após a retirada do diurético e a reposição oral de potássio, com a paciente já normotensa e euvolêmica. Esse é o cenário clássico de hipocalemia refratária, e a primeira hipótese a ser investigada é a deficiência concomitante de magnésio.

O magnésio é um cofator essencial para o funcionamento da bomba de sódio-potássio-ATPase, que mantém o potássio intracelular. Na hipomagnesemia, essa bomba fica comprometida, e o rim perde potássio de forma contínua, mesmo com reposição adequada. Por isso, a correção isolada do potássio é ineficaz enquanto a hipomagnesemia não for tratada. A conduta inicial, portanto, é dosar o magnésio sérico e, se confirmada a deficiência, iniciar reposição oral de magnésio — que pode ser feita de forma intermitente (aproximadamente 50 mEq/dia) até a normalização do quadro.

A paciente idosa em uso de IBP tem risco aumentado de hipomagnesemia, pois os inibidores da bomba de prótons reduzem a absorção intestinal de magnésio. Esse é um dado importante do enunciado que reforça a hipótese diagnóstica. Além disso, o uso crônico de diurético de alça também contribui para a depleção de magnésio por aumento da excreção urinária. A combinação desses fatores — IBP + diurético de alça — torna a hipomagnesemia a causa mais provável da hipocalemia refratária.

A distinção crucial aqui é entre a hipocalemia refratária por hipomagnesemia e outras causas de hipocalemia persistente. A alternativa que sugere "investigar tubulopatia por uso crônico de diurético" é um distrator: a tubulopatia é uma causa de hipocalemia que persiste mesmo após a suspensão do diurético, mas a hipomagnesemia é uma causa muito mais comum e mais facilmente tratável, sendo a primeira hipótese a ser investigada. A alternativa que sugere "hidratação venosa com reposição de potássio" também é incorreta, pois a paciente está euvolêmica e normotensa, não havendo indicação de hidratação venosa — e a reposição venosa de potássio seria ineficaz se a hipomagnesemia não for corrigida.

A alternativa que sugere "utilizar espironolactona" é um distrator perigoso: a espironolactona é um diurético poupador de potássio, que poderia ser usado para tratar a hipocalemia, mas não é a conduta inicial correta neste caso, pois a causa subjacente (hipomagnesemia) não foi investigada. Além disso, o uso de espironolactona em paciente idosa com possível disfunção renal (comum nessa faixa etária) pode levar a hipercalemia, especialmente se a taxa de filtração glomerular estimada for menor que 45 mL/min/1,73 m² ou se o potássio basal for maior ou igual a 4,5 mmol/L.

Guarde a sequência lógica: hipocalemia refratária → dosar magnésio → repor magnésio se deficiente. É exatamente essa a fronteira que separa a alternativa correta das demais.

  1. 1Hipocalemia persistente
  2. 2Dosar magnésio sérico
  3. 3Repor magnésio se deficiente
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A espironolactona é um diurético poupador de potássio que poderia ser útil no tratamento da hipocalemia, mas não é a conduta inicial correta neste caso. A causa subjacente da hipocalemia refratária (provável hipomagnesemia) não foi investigada, e o uso de espironolactona em paciente idosa pode levar a hipercalemia, especialmente se houver disfunção renal. A conduta inicial deve ser diagnóstica (dosar magnésio), não terapêutica empírica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A tubulopatia por uso crônico de diurético é uma causa possível de hipocalemia persistente, mas não é a primeira hipótese a ser investigada neste caso. A paciente apresenta fatores de risco claros para hipomagnesemia (uso de IBP e diurético de alça), e a hipomagnesemia é uma causa muito mais comum e mais facilmente tratável de hipocalemia refratária. A investigação de tubulopatia seria indicada apenas após a exclusão de hipomagnesemia e outras causas mais comuns.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A hidratação venosa com reposição de potássio não é indicada neste caso, pois a paciente está euvolêmica e normotensa, não havendo sinais de hipovolemia. Além disso, a reposição venosa de potássio seria ineficaz se a hipomagnesemia não for corrigida — a hipocalemia refratária à reposição oral de potássio é um sinal clássico de deficiência de magnésio. A conduta correta é investigar a causa da refratariedade, não repetir a reposição por outra via.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A dosagem sérica de magnésio é a conduta inicial correta, pois a hipocalemia refratária à reposição de potássio é classicamente associada à hipomagnesemia. A literatura médica é explícita: "Se hipocalemia associada com hipomagnesemia, a reposição isolada de potássio pode se apresentar refratária. Recomenda-se a reposição de magnésio." A paciente apresenta fatores de risco para hipomagnesemia (uso de IBP e diurético de alça), e a reposição oral de magnésio é o tratamento de escolha, podendo ser feita de forma intermitente (aproximadamente 50 mEq/dia) até a normalização do quadro.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a conduta imediata (dosar magnésio) e outras medidas que podem ser necessárias posteriormente, como o uso de espironolactona ou a investigação de tubulopatia. O candidato que não conhece a associação entre hipocalemia refratária e hipomagnesemia tende a escolher a alternativa A (espironolactona), que é um tratamento empírico sem investigação da causa. Lembre-se: hipocalemia refratária → pensar em magnésio primeiro.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, quando a questão trouxer um paciente com hipocalemia que não melhora com reposição de potássio, a primeira coisa a fazer é dosar magnésio. Essa é uma associação clássica e muito cobrada. Além disso, lembre-se de que o uso de IBP e diuréticos de alça são fatores de risco para hipomagnesemia — se o enunciado mencionar esses medicamentos, a resposta provavelmente envolve magnésio.

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/fg095224