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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2024

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
fg095588
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Pediatra
Paciente de 3 anos chega à emergência com cefaleia, dor torácica, fadiga. Ao exame, nota-se sopro cardíaco e diminuição da amplitude dos pulsos arteriais nos membros inferiores, com presença de pulsos amplos e hipertensão arterial nos membros superiores.Assinale a opção que apresenta a provável causa desses sintomas
  1. ACoarctação da aorta.
  2. BCIV.
  3. CCIA.
  4. DEstenose valvar pulmonar.
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GabaritoA — Coarctação da aorta.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coarctação da aorta: hipertensão em membros superiores e hipopulsatilidade em inferiores

Gabarito: letra A. O quadro clínico descrito — cefaleia, dor torácica, fadiga, sopro cardíaco, hipertensão arterial e pulsos amplos nos membros superiores, com diminuição da amplitude dos pulsos nos membros inferiores — é a apresentação clássica da coarctação da aorta, uma cardiopatia congênita em que há estreitamento da aorta, tipicamente próximo ao canal arterial. Essa diferença de pressão e pulsação entre os dois segmentos do corpo é o achado fisiopatológico que define a doença e a distingue das demais alternativas.

A coarctação da aorta é um estreitamento congênito da aorta, mais comumente na região do istmo aórtico, próximo ao ligamento arterioso. Esse estreitamento cria uma obstrução ao fluxo sanguíneo que segue para a metade inferior do corpo. O coração precisa bombear com mais força para vencer a resistência, o que eleva a pressão arterial nos vasos que saem antes da obstrução — os membros superiores e a cabeça. Já os membros inferiores, que recebem sangue depois do estreitamento, ficam com fluxo reduzido, o que se traduz em pulsos mais fracos e pressão arterial mais baixa. É exatamente essa assimetria que o enunciado descreve: pulsos amplos e hipertensão nos braços, pulsos diminuídos nas pernas.

Os sintomas relatados — cefaleia, dor torácica e fadiga — são consequências diretas da hipertensão arterial sistêmica e do esforço cardíaco aumentado. A cefaleia decorre da pressão elevada nos vasos da cabeça; a dor torácica pode estar relacionada à sobrecarga ventricular esquerda e à possível isquemia miocárdica; a fadiga reflete a redução do débito cardíaco efetivo para os tecidos. O sopro cardíaco, na coarctação, é tipicamente um sopro sistólico de ejeção, mais bem audível no dorso, entre as escápulas, devido ao fluxo turbulento através da área estreitada.

O diagnóstico deve ser suspeitado em jovens com hipertensão arterial e assimetria de pulsos entre membros superiores e inferiores. A aferição da pressão arterial deve ser feita nos quatro membros para documentar a diferença. A radiografia de tórax pode mostrar o "sinal do três" (deformidade da aorta) e, em adultos, as erosões costais (sinal de Hoësler) decorrentes da circulação colateral. O ecocardiograma confirma o diagnóstico e avalia a gravidade.

A distinção crucial para esta questão é entender que cada alternativa representa uma cardiopatia com fisiopatologia e apresentação clínica próprias. A coarctação da aorta é a única que produz o gradiente de pressão e pulso entre os segmentos superior e inferior do corpo. As demais — comunicação interventricular (CIV), comunicação interatrial (CIA) e estenose valvar pulmonar — são defeitos que afetam o fluxo sanguíneo dentro do coração ou entre o coração e os pulmões, mas não criam essa diferença característica entre membros superiores e inferiores.

A pegadinha que a banca explora é a tentação de associar o sopro cardíaco a um defeito septal (CIV ou CIA), que são causas comuns de sopro em crianças. No entanto, o enunciado fornece um dado semiológico decisivo — a assimetria de pulsos e pressão arterial — que aponta diretamente para a coarctação. O candidato que se fixa apenas no sopro e na idade da paciente pode ser levado a escolher uma das alternativas incorretas, ignorando o sinal mais específico da doença.

Guarde a fronteira entre as cardiopatias congênitas: a coarctação da aorta é a única que se manifesta com hipertensão e pulsos amplos nos membros superiores, contrastando com hipopulsatilidade e hipotensão nos membros inferiores. É exatamente nesse contraste que as alternativas se dividem.

1Estreitamento no istmo aórtico
2Antes da obstrução (membros superiores)
Pulsos amplos
Hipertensão arterial
3Depois da obstrução (membros inferiores)
Pulsos diminuídos
Hipotensão
4Sintomas
Cefaleia
Dor torácica
Fadiga
5Sopro sistólico de ejeção
Audível no dorso (interescapular)
Coarctação da aorta
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Coarctação da aorta: Estreitamento no istmo aórtico; Antes da obstrução (membros superiores) (Pulsos amplos, Hipertensão arterial); Depois da obstrução (membros inferiores) (Pulsos diminuídos, Hipotensão); Sintomas (Cefaleia, Dor torácica, Fadiga); Sopro sistólico de ejeção (Audível no dorso (interescapular))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A coarctação da aorta é a causa provável dos sintomas. O estreitamento aórtico gera hipertensão arterial e pulsos amplos nos membros superiores (antes da obstrução) e diminuição da amplitude dos pulsos nos membros inferiores (após a obstrução). O sopro sistólico de ejeção, audível no dorso entre as escápulas, e os sintomas de cefaleia, dor torácica e fadiga completam o quadro. O diagnóstico deve ser suspeitado em jovens com hipertensão e assimetria de pulsos entre os membros.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A comunicação interventricular (CIV) é um defeito do septo que separa os ventrículos, permitindo a passagem de sangue do ventrículo esquerdo (maior pressão) para o direito. O sopro característico é holossistólico, rude, na borda esternal esquerda, com irradiação para axila e dorso. A CIV não causa a assimetria de pulsos e pressão arterial entre membros superiores e inferiores, que é o dado clínico central do enunciado. A hipertensão arterial nos membros superiores com hipopulsatilidade nos inferiores é específica da coarctação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A comunicação interatrial (CIA) é um defeito do septo interatrial, que permite a passagem de sangue do átrio esquerdo para o direito. O achado auscultatório clássico é o desdobramento fixo da segunda bulha (B2). A CIA não produz o gradiente de pressão e pulso entre os membros superiores e inferiores descrito no enunciado. A hipertensão arterial sistêmica e a diminuição dos pulsos femorais são manifestações da coarctação da aorta, não da CIA.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A estenose valvar pulmonar é um estreitamento da valva pulmonar, que obstrui a saída de sangue do ventrículo direito para a artéria pulmonar. O sopro é ejetivo sistólico, mais audível no segundo espaço intercostal esquerdo, e pode haver sinais de hipertrofia ventricular direita. A estenose pulmonar não causa hipertensão arterial sistêmica nem a diferença de pulsos entre membros superiores e inferiores. O quadro clínico descrito — hipertensão nos braços e hipopulsatilidade nas pernas — é patognomônico da coarctação da aorta.

Gabarito: letra A

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