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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2024

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
fg095592
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Pediatra
Sobre as novas diretrizes de sepse em crianças, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para as verdadeiras e (F) para as falsas.( ) O termo Síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SIRS) não deve ser mais utilizado para o diagnóstico de sepse.( ) o termo sepse grave deve ser usado para disfunção orgânica com infecção e isso indica a gravidade do caso.( ) choque séptico defini-se: criança com sepse apresentando pelo menos um ponto do componente cardiovascular (hipotensão grave para a idade, lactato sérico > 5 mmol/L ou uso de medicações vasoativas.As afirmativas são, respectivamente.
  1. AF, V, F.
  2. BF, V, V.
  3. CV, F, F.
  4. DV, F, V.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — V, F, V.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sepse pediátrica: novas definições e terminologia

Gabarito: letra D — sequência V, F, V. A primeira afirmativa está correta porque as novas diretrizes (Sepsis-3, 2016) abandonaram o uso da SIRS como critério diagnóstico de sepse; a segunda está incorreta porque o termo "sepse grave" foi abolido, sendo substituído pela própria definição de sepse (infecção + disfunção orgânica); a terceira está correta porque o choque séptico pediátrico é definido como sepse com disfunção cardiovascular, incluindo hipotensão grave para a idade, lactato > 5 mmol/L ou necessidade de vasoativos.

A sepse é uma disfunção orgânica potencialmente fatal causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. Essa definição, consolidada pelo consenso Sepsis-3 (2016), representou uma mudança paradigmática: o foco deixou de ser a resposta inflamatória sistêmica (SIRS) e passou a ser a disfunção orgânica. Antes, o diagnóstico de sepse exigia a presença de pelo menos dois critérios de SIRS (temperatura, taquicardia, taquipneia, leucócitos) associados a infecção suspeita ou confirmada. Agora, a SIRS não é mais necessária nem suficiente para o diagnóstico — ela permanece apenas como ferramenta de triagem para identificar pacientes com risco de sepse.

O termo "sepse grave", que antes designava sepse com disfunção orgânica, foi abolido. Na nova nomenclatura, sepse já implica disfunção orgânica; portanto, "sepse grave" tornou-se redundante e não deve mais ser utilizado. Essa mudança simplifica a linguagem e reflete o entendimento de que a disfunção orgânica é parte integrante da sepse, não uma complicação posterior.

No contexto pediátrico, as definições seguem os mesmos princípios, mas com particularidades. O choque séptico em crianças é definido como sepse com disfunção cardiovascular, caracterizada por hipotensão grave para a idade, lactato sérico > 5 mmol/L ou necessidade de medicações vasoativas. Esses critérios são específicos para a faixa etária pediátrica, diferindo dos critérios de adultos (que usam PAM < 65 mmHg e lactato > 2 mmol/L).

A pegadinha da banca está na segunda afirmativa: muitos candidatos confundem "sepse grave" com um estágio mais avançado da doença, mas as novas diretrizes aboliram esse termo. A distinção crucial é que, na nomenclatura atual, sepse já implica disfunção orgânica — não existe mais "sepse sem disfunção" como entidade separada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a terminologia antiga e a nova. O candidato que memorizou as definições pré-2016 pode marcar a segunda afirmativa como verdadeira, pois "sepse grave" era de fato usada para disfunção orgânica. Mas as novas diretrizes aboliram esse termo — sepse já é, por definição, infecção com disfunção orgânica. Fique atento: se a questão menciona "novas diretrizes", a terminologia atualizada é a do Sepsis-3.

Afirmativa 1 — ✅ Verdadeira

A afirmativa está correta. As novas diretrizes (Sepsis-3, 2016) estabelecem que a SIRS não deve mais ser utilizada para o diagnóstico de sepse. A SIRS permanece apenas como ferramenta de triagem para identificar pacientes com risco de sepse, mas não é mais critério diagnóstico. O diagnóstico atual de sepse baseia-se na presença de disfunção orgânica (avaliada pelo escore SOFA, com incremento ≥ 2 pontos) associada a infecção suspeita ou confirmada.

Afirmativa 2 — ❌ Falsa

A afirmativa está incorreta. O termo "sepse grave" foi abolido pelas novas diretrizes. Na nomenclatura atual, sepse já é definida como infecção com disfunção orgânica; portanto, "sepse grave" tornou-se redundante e não deve mais ser utilizado. A afirmativa erra ao sugerir que "sepse grave" é um termo válido para indicar gravidade — na verdade, a própria definição de sepse já incorpora a disfunção orgânica.

Afirmativa 3 — ✅ Verdadeira

A afirmativa está correta. O choque séptico pediátrico é definido como sepse com disfunção cardiovascular, caracterizada por pelo menos um dos seguintes critérios: hipotensão grave para a idade, lactato sérico > 5 mmol/L ou necessidade de medicações vasoativas. Esses critérios são específicos para a população pediátrica e refletem a disfunção cardiovascular que define o choque séptico nessa faixa etária.

Conclusão: Corretas: afirmativas 1 e 3 → portanto a alternativa é a letra D (V, F, V).

Gabarito: letra D

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