Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2024
- Código
- fg095585
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Pediatra
- ASalbutamol inalatório.
- BSalina hipertônica 3%.
- CCorticóide inalatório.
- DHidratação e oxigenioterapia.
GabaritoD — Hidratação e oxigenioterapia.
Gabarito: letra D. O quadro — lactente de 3 meses, tosse, taquipneia leve a moderada, tiragem subcostal, dificuldade para mamar, sem febre, sibilos e aumento do tempo expiratório — é clássico de bronquiolite viral aguda (BVA), e a conduta inicial recomendada é suporte: hidratação e oxigenioterapia quando há desconforto respiratório. As demais opções (broncodilatador, salina hipertônica, corticoide inalatório) não têm indicação rotineira nessa faixa etária, conforme as diretrizes atuais de pediatria.
A bronquiolite viral aguda é a infecção respiratória baixa mais comum no primeiro ano de vida, causada principalmente pelo vírus sincicial respiratório (VSR). Ela acomete tipicamente lactentes jovens (2 a 6 meses) e se manifesta com pródromos de coriza, tosse e, em seguida, taquipneia, tiragem subcostal, sibilos e hiperinsuflação pulmonar — exatamente o que o enunciado descreve. A ausência de febre não afasta o diagnóstico; muitos lactentes cursam afebris.
O tratamento da BVA é essencialmente de suporte: garantir hidratação adequada (via oral, se possível, ou enteral/venosa quando há dificuldade para mamar) e oferecer oxigenioterapia quando a saturação de oxigênio estiver abaixo de 90-92% ou quando houver desconforto respiratório significativo. Não há evidência de benefício com broncodilatadores (salbutamol), corticoide inalatório ou sistêmico, nem com salina hipertônica 3% em todos os casos — essas terapias não reduzem mortalidade, tempo de internação ou necessidade de ventilação mecânica na BVA. A salina hipertônica pode ser considerada em casos selecionados de bronquiolite moderada a grave, mas não é a conduta inicial de rotina. O salbutamol pode ser tentado em uma dose de prova em alguns protocolos, mas não é recomendado de forma sistemática. O corticoide inalatório não tem papel na fase aguda.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que, apesar de o lactente apresentar sibilos (que lembram asma), a idade de 3 meses e o quadro viral apontam para BVA, não para asma — e, portanto, a conduta não é broncodilatadora, mas sim de suporte. A banca explora exatamente essa confusão entre o manejo da crise de asma (salbutamol + corticoide) e o da bronquiolite (suporte).
Guarde o critério decisivo: em lactente < 1 ano com primeiro episódio de sibilância e quadro viral, o diagnóstico é bronquiolite até prova em contrário, e a conduta é suporte (hidratação + oxigênio). É essa fronteira que separa as alternativas.
O salbutamol inalatório é broncodilatador de ação rápida, indicado na crise de asma. Na bronquiolite viral aguda, os estudos não demonstram benefício consistente: não melhora o escore clínico, não reduz internação nem tempo de doença. As diretrizes atuais (SBP, AAP) recomendam não usar broncodilatadores de rotina em lactentes com BVA. A banca coloca essa opção para confundir com o manejo da asma, mas o lactente de 3 meses com sibilos e quadro viral tem bronquiolite, não asma.
A salina hipertônica 3% é uma terapia adjuvante que, em alguns estudos, mostrou reduzir o tempo de internação em bronquiolite moderada a grave, mas não é a conduta inicial de rotina e não substitui o suporte. Seu uso é controverso e reservado a situações específicas, não sendo a melhor conduta para o caso descrito (quadro leve a moderado, sem indicação clara de internação). A conduta inicial deve ser sempre suporte: hidratação e oxigenioterapia.
O corticoide inalatório não tem indicação na fase aguda da bronquiolite viral. Não há evidência de que reduza a gravidade, o tempo de internação ou a necessidade de suporte ventilatório. Seu uso é reservado a doenças inflamatórias crônicas das vias aéreas, como asma persistente — não é o caso. A banca inclui essa opção para testar se o candidato sabe que, apesar do sibilo, não se trata de asma.
A conduta inicial na bronquiolite viral aguda é suporte: garantir hidratação (via oral, se o lactente conseguir mamar; caso contrário, sonda ou via venosa) e oxigenioterapia se houver hipoxemia (SatO2 < 90-92%) ou desconforto respiratório significativo. O quadro descrito — taquipneia leve a moderada, tiragem subcostal e dificuldade para mamar — indica necessidade de suporte, mas não de terapias específicas. Essa é a recomendação das principais diretrizes (Sociedade Brasileira de Pediatria, Academia Americana de Pediatria) e da OMS.
Na prova, quando o enunciado trouxer lactente jovem + sibilos + quadro viral (tosse, coriza, sem febre), pense em bronquiolite e marque a conduta de suporte (hidratação + oxigênio). Desconfie de alternativas com broncodilatador ou corticoide — elas são armadilha clássica para confundir com asma. Lembre-se: asma é rara antes de 1 ano; bronquiolite é a regra.
Gabarito: letra D
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