Questão de Medicina — Neurologia — FGV 2024
- Código
- fg095276
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Neurologista
- AInsônia.
- BBruxismo.
- CSonambulismo.
- DNeuropatias periféricas.
GabaritoA — Insônia.
Gabarito: letra A. A actigrafia é um exame complementar pertinente na investigação da insônia, pois registra objetivamente os padrões de sono-vigília ao longo de dias ou semanas, permitindo avaliar a latência do sono, a eficiência e os despertares noturnos — dados essenciais para confirmar o diagnóstico e orientar a conduta. As demais opções (bruxismo, sonambulismo e neuropatias periféricas) não têm a actigrafia como exame de primeira linha em sua investigação.
A actigrafia é um método não invasivo que utiliza um pequeno dispositivo (actígrafo), geralmente usado no punho, para monitorar movimentos corporais e inferir os períodos de sono e vigília. É particularmente útil na avaliação de distúrbios do ritmo circadiano, na insônia (para documentar padrões de sono), na síndrome das pernas inquietas e na avaliação da eficácia de tratamentos. Diferentemente da polissonografia, que exige internação em laboratório do sono, a actigrafia permite monitoramento prolongado no ambiente habitual do paciente, sendo mais acessível e menos onerosa.
Na insônia, a actigrafia auxilia na distinção entre a percepção subjetiva do paciente e os dados objetivos, ajudando a identificar, por exemplo, a "insônia paradoxal" (o paciente dorme, mas acredita que não dormiu) e a avaliar a variabilidade noite a noite. Já o bruxismo (ranger ou apertar os dentes) é diagnosticado preferencialmente por polissonografia com canais específicos (eletromiografia massetérica) e avaliação odontológica; a actigrafia não é o exame padrão. O sonambulismo é uma parassonia do sono N3 (sono de ondas lentas), cuja investigação se dá por polissonografia com vídeo, para correlacionar os episódios com o estágio do sono. As neuropatias periféricas são avaliadas por eletroneuromiografia (ENMG), exames laboratoriais e, em casos selecionados, biópsia de nervo — a actigrafia não tem papel diagnóstico nesse contexto.
A banca explora a associação intuitiva entre "actigrafia" e "movimento" — o que poderia levar o candidato a escolher bruxismo ou sonambulismo. No entanto, o exame mede o padrão de atividade/repouso, não a atividade muscular específica ou os episódios comportamentais. A indicação mais direta e consagrada é a insônia, especialmente para documentação objetiva do padrão de sono.
Guarde o critério: a actigrafia é indicada quando se quer quantificar o padrão de sono-vigília ao longo do tempo — é exatamente o caso da insônia. As demais alternativas exigem outros métodos diagnósticos, como polissonografia (bruxismo e sonambulismo) ou ENMG (neuropatias).
A actigrafia é um exame complementar pertinente na investigação da insônia. Ela fornece dados objetivos sobre o padrão de sono-vigília, como horário de deitar, latência do sono, despertares noturnos e eficiência do sono, ao longo de vários dias. Esses dados são úteis para confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade e monitorar a resposta ao tratamento. É uma ferramenta validada e amplamente utilizada na prática clínica para esse fim.
O bruxismo é diagnosticado preferencialmente por polissonografia com canais de eletromiografia (EMG) dos músculos masseteres e temporais, além de avaliação odontológica. A actigrafia pode até detectar movimentos, mas não é específica para identificar o ranger ou apertar dos dentes, nem é o exame de escolha na investigação. A banca tenta confundir ao associar "movimento" com "actigrafia", mas o exame não avalia a atividade muscular orofacial de forma diagnóstica.
O sonambulismo é uma parassonia do sono de ondas lentas (N3), cuja investigação exige polissonografia com vídeo para correlacionar os episódios comportamentais com o estágio do sono. A actigrafia não é capaz de identificar os estágios do sono nem os episódios de sonambulismo, sendo insuficiente para o diagnóstico. A confusão aqui é achar que, por envolver movimento, a actigrafia seria útil — mas o exame não substitui a polissonografia nesse contexto.
As neuropatias periféricas são investigadas por eletroneuromiografia (ENMG), exames laboratoriais (glicemia, vitamina B12, função tireoidiana, etc.) e, em casos selecionados, biópsia de nervo. A actigrafia não tem papel na avaliação de neuropatias, pois não avalia a função nervosa periférica. A alternativa é um distrator claro, pois foge completamente do escopo do exame.
A banca explora a associação entre "actigrafia" e "movimento", induzindo o candidato a escolher bruxismo ou sonambulismo. Mas a actigrafia mede o padrão de atividade/repouso ao longo do tempo, não a atividade muscular específica nem os episódios comportamentais. A insônia é a indicação clássica e direta — lembre-se: quando a questão perguntar sobre actigrafia, pense em distúrbios do ritmo circadiano e insônia.
Para fixar: actigrafia → insônia e distúrbios do ritmo circadiano; polissonografia → bruxismo, sonambulismo, apneia do sono e parassonias; ENMG → neuropatias periféricas. Essa divisão cai com frequência em provas de neurologia e medicina do sono.
Gabarito: letra A
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