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Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2024

MedicinaOncologia
Código
fg095427
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Oncologista
Paciente do sexo masculino, de 51 anos, obeso e ex-tabagista, procura gastroenterologista devido a dores epigástricas e fezes enegrecidas há aproximadamente 1 mês. Após endoscopia digestiva alta, que visualizou lesão ulcerada, friável, com bordos elevados em antro gástrico, foi realizada biópsia da lesão, com o resultado de adenocarcinoma pouco diferenciado com células em anel de sinete.Com relação ao estadiamento, assinale a opção correta.
  1. AA ultrassonografia endoscópica deve ser realizada em todos os pacientes para melhor caracterização da doença locorregional.
  2. BA principal indicação de ultrassonografia endoscópica se faz para avaliação de tumores iniciais candidatos a tratamento cirúrgico ou endoscópico exclusivo, visando a descartar possibilidade de subestadiamento e consequente tratamento inadequado.
  3. CA laparoscopia com lavado peritoneal deve ser realizada no estadiamento dos tumores de JEG e estômago localmente avançados, entretanto, raramente modificam o estadiamento.
  4. DO PET-TC tem tido cada vez mais importância no estadiamento dos tumores gastroesofágicos, uma vez que possuem alta sensibilidade para detecção de linfonodos regionais.
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GabaritoB — A principal indicação de ultrassonografia endoscópica se faz para avaliação de tumores iniciais candidatos a tratamento cirúrgico ou endoscópico exclusivo, visando a descartar possibilidade de subestadiamento e consequente tratamento inadequado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estadiamento do adenocarcinoma gástrico: papel da ultrassonografia endoscópica

Gabarito: letra B. A ultrassonografia endoscópica (USE) é o método de escolha para avaliar a profundidade de invasão (T) e o comprometimento linfonodal locorregional (N) em tumores gástricos iniciais, sendo fundamental para selecionar pacientes candidatos a tratamento cirúrgico ou endoscópico exclusivo, evitando subestadiamento e tratamento inadequado. As demais alternativas apresentam imprecisões sobre as indicações e a acurácia dos métodos de estadiamento.

O estadiamento do câncer gástrico segue o sistema TNM, que avalia a profundidade de invasão tumoral (T), o comprometimento de linfonodos regionais (N) e a presença de metástases à distância (M). A escolha do método de imagem depende do objetivo: a tomografia computadorizada (TC) é o exame padrão para avaliar doença metastática à distância, enquanto a ultrassonografia endoscópica (USE) é o método mais preciso para avaliar a invasão local (T) e linfonodos regionais (N). A USE permite visualizar as camadas da parede gástrica e identificar a profundidade de invasão tumoral, além de permitir a punção aspirativa por agulha fina (PAAF) de linfonodos suspeitos. No entanto, a USE não é indicada para todos os pacientes, pois sua principal utilidade está nos tumores iniciais, onde a decisão entre ressecção endoscópica e cirurgia radical depende da avaliação precisa da profundidade de invasão. Em tumores avançados, a TC e a laparoscopia com lavado peritoneal são mais relevantes para avaliar doença metastática e carcinomatose peritoneal.

A laparoscopia com lavado peritoneal é indicada em tumores localmente avançados (T3/T4) ou com linfonodos suspeitos, pois permite detectar metástases peritoneais e citologia positiva no lavado peritoneal, que não são visíveis na TC. A positividade da citologia peritoneal é um fator prognóstico importante e pode modificar o estadiamento, classificando o paciente como M1 (doença metastática) mesmo sem metástases visíveis. Portanto, a afirmação de que a laparoscopia raramente modifica o estadiamento é incorreta, pois ela pode alterar a conduta terapêutica em uma parcela significativa dos pacientes. O PET-TC, por sua vez, tem sensibilidade limitada para detecção de linfonodos regionais, especialmente em tumores gástricos, devido à alta captação fisiológica de FDG na mucosa gástrica e à baixa resolução espacial para pequenos linfonodos. Sua principal utilidade está na detecção de metástases à distância e na avaliação de resposta ao tratamento, não na avaliação locorregional.

A questão aborda um adenocarcinoma pouco diferenciado com células em anel de sinete, um subtipo histológico agressivo, frequentemente associado a doença avançada no diagnóstico. Nesse contexto, a USE é particularmente útil para avaliar a profundidade de invasão e a presença de linfonodos regionais, auxiliando na decisão terapêutica. A alternativa B está correta ao afirmar que a principal indicação da USE é a avaliação de tumores iniciais candidatos a tratamento cirúrgico ou endoscópico exclusivo, visando descartar subestadiamento e tratamento inadequado. Essa é a aplicação clínica mais relevante da USE no estadiamento do câncer gástrico.

Estadiamento do câncer gástrico (TNM)
  • 1TC
    • Metástases à distância (M)
  • 2USE
    • Invasão local (T) e linfonodos (N)
    • Tumores iniciais (T1/T2)
      • decisão: cirurgia × endoscopia
  • 3Laparoscopia + lavado peritoneal
    • Tumores avançados (T3/T4)
    • Citologia positiva → M1
  • 4PET-TC
    • Baixa sensibilidade p/ linfonodos regionais
    • Metástases à distância e resposta ao tratamento
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A afirmação de que a ultrassonografia endoscópica deve ser realizada em todos os pacientes é incorreta. A USE é um exame invasivo, com custo e riscos associados, e sua principal indicação é a avaliação de tumores iniciais (T1/T2) para decisão terapêutica. Em tumores avançados, a TC e a laparoscopia são mais relevantes para avaliar doença metastática. A USE não é necessária em todos os pacientes, apenas naqueles em que a avaliação locorregional pode mudar a conduta.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B está correta ao afirmar que a principal indicação da ultrassonografia endoscópica é a avaliação de tumores iniciais candidatos a tratamento cirúrgico ou endoscópico exclusivo. A USE permite avaliar com precisão a profundidade de invasão (T) e o comprometimento linfonodal (N), sendo essencial para evitar subestadiamento e tratamento inadequado. Em tumores iniciais, a decisão entre ressecção endoscópica e cirurgia radical depende da avaliação precisa da invasão da submucosa, e a USE é o método de escolha para essa avaliação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que a laparoscopia com lavado peritoneal raramente modifica o estadiamento, o que é incorreto. A laparoscopia com lavado peritoneal é indicada em tumores localmente avançados (T3/T4) e pode detectar metástases peritoneais e citologia positiva, que modificam o estadiamento para M1 e alteram a conduta terapêutica. A positividade da citologia peritoneal é um fator prognóstico importante e pode mudar a abordagem de ressecção curativa para paliativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que o PET-TC tem alta sensibilidade para detecção de linfonodos regionais, o que é incorreto. O PET-TC tem sensibilidade limitada para linfonodos regionais em tumores gástricos, devido à alta captação fisiológica de FDG na mucosa gástrica e à baixa resolução espacial para pequenos linfonodos. Sua principal utilidade está na detecção de metástases à distância e na avaliação de resposta ao tratamento, não na avaliação locorregional.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as indicações da USE e da laparoscopia. O candidato pode pensar que a USE é indicada para todos os pacientes ou que a laparoscopia raramente modifica o estadiamento, mas a USE é específica para tumores iniciais e a laparoscopia é importante em tumores avançados para detectar doença peritoneal oculta.

Gabarito: letra B

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