Uma paciente gestante (6º mes de gestação) apresenta, há um mes, disestesia em face lateral da coxa esquerda.Ao exame neurológico foi detectada apenas a diminuição da sensibilidade tátil e dolorosa na face antero-lateral da coxa esquerda.Assinale a opção que apresenta a hipótese diagnóstica mais provável.
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Meralgia parestésica na gestação
Gabarito: letra B. O quadro é de meralgia parestésica: disestesia e hipoestesia na face anterolateral da coxa, em paciente gestante, sem déficit motor — clássica compressão do nervo cutâneo femoral lateral, agravada pelo ganho de peso e alterações posturais da gestação. As demais opções cursam com outros padrões de comprometimento neurológico.
A meralgia parestésica é uma mononeuropatia do nervo cutâneo femoral lateral, um nervo puramente sensitivo que inerva a pele da face anterolateral da coxa. Ele emerge da pelve e passa sob o ligamento inguinal, próximo à espinha ilíaca anterossuperior. Quando esse nervo é comprimido ou tracionado, o paciente sente parestesia (formigamento, queimação, dor) e hipoestesia (diminuição da sensibilidade) exatamente nessa distribuição — sem fraqueza muscular, pois o nervo não tem componente motor.
Na gestação, a meralgia parestésica é relativamente comum e tem mecanismo multifatorial: o ganho de peso aumenta a pressão abdominal e o ângulo do tronco, o útero gravídico pode comprimir o nervo em seu trajeto pélvico, e as alterações posturais (lordose lombar aumentada) tensionam o ligamento inguinal. O diagnóstico é essencialmente clínico, pela topografia característica dos sintomas. O tratamento é conservador: orientação postural, controle de peso, roupas não apertadas e, se necessário, analgésicos — na gestação, sempre com cautela.
A pegadinha da questão está em distinguir a meralgia parestésica de uma radiculopatia lombar (como a de L4). Na radiculopatia, além do déficit sensitivo, há frequentemente dor irradiada seguindo o dermátomo, déficit motor (no caso de L4, fraqueza do quadríceps, diminuição do reflexo patelar) e sinal de Lasègue positivo quando há irritação radicular. Na meralgia, o quadro é exclusivamente sensitivo, restrito à face anterolateral da coxa, sem dor lombar e sem sinais radiculares. A banca explora exatamente essa confusão entre neuropatia periférica e radiculopatia.
Guarde o critério decisivo: topografia do sintoma + ausência de déficit motor → meralgia parestésica; dermátomo + déficit motor/reflexo → radiculopatia. É nessa fronteira que as alternativas se separam.
Meralgia parestésica: Nervo cutâneo femoral lateral (Puramente sensitivo, Face anterolateral da coxa); Fatores de risco (Gestação, Obesidade/ganho de peso, Cinto/roupa apertada); Quadro clínico (Parestesia/disestesia, Hipoestesia, Sem déficit motor); Diagnóstico (Clínico (topografia), Tratamento conservador)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A radiculopatia L4 comprometeria o dermátomo L4, que inclui a face medial da perna e do pé, e cursaria com fraqueza do quadríceps e hiporreflexia patelar — achados ausentes no caso. A paciente tem hipoestesia na face anterolateral da coxa, território do nervo cutâneo femoral lateral, não do dermátomo L4. Além disso, não há dor lombar irradiada nem sinal de Lasègue, comuns na irritação radicular.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A meralgia parestésica é a hipótese mais provável: disestesia e hipoestesia na face anterolateral da coxa, em gestante, sem déficit motor — quadro clássico de compressão do nervo cutâneo femoral lateral. A gestação é fator de risco conhecido, pelo ganho de peso e alterações posturais. O diagnóstico é clínico, pela distribuição sensitiva característica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A síndrome do túnel do tarso é uma neuropatia por compressão do nervo tibial posterior no tornozelo, causando dor e parestesia na planta do pé e nos dedos — não na coxa. Não há relação com o quadro apresentado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória crônica (PIDC) é uma neuropatia difusa e simétrica, com fraqueza muscular progressiva, hiporreflexia e comprometimento sensitivo em membros superiores e inferiores — não um déficit sensitivo isolado e unilateral. O quadro da paciente é mononeuropático, não polineuropático.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir a meralgia parestésica com a radiculopatia L4. A chave é lembrar que a meralgia é uma mononeuropatia sensitiva (nervo cutâneo femoral lateral), enquanto a radiculopatia L4 cursa com déficit motor (quadríceps) e reflexo patelar diminuído. Na dúvida, pergunte-se: há fraqueza? Se não, e a topografia é anterolateral da coxa, é meralgia.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela mental: Meralgia parestésica = face anterolateral da coxa, só sensitivo, gestação/obesidade/cinto apertado. Radiculopatia L4 = face medial da perna, fraqueza do quadríceps, reflexo patelar diminuído. Síndrome do túnel do tarso = planta do pé. PIDC = polineuropatia simétrica com fraqueza.