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Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2024

MedicinaOncologia
Código
fg095406
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Oncologista
Homem de 48 anos, hipertenso, diabético, obeso e tabagista de 16 maços-ano está preocupado porque seu irmão de 60 anos foi recém-diagnosticado com adenocarcinoma de pulmão metastático. O paciente não apresenta nenhum antecedente de exposição ocupacional e não existem outros antecedentes familiares oncológicos.A orientação sobre fatores de risco para câncer de pulmão deve abranger as seguintes informações:
  1. AApresenta tabagismo e antecedente familiar como principais fatores de risco. A obesidade é relacionada a aumento de risco, porém de forma controversa. Deve ser direcionado para programa de interrupção de tabagismo e orientado para rastreamento quando alcançar a faixa etária apropriada (55 anos), independentemente da interrupção do hábito.
  2. BO tabagismo e antecedente familiar são seus principais fatores de risco. A obesidade é relacionada a aumento de risco, porém de forma controversa. Deve ser direcionado para programa de interrupção de tabagismo e orientado para rastreamento quando alcançar a faixa etária apropriada (55 anos) e caso não interrompa o hábito.
  3. CSeu único fator de risco é o tabagismo. Antecedente familiar e obesidade não se relacionam ao risco de câncer de pulmão. Deve ser direcionado para programa de interrupção de tabagismo e orientado para rastreamento de câncer de pulmão quando alcançar a faixa etária apropriada (55 anos) e caso não interrompa o hábito.
  4. DPossui o tabagismo como único fator de risco. A obesidade e antecedente familiar não se relacionam ao risco de câncer de pulmão. Deve ser direcionado para programa de interrupção de tabagismo e orientado para o rastreamento quando alcançar a faixa etária apropriada (55 anos), independentemente da interrupção do hábito.
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GabaritoB — O tabagismo e antecedente familiar são seus principais fatores de risco. A obesidade é relacionada a aumento de risco, porém de forma controversa. Deve ser direcionado para programa de interrupção de tabagismo e orientado para rastreamento quando alcançar a faixa etária apropriada (55 anos) e caso não interrompa o hábito.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de pulmão: fatores de risco e rastreamento

Gabarito: letra B. O tabagismo é o principal fator de risco para câncer de pulmão, e o antecedente familiar em parente de primeiro grau também é reconhecido; a obesidade tem associação controversa. O rastreamento com TC de baixa dose é indicado para fumantes atuais ou ex-fumantes que pararam há menos de 15 anos, entre 55 e 80 anos, com carga tabágica de 30 maços-ano — ou seja, depende da não interrupção do hábito (ou da interrupção recente), conforme a recomendação da USPSTF.

O câncer de pulmão é a neoplasia que mais mata no mundo, e o tabagismo é, de longe, o seu principal fator de risco. A relação é dose-dependente: quanto maior o número de maços-ano, maior o risco. O paciente do caso tem 16 maços-ano (1 maço/dia × 16 anos), o que ainda não atinge o critério de rastreamento, mas o tabagismo ativo já o coloca em risco aumentado. O antecedente familiar de câncer de pulmão em parente de primeiro grau também é um fator de risco reconhecido, especialmente quando o diagnóstico ocorre em idade mais jovem. Já a obesidade, embora seja um fator de risco para diversos outros cânceres (endométrio, mama pós-menopausa, rim, pâncreas, esôfago, cólon), tem associação com câncer de pulmão considerada controversa na literatura — diferente do que ocorre com o adenocarcinoma de esôfago, por exemplo, em que a obesidade central é fator bem estabelecido.

O rastreamento do câncer de pulmão é um dos pontos mais cobrados e mais sujeitos a pegadinhas. A recomendação da USPSTF é clara: rastreamento anual com TC de baixa dose em adultos de 55 a 80 anos que sejam fumantes atuais ou ex-fumantes que pararam há menos de 15 anos, com histórico de 30 maços-ano. Isso significa que o rastreamento não é indicado para quem parou de fumar há mais de 15 anos — a interrupção do hábito por longo período reduz o risco a ponto de não justificar o rastreamento. No caso do paciente, ele tem 48 anos, ainda não atingiu a faixa etária de rastreamento, mas deve ser orientado a parar de fumar e, quando completar 55 anos, será elegível se continuar fumando ou se tiver parado há menos de 15 anos.

A distinção crucial que a banca explora é entre "independentemente da interrupção do hábito" e "caso não interrompa o hábito". A primeira frase sugere que o rastreamento seria indicado mesmo para quem parou de fumar há muito tempo, o que contraria a recomendação. A segunda frase está correta: o rastreamento é para fumantes atuais ou ex-fumantes recentes (parados há menos de 15 anos). O paciente, aos 48 anos, ainda não é elegível, mas quando completar 55 anos, se continuar fumando, será elegível; se parar agora e permanecer abstinente por mais de 15 anos, não será elegível.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a condição do rastreamento: "independentemente da interrupção do hábito" (errado) versus "caso não interrompa o hábito" (certo). O candidato que decora a faixa etária (55 anos) e a carga tabágica (30 maços-ano) mas não fixa o critério temporal da interrupção cai na alternativa A. Lembre-se: o rastreamento é para fumantes atuais ou ex-fumantes que pararam há menos de 15 anos — quem parou há mais tempo não se beneficia do rastreamento.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O erro está na frase final: "orientado para rastreamento quando alcançar a faixa etária apropriada (55 anos), independentemente da interrupção do hábito". Isso contraria a recomendação da USPSTF, que exige que o paciente seja fumante atual ou ex-fumante que parou há menos de 15 anos. Se o paciente parar de fumar agora e permanecer abstinente por mais de 15 anos, ao completar 55 anos ele não será elegível para rastreamento. A alternativa A está correta na primeira parte (tabagismo e antecedente familiar como principais fatores, obesidade controversa), mas erra justamente no critério temporal do rastreamento.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B acerta todos os pontos: (1) tabagismo e antecedente familiar como principais fatores de risco; (2) obesidade com associação controversa; (3) encaminhamento para programa de interrupção do tabagismo; (4) rastreamento quando alcançar 55 anos e caso não interrompa o hábito — ou seja, se continuar fumando ou se parar há menos de 15 anos. Essa é exatamente a recomendação da USPSTF: rastreamento anual com TC de baixa dose para fumantes atuais ou ex-fumantes recentes, entre 55 e 80 anos, com 30 maços-ano de carga tabágica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que "Seu único fator de risco é o tabagismo. Antecedente familiar e obesidade não se relacionam ao risco de câncer de pulmão". Isso é falso: o antecedente familiar de câncer de pulmão em parente de primeiro grau é um fator de risco reconhecido, mesmo que o paciente não tenha outras exposições. A obesidade, embora controversa, não pode ser descartada como fator de risco — a literatura aponta associação, ainda que não tão forte quanto para outros cânceres. Além disso, a alternativa C erra ao dizer que o rastreamento é indicado "caso não interrompa o hábito" — na verdade, o rastreamento é para fumantes atuais ou ex-fumantes recentes, então a frase está correta nesse ponto, mas o erro nos fatores de risco já a invalida.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D repete o erro da C ao afirmar que "Possui o tabagismo como único fator de risco. A obesidade e antecedente familiar não se relacionam ao risco de câncer de pulmão". Além disso, erra na parte final: "orientado para o rastreamento quando alcançar a faixa etária apropriada (55 anos), independentemente da interrupção do hábito". Esse é o mesmo erro da alternativa A: o rastreamento não é indicado para quem parou de fumar há mais de 15 anos. A alternativa D acumula dois erros: nega fatores de risco reconhecidos e erra o critério temporal do rastreamento.

Gabarito: letra B — a única que combina corretamente os fatores de risco (tabagismo e antecedente familiar como principais, obesidade controversa) com o critério correto do rastreamento (caso não interrompa o hábito).

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