O diagnóstico da doença de Parkinson permanece clínico, mas podemos utilizar exames complementares que auxiliam nesta tarefa.Assinale a opção que indica o exame que detecta alteração do nigrossomo-1, no mesencéfalo, achado este que pode corroborar com o diagnóstico clínico.
AUltrassonografia transcraniana.
BRessonância magnética do crânio de alto campo.
CCintilografia com I123-MIBG (metaiodobenzilguanidina).
DSPECT (single photon emission computed tomography) com Trodat.
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GabaritoB — Ressonância magnética do crânio de alto campo.
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Doença de Parkinson: exames complementares e o nigrossomo-1
Gabarito: letra B. O exame que detecta alteração do nigrossomo-1 no mesencéfalo é a ressonância magnética de alto campo (3T ou superior), que permite visualizar essa estrutura com alta resolução — a perda de sinal do nigrossomo-1 é um biomarcador de imagem que corrobora o diagnóstico clínico de doença de Parkinson. As demais opções avaliam outros aspectos: a ultrassonografia transcraniana detecta hiperecogenicidade da substância negra, a cintilografia com I123-MIBG avalia a inervação cardíaca simpática e o SPECT com Trodat avalia a integridade dos neurônios dopaminérgicos pré-sinápticos.
O diagnóstico da doença de Parkinson (DP) é essencialmente clínico, baseado na história e no exame físico, com os critérios do Brain Bank da Parkinson's Disease Society do Reino Unido sendo os mais utilizados. Esses critérios envolvem três etapas: o diagnóstico da síndrome parkinsoniana (bradicinesia + rigidez, tremor de repouso ou instabilidade postural), a exclusão de causas alternativas e a presença de critérios de suporte positivo. No entanto, exames complementares podem auxiliar, principalmente em casos duvidosos ou para afastar diagnósticos diferenciais.
O nigrossomo-1 é uma estrutura anatômica localizada na porção ventrolateral da substância negra pars compacta, visível na ressonância magnética de alto campo como uma área hiperintensa em sequências ponderadas em T2* ou susceptibilidade magnética (SWI). Na doença de Parkinson, há perda neuronal nessa região, resultando em perda do sinal do nigrossomo-1 — um achado que pode corroborar o diagnóstico. A ressonância magnética convencional (1,5T) geralmente não tem resolução suficiente para visualizar essa estrutura, sendo necessário o uso de aparelhos de alto campo (3T ou mais).
É importante distinguir os exames complementares utilizados na investigação da DP, pois cada um avalia um aspecto diferente da fisiopatologia:
Exame
O que avalia
Achado na DP
Ressonância magnética de alto campo
Estrutura do mesencéfalo (nigrossomo-1)
Perda de sinal do nigrossomo-1
Ultrassonografia transcraniana
Ecogenicidade da substância negra
Hiperecogenicidade da substância negra
SPECT com Trodat (DaTSCAN)
Transportador de dopamina pré-sináptico
Redução da captação no estriado
Cintilografia com I123-MIBG
Inervação simpática cardíaca
Redução da captação cardíaca
A pegadinha da questão está em associar o nigrossomo-1 ao exame errado. A ultrassonografia transcraniana (alternativa A) é um exame que também avalia a substância negra, mas por meio da ecogenicidade, não do nigrossomo-1. O SPECT com Trodat (alternativa D) avalia a função dopaminérgica, não a estrutura anatômica. A cintilografia com MIBG (alternativa C) avalia o sistema nervoso autônomo cardíaco, sendo útil em casos de parkinsonismo atípico, mas não detecta o nigrossomo-1.
Guarde a relação: nigrossomo-1 → ressonância magnética de alto campo. É exatamente essa associação que separa a alternativa correta das demais.
Exames na doença de Parkinson
1RM de alto campo (3T)
Avalia estrutura do mesencéfalo
Detecta perda do nigrossomo-1
2Ultrassonografia transcraniana
Avalia ecogenicidade da substância negra
Hiperecogenicidade na DP
3SPECT com Trodat (DaTSCAN)
Avalia transportador de dopamina
Redução da captação no estriado
4Cintilografia com I123-MIBG
Avalia inervação simpática cardíaca
Redução da captação cardíaca
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A ultrassonografia transcraniana é um exame que avalia a ecogenicidade da substância negra, sendo um marcador de neurodegeneração dopaminérgica. Na DP, observa-se hiperecogenicidade da substância negra, mas esse exame não detecta o nigrossomo-1, que é uma estrutura anatômica específica visualizada apenas por ressonância magnética de alto campo. A confusão entre os dois exames é comum, pois ambos avaliam a substância negra, mas por métodos diferentes.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ressonância magnética de alto campo (3T ou superior) é o exame capaz de detectar alterações do nigrossomo-1, uma estrutura hiperintensa localizada na substância negra pars compacta, visível em sequências de susceptibilidade magnética (SWI) ou T2*. Na doença de Parkinson, há perda neuronal nessa região, resultando em perda do sinal do nigrossomo-1 — um biomarcador de imagem que pode corroborar o diagnóstico clínico. Esse achado é específico e ajuda a diferenciar a DP de outras condições.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A cintilografia com I123-MIBG avalia a inervação simpática cardíaca, sendo útil na diferenciação entre doença de Parkinson e outros parkinsonismos (como atrofia de múltiplos sistemas), pois na DP há denervação cardíaca simpática. No entanto, esse exame não avalia o mesencéfalo nem o nigrossomo-1 — ele é um marcador de disfunção autonômica, não de neurodegeneração dopaminérgica central.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O SPECT com Trodat (DaTSCAN) avalia a integridade dos neurônios dopaminérgicos pré-sinápticos no estriado, utilizando um traçador que se liga ao transportador de dopamina. Na DP, há redução da captação estriatal, o que ajuda a diferenciar a doença de tremor essencial ou parkinsonismo psicogênico. No entanto, esse exame não detecta o nigrossomo-1, pois avalia a função dopaminérgica, não a estrutura anatômica do mesencéfalo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre exames que avaliam a substância negra. A ultrassonografia transcraniana (ecogenicidade) e o SPECT com Trodat (função dopaminérgica) são exames que também se relacionam à via dopaminérgica, mas nenhum deles visualiza o nigrossomo-1 — essa é uma característica exclusiva da ressonância magnética de alto campo. Lembre-se: nigrossomo-1 é uma estrutura anatômica, e apenas a ressonância magnética tem resolução para visualizá-la.
Gabarito: letra B — a ressonância magnética de crânio de alto campo é o exame que detecta alteração do nigrossomo-1 no mesencéfalo.