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Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — FGV 2024

MedicinaOtorrinolaringologia
Código
fg095484
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Otorrinolaringologista
Sobre a neurite vestibular é correto afirmar que
  1. Asintomas auditivos, como zumbidos e hipoacusia estão sempre presentes.
  2. Bhá a presença de desvio do olhar de skew.
  3. Chá nistagmo espontâneo e semi-espontâneo horizontal com fase rápida em direção ao lado saudável.
  4. Da sintomatologia é insidiosa com vertigens posturais inespecíficas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — há nistagmo espontâneo e semi-espontâneo horizontal com fase rápida em direção ao lado saudável.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Neurite vestibular: quadro clínico e nistagmo

Gabarito: letra C. Na neurite vestibular, o nistagmo espontâneo e semi-espontâneo é horizontal (frequentemente horizonto-rotatório) e bate em direção ao lado saudável — a fase rápida aponta para o lado bom, pois o lado lesado perde tônus e o lado íntegro prevalece. Essa é a assinatura clínica da síndrome vestibular aguda periférica, que a alternativa C descreve corretamente.

A neurite vestibular é o segundo distúrbio vestibular periférico mais comum, atrás apenas da vertigem posicional paroxística benigna (VPPB). Sua fisiopatologia mais aceita é a reativação do vírus herpes simples tipo 1 no nervo vestibular, gerando inflamação e disfunção unilateral. O quadro clássico é de vertigem de início agudo ou subagudo, que dura dias, acompanhada de náuseas, vômitos, oscilopsia e desequilíbrio com tendência a queda para o lado do nervo lesado. Um ponto crucial: não é comum a presença de sintomas auditivos — zumbido e hipoacusia estão tipicamente ausentes, o que ajuda a diferenciar a neurite de outras vestibulopatias periféricas como a labirintite e a doença de Ménière.

O nistagmo periférico, presente na neurite, surge da assimetria de tônus entre os dois labirintos. O lado lesado perde tônus, então o lado saudável "empurra" os olhos em direção ao lado lesado (fase lenta). As vias centrais geram sacadas corretoras rápidas para trazer os olhos de volta à posição habitual — essa é a fase rápida. Como o nistagmo é nomeado pela fase rápida, ele bate para o lado bom (saudável), nunca invertendo a direção. Esse padrão é horizonto-rotatório, unidirecional, e é um dos pilares do exame HINTS (Head-Impulse, Nystagmus, Test-of-Skew) para diferenciar causa periférica de central.

A distinção entre vertigem periférica e central é o ponto mais importante na abordagem da síndrome vestibular aguda. Enquanto a neurite vestibular (periférica) apresenta nistagmo horizontal unidirecional que bate para o lado sadio, as causas centrais (como AVC de fossa posterior) tendem a apresentar nistagmo vertical, torcional puro ou bidirecional, além de outros sinais neurológicos. O teste de skew (desvio vertical dos olhos) é um sinal de alerta para etiologia central — sua presença sugere comprometimento do tronco encefálico, não neurite periférica.

A pegadinha desta questão está em três frentes: (1) trocar a direção do nistagmo (bater para o lado lesado em vez do saudável); (2) afirmar que sintomas auditivos estão sempre presentes, quando na verdade são incomuns; (3) descrever a neurite como de início insidioso, quando o quadro é agudo. A alternativa C é a única que acerta a direção do nistagmo e sua característica horizontal, o que a torna o gabarito.

Característica

Neurite Vestibular (Periférica)

Causa Central (ex.: AVC de fossa posterior)

Nistagmo

Horizontal/horizonto-rotatório, unidirecional, fase rápida para o lado saudável

Vertical, torcional puro ou bidirecional

Sintomas auditivos (zumbido/hipoacusia)

Ausentes (incomuns)

Variáveis, geralmente ausentes

Início do quadro

Agudo ou subagudo, vertigem intensa por dias

Súbito, frequentemente com outros déficits neurológicos

Teste de skew (desvio vertical dos olhos)

Ausente

Presente (sinal de alerta)

Head-Impulse Test

Anormal (disfunção periférica)

Normal (frequentemente)

1Quadro clínico
Vertigem aguda (dias)
Náuseas e vômitos
Sem sintomas auditivos
2Nistagmo periférico
Horizontal/horizonto-rotatório
Fase rápida para o lado saudável
Unidirecional
3HINTS (periférico vs. central)
Head-Impulse anormal → periférico
Nistagmo horizontal → periférico
Skew presente → central
Neurite vestibular
LEVELsoulevel.com.br
Neurite vestibular: Quadro clínico (Vertigem aguda (dias), Náuseas e vômitos, Sem sintomas auditivos); Nistagmo periférico (Horizontal/horizonto-rotatório, Fase rápida para o lado saudável, Unidirecional); HINTS (periférico vs. central) (Head-Impulse anormal → periférico, Nistagmo horizontal → periférico, Skew presente → central)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que sintomas auditivos (zumbido e hipoacusia) estão sempre presentes. Isso é falso: na neurite vestibular, não é comum a existência de sintomas auditivos. A ausência de zumbido e hipoacusia é justamente um dos critérios que diferenciam a neurite de outras condições periféricas como labirintite (que cursa com surdez e febre) e doença de Ménière (que tem hipoacusia flutuante). A palavra "sempre" já denuncia a generalização indevida.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que há presença de desvio do olhar de skew. O teste de skew (desvio vertical dos olhos) é um sinal de etiologia central — sua presença sugere AVC de fossa posterior, não neurite vestibular periférica. No exame HINTS, o skew é um dos três componentes que, quando alterado, aponta para causa central. Na neurite vestibular, o achado oculomotor típico é o nistagmo horizontal unidirecional, não o desvio vertical.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve com precisão o nistagmo da neurite vestibular: espontâneo e semi-espontâneo, horizontal (frequentemente horizonto-rotatório), com fase rápida em direção ao lado saudável. Isso decorre da assimetria de tônus: o lado lesado perde tônus, o lado bom prevalece e a fase rápida do nistagmo bate para o lado bom. Esse é o padrão clássico de nistagmo periférico, unidirecional, que nunca inverte a direção.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a sintomatologia é insidiosa com vertigens posturais inespecíficas. Na neurite vestibular, o quadro é de início agudo ou subagudo, com vertigem intensa e duradoura (dias), não vertigens posturais inespecíficas. O padrão posicional com crises curtas é típico da VPPB, não da neurite. A neurite é uma síndrome vestibular aguda, com vertigem rotatória intensa, náuseas e vômitos, e não um quadro insidioso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora três trocas clássicas: (1) inverte a direção do nistagmo — na neurite, a fase rápida bate para o lado saudável, não para o lesado; (2) afirma que sintomas auditivos estão sempre presentes, quando na verdade são incomuns — essa é a diferença para labirintite e Ménière; (3) descreve o início como insidioso, quando é agudo. Memorize: neurite = vertigem aguda + nistagmo horizontal para o lado bom + sem sintomas auditivos.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar neurite vestibular (periférica) de AVC de fossa posterior (central), use o mnemônico HINTS: H (Head-Impulse) — se o impulso da cabeça é anormal, sugere periférico; I (Nystagmus) — horizontal unidirecional = periférico, vertical/bidirecional = central; S (Test-of-Skew) — skew presente = central. Na neurite, o impulso é anormal, o nistagmo é horizontal para o lado bom e não há skew.

Gabarito: letra C.

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