Questão de Medicina — Neurologia — FGV 2024
- Código
- fg095295
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Neurologista
- AS100.
- BKRIT1.
- CDe choque térmico.
- DReceptor para produtos finais de glicação avançada.
GabaritoB — KRIT1.
Gabarito: letra B. A forma familiar de malformação cavernosa cerebral (MCC) está associada a mutações no gene KRIT1 (CCM1), que codifica a proteína KRIT1 — a alternativa correta. As demais opções (S100, proteínas de choque térmico e receptor para produtos finais de glicação avançada) não têm relação estabelecida com a forma familiar dessa malformação vascular.
A malformação cavernosa cerebral (MCC), também chamada de cavernoma ou angioma cavernoso, é uma malformação vascular caracterizada por vasos sanguíneos dilatados e de paredes finas, sem tecido cerebral interposto, que podem sangrar e causar epilepsia, déficits neurológicos focais ou cefaleia. Ela ocorre em duas formas principais: a esporádica, que corresponde à grande maioria dos casos (cerca de 80-95%), geralmente com uma única lesão; e a familiar, que é autossômica dominante, caracteriza-se por múltiplas lesões e está associada a mutações em três genes principais: CCM1 (KRIT1), CCM2 (MGC4607/malcavernina) e CCM3 (PDCD10). O gene KRIT1 (Krev Interaction Trapped 1), localizado no cromossomo 7q, é o mais frequentemente mutado na forma familiar, sendo responsável por cerca de 40-50% dos casos familiares. A proteína KRIT1 participa da manutenção da integridade da barreira hematoencefálica e da sinalização celular; sua disfunção leva à formação das malformações vasculares.
Na prática clínica, quando um paciente apresenta múltiplos cavernomas à ressonância magnética e história familiar positiva, a hipótese de MCC familiar deve ser levantada, e o teste genético para os genes CCM1, CCM2 e CCM3 pode ser oferecido. A identificação da mutação tem implicações no aconselhamento genético e no rastreamento de familiares assintomáticos. A banca explora aqui o conhecimento específico da genética das malformações vasculares cerebrais, um tópico que exige memorização dos genes associados.
É importante distinguir a MCC de outras malformações vasculares, como a telangiectasia capilar e a malformação arteriovenosa (MAV), que têm etiologias e apresentações distintas. Enquanto a MAV é uma comunicação direta entre artéria e veia sem leito capilar, a MCC é um conjunto de vasos sinusoidais de baixo fluxo. A forma familiar da MCC é um exemplo clássico de doença monogênica autossômica dominante com penetrância incompleta e expressividade variável.
A pegadinha desta questão está em exigir do candidato o conhecimento de uma proteína específica associada a uma doença vascular cerebral, em vez de apenas reconhecer a doença. As alternativas incorretas são proteínas que existem e têm funções biológicas, mas não estão relacionadas à forma familiar de MCC. A S100 é uma proteína ligante de cálcio, marcadora de lesão astrocitária; as proteínas de choque térmico (HSP) são chaperonas moleculares; e o receptor para produtos finais de glicação avançada (RAGE) está envolvido em processos inflamatórios e na patogênese do diabetes. Nenhuma delas tem papel na gênese da MCC familiar.
Guarde a associação direta: forma familiar de MCC → gene CCM1 → proteína KRIT1. É esse elo que separa a alternativa correta das demais.
A proteína S100 é uma família de proteínas ligantes de cálcio, expressas principalmente em astrócitos e células de Schwann. É utilizada como marcador de lesão cerebral (S100B) e está relacionada a outras condições, como a doença de Creutzfeldt-Jakob, mas não tem relação com a malformação cavernosa cerebral familiar. A banca a inclui como distrator por ser uma proteína conhecida no contexto neurológico.
A proteína KRIT1, codificada pelo gene CCM1 (Krev Interaction Trapped 1), é a principal proteína associada à forma familiar de malformação cavernosa cerebral. Mutações nesse gene são responsáveis por cerca de 40-50% dos casos familiares, que seguem herança autossômica dominante e se manifestam com múltiplas lesões. A KRIT1 participa da manutenção da barreira hematoencefálica e da sinalização celular; sua disfunção leva à formação dos cavernomas.
As proteínas de choque térmico (HSPs) são chaperonas moleculares que auxiliam no dobramento de proteínas e na resposta ao estresse celular. Embora sejam expressas em diversos tecidos, não estão associadas à forma familiar de malformação cavernosa cerebral. A banca as inclui como distrator genérico, já que são proteínas amplamente conhecidas.
O receptor para produtos finais de glicação avançada (RAGE) é uma proteína de membrana envolvida em processos inflamatórios, na patogênese do diabetes e em doenças neurodegenerativas. Não tem relação com a malformação cavernosa cerebral familiar. A banca a inclui como distrator por ser uma proteína relevante em outras doenças, mas não nesta.
A banca explora a confusão entre proteínas conhecidas no contexto neurológico (S100, HSP, RAGE) e a proteína específica associada à MCC familiar. O candidato que não memorizou a genética da doença pode ser induzido a escolher uma proteína que já viu em outros contextos. A associação correta é: forma familiar de MCC → gene CCM1 → proteína KRIT1. Com treino, você reconhece essa associação de longe 💪.
Gabarito: letra B
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