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Questão de Medicina — Neurologia — FGV 2024

MedicinaNeurologia
Código
fg095292
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Neurologista
Paciente masculino, 40 anos, apresenta há dois anos episódios noturnos de cefaleia retro-orbitária, excruciante, com duração entre 30 a 40 minutos, que podem se repetir em uma mesma noite. Estes episódios são desencadeados pela ingesta de bebidas alcóolicas e acompanhados de rinorreia, hiperemia conjuntival e congestão nasal. Foi realizada ressonância e angiorressonância magnética do crânio que não revelaram alterações. Procurou, então, cefaliatra que levantou a hipótese diagnóstica de cefaleia em salva.Segundo o Protocolo Nacional para Diagnóstico e Manejo das Cefaleias nas Unidades de Urgência do Brasil da Academia Brasileira de Neurologia – Departamento Científico de Cefaleia e Sociedade Brasileira de Cefaleia, assinale a opção que indica o que deve ser utilizado para o tratamento deste tipo de cefaleia, em uma Unidade de Emergência.
  1. AOpioides.
  2. BDipirona.
  3. CParacetamol.
  4. DOxigênio a 100%.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Oxigênio a 100%.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cefaleia em salva: tratamento da crise aguda na emergência

Gabarito: letra D. Na crise aguda de cefaleia em salva, o tratamento de primeira linha na emergência é a inalação de oxigênio a 100%, que pode debelar a crise rapidamente — conforme o Protocolo Nacional para Diagnóstico e Manejo das Cefaleias nas Unidades de Urgência do Brasil, da Academia Brasileira de Neurologia e da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Analgésicos comuns (dipirona, paracetamol) e opioides são ineficazes e não devem ser oferecidos nesse contexto.

A cefaleia em salva (cluster headache) é uma cefaleia trigeminoautonômica primária, caracterizada por crises de dor unilateral, orbitária/supraorbitária/temporal, de forte a fortíssima intensidade, com duração de 15 a 180 minutos, acompanhadas de sintomas autonômicos ipsilaterais (hiperemia conjuntival, lacrimejamento, congestão nasal, rinorreia, ptose, miose, sudorese facial). O paciente típico é homem, entre 20 e 40 anos, e as crises têm periodicidade circadiana — frequentemente despertam o paciente à noite, como no caso descrito. O álcool é um desencadeante clássico das crises durante o período de salva.

O tratamento da crise aguda tem dois pilares: oxigênio a 100% e triptanos (sumatriptano subcutâneo ou intranasal). O oxigênio é a opção mais acessível na emergência: administrado por máscara facial ou cânula nasal, em fluxo de 5 a 7 litros/minuto, por 5 a 15 minutos, é capaz de abortar a crise em grande parte dos pacientes. Os triptanos são a primeira escolha farmacológica, mas nem sempre estão disponíveis na unidade de emergência. Já os analgésicos comuns (AINEs, dipirona, paracetamol) e os opioides são ineficazes na cefaleia em salva — a dor é tão intensa e de mecanismo tão específico que essas drogas não resolvem, e o protocolo brasileiro expressamente orienta não oferecer paracetamol, AINEs e opioides.

A distinção que importa aqui é entre o tratamento da crise (abortivo) e o tratamento profilático. Na crise, usa-se oxigênio e triptanos. Na profilaxia, para pacientes com crises frequentes ou crônicas, usam-se verapamil, lítio, topiramato ou corticoide (prednisona 40 mg, com retirada gradual após 3 dias). A ergotamina também aparece como opção abortiva em alguns protocolos. A pegadinha da banca é justamente tentar o candidato com analgésicos comuns — que funcionam para migrânea e cefaleia tensional, mas não para a cefaleia em salva.

Guarde a fronteira: na cefaleia em salva, a dor é de altíssima intensidade e o tratamento da crise é específico (oxigênio + triptanos); analgésicos comuns e opioides são ineficazes. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

1Crise aguda (emergência)
Oxigênio 100% (5-7 L/min)
Triptanos (sumatriptano SC/IN)
Ergotamina (alternativa)
2Profilaxia
Verapamil
Lítio
Topiramato
Corticoide
3Ineficazes (não oferecer)
AINEs
Dipirona
Paracetamol
Opioides
Cefaleia em salva
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Cefaleia em salva: Crise aguda (emergência) (Oxigênio 100% (5-7 L/min), Triptanos (sumatriptano SC/IN), Ergotamina (alternativa)); Profilaxia (Verapamil, Lítio, Topiramato, Corticoide); Ineficazes (não oferecer) (AINEs, Dipirona, Paracetamol, Opioides)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Os opioides são ineficazes na cefaleia em salva e o protocolo brasileiro expressamente orienta não oferecer opioides. Além disso, o uso de opioides na emergência para cefaleia aguda é desencorajado pelo risco de dependência e pelo baixo benefício. A alternativa confunde o tratamento da dor intensa em geral com o tratamento específico da cefaleia em salva.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A dipirona é um analgésico comum, útil para cefaleias tensionais e migrâneas leves a moderadas, mas ineficaz na cefaleia em salva. A dor da salva é de fortíssima intensidade e não responde a analgésicos simples. O protocolo não a lista como opção para a crise.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O paracetamol (acetaminofeno) é explicitamente citado no protocolo como uma das drogas que não devem ser oferecidas na cefaleia em salva. Assim como a dipirona, é ineficaz para a dor de altíssima intensidade da crise. A alternativa tenta o candidato com o analgésico mais comum na prática clínica.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O oxigênio a 100% é o tratamento de primeira linha para a crise aguda de cefaleia em salva na emergência. Administrado por máscara facial ou cânula nasal, em fluxo de 5 a 7 litros/minuto por 5 a 15 minutos, é capaz de debelar a crise rapidamente, com NNT de 2 a 4. É a opção mais acessível, segura e eficaz disponível na unidade de emergência, e é exatamente o que o protocolo brasileiro recomenda.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, quando a questão descrever cefaleia unilateral de fortíssima intensidade com sintomas autonômicos ipsilaterais (hiperemia conjuntival, rinorreia, congestão nasal) e desencadeada por álcool, lembre-se: o tratamento da crise é oxigênio a 100% e triptanos. Analgésicos comuns e opioides são ineficazes — elimine essas alternativas primeiro. Para fixar, compare:

Tratamento

Indicação

Oxigênio 100% (5-7 L/min, 5-15 min)

Crise aguda — 1ª linha na emergência

Triptanos (sumatriptano SC/IN)

Crise aguda — 1ª linha farmacológica

Ergotamina

Crise aguda — opção alternativa

Verapamil, lítio, topiramato, corticoide

Profilaxia (crises frequentes/crônicas)

AINEs, dipirona, paracetamol, opioides

Ineficazes — não oferecer

Gabarito: letra D.

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