Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FGV 2024

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
fg095523
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Patologista
São características microscópicas do rash cutâneo máculo-papular relacionado às infecções virais:
  1. ADermatite espongiótica em fase aguda, com intensa eosinofilia tecidual e edema na derme papilar.
  2. BDermatite de interface tipo liquenoide, com focos de paraceratose e ocasionais eosinófilos no infiltrado inflamatório dérmico.
  3. CDermatite psoriasiforme, com intensa vasodilatação capilar na derme papilar e extravasamento de hemácias.
  4. DDermatite de interface tipo vacuolar, com discreta vacuolização da camada basal epidérmica e infiltrado inflamatório mononuclear perivascular na derme superficial.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Dermatite de interface tipo vacuolar, com discreta vacuolização da camada basal epidérmica e infiltrado inflamatório mononuclear perivascular na derme superficial.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Rash cutâneo máculo-papular viral: padrão histopatológico

Gabarito: letra D. O rash máculo-papular das infecções virais caracteriza-se, microscopicamente, por dermatite de interface tipo vacuolar, com vacuolização da camada basal da epiderme e infiltrado inflamatório mononuclear perivascular na derme superficial — exatamente o que descreve a alternativa D. As demais alternativas descrevem padrões histológicos de outras dermatoses (espongiose com eosinofilia, liquenoide com paraceratose, psoriasiforme com extravasamento de hemácias), que não correspondem ao padrão típico viral.

O exantema máculo-papular é uma manifestação cutânea comum em diversas infecções virais, como sarampo, rubéola, dengue, parvovírus B19, enterovírus e infecção aguda pelo HIV. O mecanismo fisiopatológico envolve a resposta imune do hospedeiro ao vírus, com migração de células mononucleares para a derme e dano à camada basal da epiderme. Histologicamente, o padrão mais característico é a dermatite de interface vacuolar (ou liquenoide vacuolar): há vacuolização (degeneração hidrópica) dos queratinócitos da camada basal, frequentemente associada a apoptose de queratinócitos (corpos de Civatte) e a um infiltrado inflamatório linfocitário perivascular na derme papilar e superficial. Esse padrão é compartilhado por outras condições, como o eritema multiforme, o lúpus eritematoso cutâneo e as reações a drogas, mas é o padrão clássico das viroses exantemáticas.

É importante distinguir a dermatite de interface vacuolar de outros padrões de dermatite que aparecem nas alternativas:

  • Dermatite espongiótica: caracteriza-se por edema intercelular na epiderme (espongiose), frequentemente com exocitose de linfócitos. É o padrão típico das dermatites eczematosas (dermatite atópica, de contato) e de algumas infecções fúngicas superficiais. A presença de eosinofilia tecidual intensa é mais sugestiva de reação de hipersensibilidade a drogas ou dermatite de contato alérgica, não de infecção viral.

  • Dermatite de interface liquenoide: também apresenta dano à camada basal, mas o infiltrado inflamatório é em banda (liquenoide), denso, localizado logo abaixo da epiderme, e frequentemente acompanhado de hipergranulose e hiperceratose. É o padrão do líquen plano e de reações liquenoides a drogas. A paraceratose (núcleos retidos no estrato córneo) é um achado inespecífico, mais comum em dermatites psoriasiformes e eczematosas.

  • Dermatite psoriasiforme: caracteriza-se por hiperplasia epidérmica regular (acantose), com alongamento das cristas interpapilares, e pode apresentar paraceratose. A vasodilatação capilar na derme papilar é proeminente na psoríase, mas o extravasamento de hemácias não é um achado típico; sugere mais uma vasculite ou uma dermatose com componente hemorrágico.

A pegadinha da questão está em associar o rash viral a padrões histológicos de outras dermatoses inflamatórias comuns. O candidato que memoriza apenas os nomes dos padrões (espongiótica, liquenoide, psoriasiforme) sem saber a que correspondem pode se confundir. O critério decisivo é: infecção viral → dermatite de interface vacuolar com infiltrado mononuclear perivascular.

Padrão Histológico

Características Principais

Associação Típica

Dermatite de interface vacuolar (✅ correto)

Vacuolização da camada basal; infiltrado mononuclear perivascular na derme superficial

Infecções virais (sarampo, rubéola, dengue), lúpus, eritema multiforme

Dermatite espongiótica

Edema intercelular (espongiose); exocitose de linfócitos; eosinofilia tecidual intensa

Eczemas (atópica, contato), reações a drogas

Dermatite de interface liquenoide

Infiltrado em banda na junção dermoepidérmica; hipergranulose; paraceratose

Líquen plano, reações liquenoides a drogas

Dermatite psoriasiforme

Acantose regular; alongamento das cristas; vasodilatação capilar; extravasamento de hemácias

Psoríase, dermatoses proliferativas

Rash viral (máculo-papular)
  • 1Padrão histológico
    • Dermatite de interface vacuolar
    • Vacuolização da camada basal
    • Infiltrado mononuclear perivascular
  • 2Diagnósticos diferenciais
    • Espongiótica (eczema)
    • Liquenoide (líquen plano)
    • Psoriasiforme (psoríase)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Descreve uma dermatite espongiótica em fase aguda com intensa eosinofilia tecidual. A espongiose é o padrão das dermatites eczematosas (atópica, de contato) e a eosinofilia intensa sugere reação de hipersensibilidade a drogas ou parasitose, não infecção viral. O rash viral não apresenta espongiose significativa nem eosinofilia tecidual marcante.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Descreve uma dermatite de interface tipo liquenoide com focos de paraceratose e ocasionais eosinófilos. Embora a dermatite de interface possa ocorrer em viroses, o padrão liquenoide (infiltrado em banda) e a paraceratose são mais característicos de líquen plano e reações liquenoides a drogas. A paraceratose não é um achado típico do rash viral, que costuma ter a camada córnea preservada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Descreve uma dermatite psoriasiforme com intensa vasodilatação capilar e extravasamento de hemácias. O padrão psoriasiforme é típico da psoríase e de outras dermatoses proliferativas; o extravasamento de hemácias sugere vasculite ou diátese hemorrágica, não infecção viral. O rash viral não apresenta hiperplasia epidérmica psoriasiforme.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve com precisão o padrão histológico do rash viral: dermatite de interface tipo vacuolar, com vacuolização da camada basal epidérmica e infiltrado inflamatório mononuclear perivascular na derme superficial. A vacuolização basal (degeneração hidrópica) e o infiltrado linfocitário perivascular são os achados clássicos das exantematosas virais, como sarampo, rubéola e dengue.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o padrão histológico típico das viroses (dermatite de interface vacuolar) por padrões de outras dermatites inflamatórias: espongiótica (eczema), liquenoide (líquen plano) e psoriasiforme (psoríase). O candidato que decora os nomes sem associar ao contexto viral cai facilmente. Lembre-se: vírus → vacuolização basal + infiltrado mononuclear perivascular.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte uma tabela mental dos padrões histológicos: espongiótica (eczema), liquenoide (líquen plano), psoriasiforme (psoríase), vacuolar (viroses, lúpus, eritema multiforme). Na prova, ao ver "rash viral", procure por "vacuolização da basal" e "infiltrado mononuclear perivascular".

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/fg095523