Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — FGV 2024
- Código
- fg095455
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Ortopedista e Traumatologista
- ATorode II A.
- BTorode III A.
- CTorode III B.
- DTorode IV.
GabaritoC — Torode III B.
Gabarito: letra C. A fratura anterior e posterior do anel pélvico, estável, em criança, corresponde ao tipo III B da classificação de Torode e Zieg modificada. O tipo III engloba as fraturas do anel pélvico estáveis, e a subdivisão B caracteriza justamente o comprometimento simultâneo dos anéis anterior e posterior, como descrito no enunciado.
A classificação de Torode e Zieg (1985) é a mais utilizada para fraturas da cintura pélvica em crianças, justamente por considerar o padrão de lesão e a estabilidade do anel pélvico, que são os fatores que determinam a conduta. Ela divide as lesões em quatro tipos principais: Tipo I (fraturas por avulsão), Tipo II (fraturas da asa do ilíaco), Tipo III (fraturas do anel pélvico estáveis) e Tipo IV (fraturas do anel pélvico instáveis). A modificação mais aceita subdivide o tipo III em III A (fratura apenas do anel anterior) e III B (fratura dos anéis anterior e posterior, porém estáveis).
O ponto central para resolver a questão é entender o que define cada tipo e, principalmente, a diferença entre os subtipos III A e III B. O tipo III A envolve apenas o anel anterior (ramos púbicos, por exemplo), enquanto o tipo III B envolve tanto o anel anterior quanto o posterior (sacro, articulação sacroilíaca), mas sem instabilidade. No caso apresentado, a criança tem fratura anterior E posterior do anel pélvico, estáveis — exatamente a definição do tipo III B.
É importante não confundir com a classificação de Tile, mais usada em adultos, que divide as fraturas em A (estáveis), B (parcialmente estáveis) e C (instáveis). Também não se deve confundir com a classificação de Key e Conwells, que tem outra lógica de divisão. A banca explora justamente essa confusão entre sistemas de classificação e entre os subtipos do tipo III.
Na prática, o reconhecimento do tipo de fratura guia o tratamento: fraturas estáveis (tipos I, II e III) geralmente são tratadas de forma conservadora, com repouso e analgesia, enquanto as instáveis (tipo IV) podem exigir intervenção cirúrgica. No caso da criança do enunciado, por ser uma fratura estável, o tratamento conservador é a regra.
Guarde a distinção entre os subtipos III A e III B: é exatamente nela que as alternativas se dividem. O tipo III A compromete apenas o anel anterior; o tipo III B compromete os anéis anterior e posterior, ambos estáveis.
Tipo (Torode e Zieg) | Descrição | Estabilidade | Envolvimento do anel pélvico |
|---|---|---|---|
Tipo I | Fratura por avulsão | Estável | Não se aplica |
Tipo II | Fratura da asa do ilíaco | Estável | Não se aplica |
Tipo III A | Fratura do anel pélvico | Estável | Apenas anel anterior |
Tipo III B | Fratura do anel pélvico | Estável | Anterior e posterior |
Tipo IV | Fratura do anel pélvico | Instável | Anterior e/ou posterior |
O tipo II da classificação de Torode e Zieg corresponde à fratura da asa do ilíaco, não ao comprometimento do anel pélvico. A alternativa erra ao classificar uma lesão que envolve os anéis anterior e posterior como tipo II, que é uma lesão mais simples e sem envolvimento do anel.
O tipo III A corresponde à fratura do anel pélvico estável que compromete apenas o anel anterior. Como o enunciado descreve fratura anterior E posterior, o subtipo correto é o III B, não o III A. A alternativa confunde a extensão da lesão: III A é lesão isolada do anel anterior.
O tipo III B da classificação de Torode e Zieg modificada é exatamente a fratura do anel pélvico estável que compromete os anéis anterior e posterior. O enunciado descreve "fratura anterior e posterior do anel pélvico, estáveis", o que se encaixa perfeitamente nessa definição. É a alternativa que corresponde com precisão ao caso clínico.
O tipo IV da classificação de Torode e Zieg corresponde à fratura do anel pélvico instável. O enunciado afirma explicitamente que a fratura é estável, o que exclui o tipo IV. A alternativa erra ao classificar uma lesão estável como instável, invertendo o critério de estabilidade que define o tipo.
A banca explora a confusão entre os subtipos III A e III B. O candidato que memoriza apenas que "tipo III é anel pélvico estável" pode marcar a alternativa B (III A) sem perceber que o enunciado descreve comprometimento dos dois anéis (anterior e posterior), o que exige o subtipo B. A palavra-chave é "anterior e posterior" — ela decide entre III A e III B.
Para fixar a classificação de Torode e Zieg, monte uma tabela mental: Tipo I (avulsão), Tipo II (asa do ilíaco), Tipo III (anel estável — III A: só anterior; III B: anterior e posterior), Tipo IV (anel instável). Na prova, leia o enunciado procurando as palavras "estável" ou "instável" e "anterior" e/ou "posterior" — elas apontam diretamente para o tipo e subtipo corretos.
Gabarito: letra C
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