Questão de Medicina — Neurologia — FGV 2024
- Código
- fg095292
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Neurologista
- AOpioides.
- BDipirona.
- CParacetamol.
- DOxigênio a 100%.
GabaritoD — Oxigênio a 100%.
Gabarito: letra D. Na crise aguda de cefaleia em salva, o tratamento de primeira linha na emergência é a inalação de oxigênio a 100%, que pode debelar a crise rapidamente — conforme o Protocolo Nacional para Diagnóstico e Manejo das Cefaleias nas Unidades de Urgência do Brasil, da Academia Brasileira de Neurologia e da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Analgésicos comuns (dipirona, paracetamol) e opioides são ineficazes e não devem ser oferecidos nesse contexto.
A cefaleia em salva (cluster headache) é uma cefaleia trigeminoautonômica primária, caracterizada por crises de dor unilateral, orbitária/supraorbitária/temporal, de forte a fortíssima intensidade, com duração de 15 a 180 minutos, acompanhadas de sintomas autonômicos ipsilaterais (hiperemia conjuntival, lacrimejamento, congestão nasal, rinorreia, ptose, miose, sudorese facial). O paciente típico é homem, entre 20 e 40 anos, e as crises têm periodicidade circadiana — frequentemente despertam o paciente à noite, como no caso descrito. O álcool é um desencadeante clássico das crises durante o período de salva.
O tratamento da crise aguda tem dois pilares: oxigênio a 100% e triptanos (sumatriptano subcutâneo ou intranasal). O oxigênio é a opção mais acessível na emergência: administrado por máscara facial ou cânula nasal, em fluxo de 5 a 7 litros/minuto, por 5 a 15 minutos, é capaz de abortar a crise em grande parte dos pacientes. Os triptanos são a primeira escolha farmacológica, mas nem sempre estão disponíveis na unidade de emergência. Já os analgésicos comuns (AINEs, dipirona, paracetamol) e os opioides são ineficazes na cefaleia em salva — a dor é tão intensa e de mecanismo tão específico que essas drogas não resolvem, e o protocolo brasileiro expressamente orienta não oferecer paracetamol, AINEs e opioides.
A distinção que importa aqui é entre o tratamento da crise (abortivo) e o tratamento profilático. Na crise, usa-se oxigênio e triptanos. Na profilaxia, para pacientes com crises frequentes ou crônicas, usam-se verapamil, lítio, topiramato ou corticoide (prednisona 40 mg, com retirada gradual após 3 dias). A ergotamina também aparece como opção abortiva em alguns protocolos. A pegadinha da banca é justamente tentar o candidato com analgésicos comuns — que funcionam para migrânea e cefaleia tensional, mas não para a cefaleia em salva.
Guarde a fronteira: na cefaleia em salva, a dor é de altíssima intensidade e o tratamento da crise é específico (oxigênio + triptanos); analgésicos comuns e opioides são ineficazes. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Os opioides são ineficazes na cefaleia em salva e o protocolo brasileiro expressamente orienta não oferecer opioides. Além disso, o uso de opioides na emergência para cefaleia aguda é desencorajado pelo risco de dependência e pelo baixo benefício. A alternativa confunde o tratamento da dor intensa em geral com o tratamento específico da cefaleia em salva.
A dipirona é um analgésico comum, útil para cefaleias tensionais e migrâneas leves a moderadas, mas ineficaz na cefaleia em salva. A dor da salva é de fortíssima intensidade e não responde a analgésicos simples. O protocolo não a lista como opção para a crise.
O paracetamol (acetaminofeno) é explicitamente citado no protocolo como uma das drogas que não devem ser oferecidas na cefaleia em salva. Assim como a dipirona, é ineficaz para a dor de altíssima intensidade da crise. A alternativa tenta o candidato com o analgésico mais comum na prática clínica.
O oxigênio a 100% é o tratamento de primeira linha para a crise aguda de cefaleia em salva na emergência. Administrado por máscara facial ou cânula nasal, em fluxo de 5 a 7 litros/minuto por 5 a 15 minutos, é capaz de debelar a crise rapidamente, com NNT de 2 a 4. É a opção mais acessível, segura e eficaz disponível na unidade de emergência, e é exatamente o que o protocolo brasileiro recomenda.
Na prova, quando a questão descrever cefaleia unilateral de fortíssima intensidade com sintomas autonômicos ipsilaterais (hiperemia conjuntival, rinorreia, congestão nasal) e desencadeada por álcool, lembre-se: o tratamento da crise é oxigênio a 100% e triptanos. Analgésicos comuns e opioides são ineficazes — elimine essas alternativas primeiro. Para fixar, compare:
Tratamento | Indicação |
|---|---|
Oxigênio 100% (5-7 L/min, 5-15 min) | Crise aguda — 1ª linha na emergência |
Triptanos (sumatriptano SC/IN) | Crise aguda — 1ª linha farmacológica |
Ergotamina | Crise aguda — opção alternativa |
Verapamil, lítio, topiramato, corticoide | Profilaxia (crises frequentes/crônicas) |
AINEs, dipirona, paracetamol, opioides | Ineficazes — não oferecer |
Gabarito: letra D.
Link permanente: /questoes/fg095292