O hemangioma infantil é o tumor benigno vascular mais comum na infância e está presente em 5 a 10% das crianças até 1 ano de vida. Os hemangiomas podem regredir espontaneamente durante a primeira década de vida, mas cerca de 10% das crianças irão precisar de tratamento.Assinale a opção que apresenta as potenciais ameaças à visão, induzidas pelos hemangiomas, e o tratamento de primeira escolha para estes 10% de crianças.
ACeratite de exposição, exoftalmia e estrabismo. Corticoterapia sistêmica.
BExoftalmia, estrabismo e ambliopia. Alfa Interferon.
CAstigmatismo, estrabismo e ambliopia. Betabloqueador não seletivo.
DEstrabismo, ambliopia e ceratite de exposição. Laser CO₂ associado aos betabloqueadores seletivos.
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GabaritoC — Astigmatismo, estrabismo e ambliopia. Betabloqueador não seletivo.
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Hemangioma infantil: ameaças à visão e tratamento de primeira linha
Gabarito: letra C. O hemangioma infantil periocular ameaça a visão principalmente por astigmatismo, estrabismo e ambliopia, e o tratamento de primeira escolha para os casos que necessitam de intervenção é o betabloqueador não seletivo (propranolol oral). A alternativa C é a única que combina corretamente as três complicações oculares mais relevantes com a terapia atualmente consagrada como padrão-ouro.
O hemangioma infantil é o tumor vascular benigno mais comum da infância, presente em cerca de 4% a 5% da população geral e em 10% a 12% das crianças avaliadas no primeiro ano de vida. A maioria das lesões não complica e regride espontaneamente, mas aproximadamente 10% exigem tratamento. Quando o hemangioma se localiza na região periocular ou orbitária, ele pode interferir diretamente no desenvolvimento visual, e é aí que entram as três ameaças clássicas: astigmatismo (pela compressão corneana ou indução de pressão sobre o globo), estrabismo (pelo desvio ocular secundário à lesão ou à restrição de motilidade) e ambliopia (pela privação ou pela anisometropia resultante). A ambliopia é a consequência funcional mais grave, pois, se não tratada precocemente, pode levar à perda visual permanente.
O tratamento de primeira linha para hemangiomas infantis que ameaçam a visão ou causam complicações é o propranolol oral, um betabloqueador não seletivo. A evidência é robusta: meta-análises demonstram que o propranolol oral tem a maior taxa de resposta (em torno de 95% a 98%) quando comparado a corticosteroides orais (cerca de 43%) e ao controle (6%). Além disso, estudos específicos em hemangiomas periorbitais mostram que o propranolol reduz o astigmatismo e a hiperopia, com menor incidência de ambliopia pós-tratamento em relação aos corticosteroides. O mecanismo de ação envolve a vasoconstrição, a inibição da angiogênese e a indução de apoptose das células endoteliais, promovendo a regressão acelerada da lesão.
A alternativa C é a correta porque lista exatamente as três complicações oculares mais frequentes e o tratamento de primeira escolha. As demais alternativas ou trocam as complicações por outras menos específicas (como ceratite de exposição, que é rara e geralmente associada a lesões muito volumosas) ou indicam tratamentos que não são de primeira linha (como alfa-interferon, reservado para casos refratários, ou laser, que é adjuvante).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as complicações oculares do hemangioma periocular. O candidato pode lembrar de ceratite de exposição (que ocorre em lesões gigantes com falha de oclusão palpebral) e esquecer que as três ameaças clássicas à visão são astigmatismo, estrabismo e ambliopia. Além disso, a banca troca o tratamento de primeira linha (propranolol, betabloqueador não seletivo) por opções como alfa-interferon ou laser, que são terapias de segunda linha ou adjuvantes. Fique atento: a palavra-chave é "não seletivo" — o propranolol bloqueia tanto β1 quanto β2, e é exatamente isso que o torna eficaz no hemangioma.
Hemangioma infantil periocular: Ameaças à visão (Astigmatismo, Estrabismo, Ambliopia); Tratamento de 1ª linha (Betabloqueador não seletivo (propranolol oral)); Tratamentos de 2ª linha (Corticoterapia sistêmica, Alfa-interferon, Laser CO₂ (adjuvante))
Alternativa A — ❌ Incorreta
A ceratite de exposição é uma complicação possível, mas não está entre as três ameaças clássicas à visão induzidas por hemangiomas perioculares. Ela ocorre em casos de lesões muito volumosas que impedem a oclusão palpebral, mas é menos frequente e não é listada como a tríade típica. Além disso, a corticoterapia sistêmica foi o tratamento padrão antes do propranolol, mas hoje é considerada de segunda linha, com menor eficácia e mais efeitos adversos. O erro aqui é duplo: complicações incompletas e tratamento desatualizado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A exoftalmia pode ocorrer quando o hemangioma se estende para a órbita, mas não é uma das três ameaças visuais mais comuns. O alfa-interferon é um tratamento reservado para casos refratários aos betabloqueadores e corticosteroides, devido aos seus efeitos adversos significativos (febre, neutropenia, risco de diplegia espástica em lactentes). Não é a primeira escolha. A alternativa erra ao incluir exoftalmia e indicar uma terapia de segunda linha.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Astigmatismo, estrabismo e ambliopia são exatamente as três complicações oculares mais frequentes dos hemangiomas perioculares. O astigmatismo é induzido pela compressão corneana; o estrabismo pode ser consequência da lesão ou da ambliopia; e a ambliopia é a perda funcional mais grave, por privação ou anisometropia. O tratamento de primeira escolha é o betabloqueador não seletivo, ou seja, o propranolol oral, que tem eficácia comprovada em reduzir o tamanho da lesão e melhorar os desfechos visuais. A combinação está perfeita.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A ceratite de exposição não faz parte da tríade clássica, e o laser CO₂ não é tratamento de primeira linha. O laser pode ser usado como adjuvante em casos selecionados (por exemplo, lesões ulceradas ou residuais), mas não substitui o propranolol. Além disso, a alternativa menciona "betabloqueadores seletivos", o que é um erro conceitual: o propranolol é não seletivo, e é essa característica que o torna eficaz. A combinação de laser com betabloqueador seletivo não corresponde à prática padrão.