Questão de Medicina — Hematologia — FGV 2024
- Código
- fg095576
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Pediatra
- Aadenovírus.
- Bparvovírus.
- Cinfluenza.
- Dherpes vírus.
GabaritoB — parvovírus.
Gabarito: letra B. A crise aplástica na anemia falciforme é classicamente desencadeada pela infecção pelo parvovírus B19, que infecta diretamente os precursores eritróides da medula óssea, causando parada transitória da eritropoiese. Essa associação é um dos pilares do manejo da doença falciforme e está bem documentada na literatura médica.
A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia hereditária autossômica recessiva, caracterizada pela presença da hemoglobina S (HbS), que polimeriza em condições de hipóxia, acidose ou desidratação, deformando as hemácias em formato de foice (drepanócitos). Essas células rígidas obstruem a microvasculatura, causando crises vaso-oclusivas e hemólise crônica. Por causa da destruição acelerada das hemácias, a medula óssea precisa trabalhar em ritmo máximo para compensar a perda, produzindo grande quantidade de reticulócitos. Essa dependência de uma eritropoiese vigorosa torna o paciente extremamente vulnerável a qualquer agravo que suprima temporariamente a medula óssea.
A crise aplástica ocorre exatamente nesse contexto: uma supressão aguda da produção de eritrócitos, levando a uma queda abrupta da hemoglobina. O achado laboratorial característico é a reticulocitopenia (contagem de reticulócitos < 1%), pois a medula deixa de produzir novas hemácias. O principal agente causador é o parvovírus B19, um vírus de DNA de fita simples que tem tropismo específico pelos precursores eritróides, infectando e destruindo as células progenitoras da série vermelha. Estima-se que mais de 70% dos casos de crise aplástica na doença falciforme estejam associados a essa infecção viral. A melhora costuma ser espontânea, e crises recorrentes são raras porque o paciente adquire imunidade contra o vírus.
É importante distinguir a crise aplástica de outras complicações hematológicas agudas da doença falciforme, como o sequestro esplênico, que cursa com queda da hemoglobina, mas com reticulocitose (aumento dos reticulócitos), esplenomegalia aguda e plaquetopenia. Enquanto na crise aplástica há parada da produção, no sequestro há represamento do sangue no baço. Essa distinção é crucial para o diagnóstico e manejo, pois o tratamento difere: na crise aplástica, o suporte transfusional é a base, enquanto no sequestro esplênico, além da transfusão, pode ser necessária a esplenectomia em casos recorrentes.
A banca explora justamente a associação clássica entre a crise aplástica e o parvovírus B19, um conhecimento fundamental em hematologia. Os demais vírus listados (adenovírus, influenza e herpes vírus) podem causar quadros febris ou infecções respiratórias, mas não têm o tropismo específico pelos precursores eritróides que caracteriza o parvovírus B19. Portanto, a alternativa correta é a que menciona o parvovírus.
O adenovírus é um vírus de DNA que causa infecções respiratórias, gastrointestinais e oculares, mas não possui tropismo pelos precursores eritróides. Não é o agente classicamente associado à crise aplástica na anemia falciforme. A banca incluiu essa opção como distrator, pois o adenovírus é um vírus comum, mas sem a especificidade clínica do parvovírus B19.
O parvovírus B19 é o agente etiológico clássico da crise aplástica na anemia falciforme. Ele infecta diretamente os precursores eritróides da medula óssea, causando parada transitória da eritropoiese. Em pacientes com doença falciforme, que dependem de uma eritropoiese acelerada para compensar a hemólise crônica, essa supressão leva a uma queda abrupta da hemoglobina e reticulocitopenia. A literatura médica estima que mais de 70% dos casos de crise aplástica estejam associados a essa infecção viral.
O vírus influenza causa infecção respiratória aguda (gripe), mas não tem tropismo pelos precursores eritróides. Embora infecções virais possam, em teoria, suprimir a medula óssea de forma inespecífica, a associação clássica e mais importante com a crise aplástica na doença falciforme é com o parvovírus B19, não com o influenza.
O herpes vírus (HSV) causa infecções mucocutâneas, como herpes labial e genital, e pode causar encefalite em casos graves, mas não é o agente associado à crise aplástica na anemia falciforme. A banca incluiu essa opção como distrator, pois o herpes vírus é um patógeno comum, mas sem a relação fisiopatológica específica com a eritropoiese.
A banca explora a associação clássica entre crise aplástica e parvovírus B19, mas o candidato pode confundir com outras complicações virais da doença falciforme. Lembre-se: o parvovírus B19 é o único que infecta diretamente os precursores eritróides, causando reticulocitopenia. Os demais vírus (adenovírus, influenza, herpes) podem causar febre ou infecções, mas não têm esse tropismo específico.
Para fixar, lembre-se do mnemônico "Parvo = Parada": o parvovírus B19 causa parada da eritropoiese, levando à crise aplástica. Na prova, ao ver "crise aplástica" em paciente com anemia falciforme, a resposta quase sempre será parvovírus B19.
Gabarito: letra B
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