Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — FGV 2024
- Código
- fg095461
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Ortopedista e Traumatologista
- AI, II e III.
- BI e II, apenas.
- CI e III, apenas.
- DII e III, apenas.
GabaritoD — II e III, apenas.
Gabarito: letra D. As afecções que apresentam imagem de frasco de Erlenmeyer são a Doença de Gaucher (II) e a Osteopetrose (III), mas não o Raquitismo (I). O alargamento metafisário em "frasco de Erlenmeyer" é um achado radiológico clássico de doenças que cursam com acúmulo de material não remodelado nas metáfises — como na osteopetrose (falha na reabsorção osteoclástica) e na doença de Gaucher (infiltração por células de Gaucher) — enquanto o raquitismo cursa com alargamento metafisário em forma de taça com escova, não em frasco de Erlenmeyer.
O sinal radiológico do "frasco de Erlenmeyer" descreve o alargamento das metáfises dos ossos longos, que passam a ter um contorno que lembra o frasco de laboratório homônimo (colo estreito na diáfise e corpo alargado na metáfise). Esse padrão ocorre quando há falha na modelagem óssea (bone modeling) — o processo pelo qual a metáfise é esculpida e afunilada durante o crescimento — ou quando há infiltração patológica que impede a remodelação normal. É um sinal inespecífico, mas com forte associação a um grupo restrito de doenças.
Na osteopetrose ("doença do osso de mármore"), o defeito está nos osteoclastos, que não reabsorvem o osso primário e a cartilagem calcificada. O resultado é um osso esclerótico, frágil, com aspecto de "osso dentro de osso" e alargamento das metáfises — exatamente a deformidade em frasco de Erlenmeyer. Já na doença de Gaucher, a deficiência da enzima glicocerebrosidase leva ao acúmulo de glicocerebrosídeo em macrófagos (células de Gaucher), que se infiltram na medula óssea e nos ossos, causando alargamento metafisário (frasco de Erlenmeyer), além de infartos ósseos, osteonecrose e fraturas patológicas.
O raquitismo, por sua vez, é uma doença da mineralização da matriz osteoide (deficiência de vitamina D, cálcio ou fósforo). O osso não mineraliza, fica "macio" (osteomalácia no adulto) e as metáfises se alargam por acúmulo de osteoide não mineralizado, mas o aspecto radiológico típico é o de metáfise em taça (cálice) com alargamento e irregularidade, descrita como "em escova" ou "em franja" — não em frasco de Erlenmeyer. Essa distinção é a chave da questão: ambos alargam a metáfise, mas com morfologias diferentes.
A banca explora exatamente a confusão entre o alargamento metafisário do raquitismo (em taça/escova) e o da osteopetrose/doença de Gaucher (em frasco de Erlenmeyer). Guarde o par: frasco de Erlenmeyer = falha de modelagem/remodelação (osteopetrose, Gaucher, displasia metafisária, talassemia, anemia falciforme) vs. metáfise em taça/escova = raquitismo. É esse critério morfológico que separa as alternativas.
Afecção | Imagem de frasco de Erlenmeyer? | Achado radiológico típico |
|---|---|---|
I. Raquitismo | ❌ Não | Metáfise em taça/cálice com bordas irregulares e aspecto de escova |
II. Doença de Gaucher | ✅ Sim | Alargamento metafisário (frasco de Erlenmeyer), infartos ósseos, osteonecrose |
III. Osteopetrose | ✅ Sim | Alargamento metafisário (frasco de Erlenmeyer), esclerose óssea difusa, "osso dentro de osso" |
O raquitismo não apresenta imagem de frasco de Erlenmeyer. O achado radiológico clássico é a metáfise alargada em forma de taça (cálice), com bordas irregulares e aspecto de escova ("rachitic rosary" no tórax, "cupping and fraying" nas metáfises). O alargamento existe, mas com morfologia diferente — a banca troca o padrão morfológico para induzir ao erro.
A doença de Gaucher apresenta imagem de frasco de Erlenmeyer. A infiltração da medula óssea por células de Gaucher compromete a modelagem óssea e causa alargamento metafisário dos ossos longos (fêmur distal, tíbia proximal), com o aspecto radiológico típico de frasco de Erlenmeyer. Além disso, pode haver infartos ósseos, osteonecrose (cabeça femoral) e fraturas patológicas.
A osteopetrose apresenta imagem de frasco de Erlenmeyer. A falha na reabsorção osteoclástica impede a remodelação da metáfise, que permanece alargada — o achado radiológico é o alargamento metafisário em frasco de Erlenmeyer, acompanhado de esclerose óssea difusa, aspecto de "osso dentro de osso", vértebras em "camisa de rúgbi" e espessamento da calvária e base do crânio.
A banca explora a confusão entre o alargamento metafisário do raquitismo (em taça/escova) e o da osteopetrose/doença de Gaucher (em frasco de Erlenmeyer). O raquitismo alarga a metáfise por acúmulo de osteoide não mineralizado, mas com morfologia diferente — não é frasco de Erlenmeyer. Com treino, você reconhece o padrão morfológico de longe 💪.
Para memorizar: "Erlenmeyer" = falha de modelagem/remodelação (osteopetrose, Gaucher, displasia metafisária, talassemia, anemia falciforme); "taça/escova" = raquitismo (mineralização deficiente). Associe o frasco de laboratório à "falha de esculpir" o osso.
Gabarito: letra D — corretos os itens II e III.
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