Questão de Medicina — Oftalmologia — FGV 2024
- Código
- fg095374
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Oftalmologista
- Atécnica de Hughes.
- Btécnica de Mustardé.
- Ctécnica de Tenzel.
- Dtécnica de Cutler-Beard.
GabaritoA — técnica de Hughes.
Gabarito: letra A. O texto descreve a técnica de Hughes, que consiste em um retalho de avanço tarsoconjuntival da pálpebra superior para reconstruir a lamela posterior da pálpebra inferior em defeitos extensos (mais de 50% da extensão horizontal), sendo realizada em dois tempos cirúrgicos. As demais técnicas (Mustardé, Tenzel, Cutler-Beard) têm indicações e mecanismos distintos, como veremos.
A reconstrução palpebral é um desafio cirúrgico que exige restaurar tanto a função (proteção ocular, lubrificação) quanto a estética. As pálpebras são estruturas laminadas: a lamela anterior (pele e músculo orbicular) e a lamela posterior (tarso e conjuntiva). Quando um defeito compromete a espessura total, é preciso reconstruir ambas as lâminas. A escolha da técnica depende de fatores como tamanho, localização, profundidade e extensão do defeito.
A técnica de Hughes é clássica para defeitos extensos da pálpebra inferior (mais de 50% da extensão horizontal). Ela utiliza um retalho de avanço tarsoconjuntival da pálpebra superior, que é suturado ao defeito da pálpebra inferior, reconstruindo a lamela posterior. O retalho permanece vascularizado pela pálpebra superior e, após um período de cicatrização (geralmente 2 a 3 semanas), é realizada a segunda etapa cirúrgica para separar as pálpebras (divisão do retalho). Essa técnica é indicada quando o defeito é mais longo que profundo, como descrito no enunciado.
Para entender a diferença entre as técnicas, é essencial conhecer as principais opções de reconstrução palpebral:
Técnica | Mecanismo | Indicação principal |
|---|---|---|
Hughes | Retalho tarsoconjuntival de avanço da pálpebra superior | Defeitos extensos (>50%) da pálpebra inferior, mais longos que profundos; dois tempos cirúrgicos |
Mustardé | Retalho de avanço da bochecha (pele e tecido subcutâneo) | Defeitos extensos da pálpebra inferior, com perda de lamela anterior; pode ser combinado com enxerto de cartilagem |
Tenzel | Retalho semicircular de pele e músculo da região temporal | Defeitos de até 50% da pálpebra inferior ou superior, com boa vascularização |
Cutler-Beard | Retalho de espessura total da pálpebra inferior (pele, músculo e conjuntiva) avançado sob a ponte da pálpebra inferior | Defeitos extensos da pálpebra superior, em dois tempos cirúrgicos |
A técnica de Mustardé é frequentemente confundida com a de Hughes, pois ambas são usadas para defeitos extensos da pálpebra inferior. No entanto, Mustardé utiliza um retalho de avanço da bochecha (pele e tecido subcutâneo) para reconstruir a lamela anterior, enquanto a lamela posterior é reconstruída com enxerto de cartilagem ou retalho de Hughes. Já a técnica de Tenzel é indicada para defeitos de até 50% da pálpebra, utilizando um retalho semicircular de pele e músculo da região temporal, sem necessidade de dois tempos cirúrgicos. A técnica de Cutler-Beard é usada para defeitos extensos da pálpebra superior, com retalho de espessura total da pálpebra inferior avançado sob uma ponte, também em dois tempos.
A pegadinha da questão está em reconhecer que o texto descreve especificamente o retalho tarsoconjuntival da pálpebra superior para reconstruir a lamela posterior da pálpebra inferior, com dois tempos cirúrgicos — características exclusivas da técnica de Hughes. As outras técnicas têm mecanismos diferentes, como avanço de bochecha (Mustardé), retalho semicircular (Tenzel) ou retalho de espessura total da pálpebra inferior (Cutler-Beard).
A técnica de Hughes é exatamente a descrita: retalho de avanço tarsoconjuntival da pálpebra superior para reconstruir a lamela posterior da pálpebra inferior, indicada para defeitos extensos (>50% da extensão horizontal), mais longos que profundos, e realizada em dois tempos cirúrgicos. O primeiro tempo confecciona o retalho e o sutura ao defeito; o segundo tempo divide o retalho, separando as pálpebras. Essa é a técnica clássica para reconstrução da pálpebra inferior com essas características.
A técnica de Mustardé utiliza um retalho de avanço da bochecha (pele e tecido subcutâneo) para reconstruir a lamela anterior da pálpebra inferior, frequentemente combinado com enxerto de cartilagem para a lamela posterior. Não se trata de um retalho tarsoconjuntival da pálpebra superior, e não é realizada em dois tempos cirúrgicos. O erro está em confundir o mecanismo: Mustardé avança tecido da bochecha, não da pálpebra superior.
A técnica de Tenzel é indicada para defeitos de até 50% da extensão horizontal da pálpebra, utilizando um retalho semicircular de pele e músculo da região temporal. Não envolve retalho tarsoconjuntival da pálpebra superior, nem dois tempos cirúrgicos. O erro está em associar uma técnica de menor porte a um defeito extenso (>50%) como descrito no enunciado.
A técnica de Cutler-Beard é utilizada para reconstrução de defeitos extensos da pálpebra superior, não da inferior. Ela utiliza um retalho de espessura total da pálpebra inferior (pele, músculo e conjuntiva) que é avançado sob uma ponte da pálpebra inferior para reconstruir a pálpebra superior, também em dois tempos. O erro está na inversão: o retalho é da pálpebra inferior para a superior, e não o contrário como descrito no texto.
A banca descreve a técnica de Hughes e oferece como distratores outras técnicas de reconstrução palpebral que têm indicações e mecanismos diferentes. O candidato pode confundir Hughes com Mustardé (ambas para defeitos extensos da pálpebra inferior) ou com Cutler-Beard (ambas em dois tempos). A chave é identificar o retalho tarsoconjuntival da pálpebra superior — exclusivo da técnica de Hughes. Com treino, você reconhece essas diferenças de longe 💪
Gabarito: letra A
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