Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2024
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
fg095589
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Pediatra
Criança chega à emergência com quadro clínico suspeito de Síndrome inflamatória multi sistêmica pós Covid.Assinale a opção que diferencia esta síndrome da Doença de Kawasaki.
AMaior frequência em crianças menores de 5 anos.
BTrombocitose.
CAumento da ferritina.
DSintomas abdominais leves.
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GabaritoC — Aumento da ferritina.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P) versus Doença de Kawasaki
Gabarito: letra C. A SIM-P temporalmente associada à Covid-19 distingue-se da Doença de Kawasaki por apresentar, com frequência, aumento da ferritina — um marcador inflamatório que reflete a tempestade de citocinas característica da síndrome. Enquanto a Doença de Kawasaki clássica cursa com trombocitose na fase subaguda e predomina em menores de 5 anos, a SIM-P acomete crianças mais velhas, frequentemente com sintomas gastrointestinais proeminentes e elevação de ferritina, além de outros marcadores como D-dímero, troponina e pró-BNP.
A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) é uma complicação tardia da infecção pelo SARS-CoV-2, que se manifesta semanas após o contato com o vírus, mesmo em crianças que tiveram quadro leve ou assintomático. Trata-se de uma resposta imune desregulada, com hiperinflamação sistêmica, que clinicamente se assemelha à Doença de Kawasaki (DK) e à síndrome do choque tóxico. A distinção entre as duas entidades é crucial na emergência, pois o manejo e o acompanhamento cardiológico diferem.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite aguda, autolimitada, que acomete predominantemente crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. Seu diagnóstico é clínico, baseado em febre alta por pelo menos 5 dias, associada a pelo menos 4 dos 5 critérios: hiperemia conjuntival bilateral, alterações de mucosa oral (língua em morango, lábios fissurados), alterações de extremidades (edema, eritema, descamação), exantema polimorfo e linfadenopatia cervical. A complicação mais temida é o aneurisma de artérias coronárias, que surge nas primeiras 4 semanas.
A SIM-P, por sua vez, acomete faixa etária mais ampla, incluindo adolescentes, e cursa com febre persistente, sintomas gastrointestinais (dor abdominal, vômitos, diarreia) que podem ser intensos, disfunção miocárdica, choque e marcadores inflamatórios extremamente elevados. Laboratorialmente, além da ferritina aumentada, são comuns linfopenia, elevação de PCR, VHS, D-dímero, troponina e pró-BNP. A trombocitopenia pode ocorrer na fase aguda da SIM-P, ao contrário da trombocitose típica da fase subaguda da DK.
A banca explora exatamente essa sobreposição clínica. A alternativa correta aponta um marcador que, embora possa estar elevado em ambas, é caracteristicamente mais proeminente e descrito como diferencial na SIM-P. As demais alternativas trazem características que são mais típicas da Doença de Kawasaki clássica ou que não diferenciam as duas condições.
Critério
SIM-P (pós-Covid)
Doença de Kawasaki
Faixa etária predominante
Crianças mais velhas e adolescentes (mediana ~8-9 anos)
A maior frequência em crianças menores de 5 anos é característica da Doença de Kawasaki, não da SIM-P. A SIM-P tende a acometer crianças mais velhas e adolescentes, com idade mediana em torno de 8-9 anos. Portanto, esta alternativa descreve um achado típico da DK, não um diferencial da SIM-P.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A trombocitose é um achado clássico da fase subaguda da Doença de Kawasaki, ocorrendo geralmente na segunda a terceira semana de doença. Na SIM-P, o achado hematológico mais comum é a linfopenia e, em casos graves, pode haver trombocitopenia por consumo. Assim, a trombocitose não diferencia a SIM-P da DK — pelo contrário, aproxima a DK.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O aumento da ferritina é um marcador de hiperinflamação que se destaca na SIM-P, refletindo a ativação macrofágica e a tempestade de citocinas. Embora possa estar elevado em processos inflamatórios em geral, na SIM-P os níveis de ferritina costumam ser marcadamente elevados, sendo um dos critérios laboratoriais que ajudam a diferenciar a síndrome da Doença de Kawasaki clássica, onde a ferritina não é um marcador tão proeminente. A elevação de ferritina, juntamente com D-dímero, troponina e pró-BNP, compõe o perfil laboratorial típico da SIM-P.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Os sintomas abdominais leves não são um diferencial. Na verdade, a SIM-P frequentemente cursa com sintomas gastrointestinais intensos — dor abdominal severa, vômitos e diarreia — que podem até simular um abdome agudo. Na Doença de Kawasaki, sintomas abdominais podem ocorrer, mas são menos proeminentes. Portanto, a alternativa inverte a apresentação: o que diferencia é a intensidade dos sintomas abdominais, não a leveza.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a sobreposição clínica entre SIM-P e Doença de Kawasaki. O candidato que memoriza apenas os critérios clássicos da DK pode marcar a alternativa A (menores de 5 anos) ou B (trombocitose), que são achados típicos da DK, não da SIM-P. A chave é lembrar que a SIM-P cursa com ferritina elevada, linfopenia e sintomas gastrointestinais intensos, enquanto a DK clássica tem trombocitose na fase subaguda e predomina em crianças pequenas.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar SIM-P de Doença de Kawasaki na prova, foque nos marcadores laboratoriais: ferritina, D-dímero, troponina e pró-BNP elevados apontam para SIM-P, enquanto trombocitose e idade < 5 anos são mais sugestivos de DK. Monte uma tabela mental comparando idade, sintomas gastrointestinais, marcadores e complicações cardíacas.