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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2024

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
fg095597
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Pediatra
Assinale a opção que descreve corretamente a displasia do desenvolvimento do quadril em crianças.
  1. AA característica clínica envolve simetria dos membros inferiores com rotação externa dos membros, des proporção da bacia.
  2. BÉ uma condição autolimitada não requer intervenção cirúrgica.
  3. CA USG é o método de escolha, mostra a anatomia do quadril e a relação da cabeça femural com o acetábulo.
  4. DO tratamento inicial é cirúrgico para evitar osteonecrose.
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GabaritoC — A USG é o método de escolha, mostra a anatomia do quadril e a relação da cabeça femural com o acetábulo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Displasia do desenvolvimento do quadril: diagnóstico e tratamento

Gabarito: letra C. A ultrassonografia (USG) é o método de imagem de escolha para o diagnóstico da displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) em lactentes, pois permite visualizar a anatomia cartilaginosa do quadril e a relação entre a cabeça femoral e o acetábulo — exatamente o que descreve a alternativa correta. As demais opções distorcem a apresentação clínica, o curso natural e a conduta terapêutica da doença.

A displasia do desenvolvimento do quadril é uma condição de espectro amplo, que varia desde uma displasia acetabular simples até a luxação completa da articulação coxofemoral, na qual a cabeça do fêmur perde o contato com o acetábulo. Trata-se de uma alteração do desenvolvimento da articulação do quadril que, se não diagnosticada e tratada precocemente, pode levar a sequelas graves como claudicação, discrepância de comprimento dos membros inferiores e osteoartrite precoce.

A DDQ tem herança poligênica e fatores predisponentes bem estabelecidos: sexo feminino (80% dos casos), história familiar, apresentação pélvica e oligodramnia. Em crianças com apresentação pélvica, o risco é 17 vezes maior no parto vaginal e 7 vezes maior na cesariana. O quadril esquerdo é mais afetado e 20% dos casos são bilaterais. Condições que diminuem o espaço intrauterino, como bebês grandes para a idade gestacional e primeira gestação, também aumentam o risco, assim como doenças neuromusculares (artrogripose, mielomeningocele) e torcicolo congênito.

O rastreio clínico é feito em todos os recém-nascidos nas primeiras 24 horas de vida, repetido antes da alta, com 6 semanas, entre 6 e 9 meses e próximo de caminhar (11-12 meses). As manobras de Barlow e Ortolani são os pilares do exame físico. No teste de Barlow, o quadril é aduzido e fletido a 90°, empurrando a cabeça femoral posteriormente — positivo se ela se desloca para trás. No teste de Ortolani, o examinador abduz o quadril enquanto eleva o grande trocânter — positivo se sente um "estalido" (não audível) do escorregamento da cabeça femoral de volta ao acetábulo. Esse sinal só tem validade nos primeiros meses de vida e não está presente em todas as crianças afetadas.

Na suspeita clínica, o estudo de imagem é indicado. A ultrassonografia é o método de escolha do nascimento até 4-5 meses de idade, período em que o quadril é predominantemente cartilaginoso e a USG consegue avaliar com precisão a anatomia e a estabilidade articular. Após essa idade, com a ossificação progressiva, a radiografia passa a ser o exame mais adequado. O tratamento é inicialmente não cirúrgico, com o uso de dispositivos de abdução (como o suspensório de Pavlik), sendo a cirurgia reservada para casos diagnosticados tardiamente ou que falham ao tratamento conservador.

A banca explora a confusão entre a DDQ e outras condições ortopédicas da infância, além de inverter o papel da cirurgia no tratamento. Guarde os três pilares: (1) a USG é o exame de escolha no lactente jovem; (2) o tratamento inicial é conservador; (3) a apresentação clínica típica envolve assimetria e limitação de abdução — é nesses pontos que as alternativas se dividem.

Displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ)
  • 1Fatores de risco
    • Sexo feminino
    • História familiar
    • Apresentação pélvica
    • Oligodramnia
  • 2Rastreio clínico
    • Manobra de Barlow (empurra p/ trás)
    • Manobra de Ortolani (estalido ao reduzir)
  • 3Diagnóstico por imagem
    • USG (até 4-5 meses)
      • Método de escolha no lactente
    • Radiografia (após ossificação)
  • 4Tratamento
    • Conservador (suspensório de Pavlik)
    • Cirúrgico (casos tardios/falha)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a característica clínica envolve simetria dos membros inferiores com rotação externa. É o oposto do que ocorre: a DDQ cursa com assimetria dos membros, encurtamento relativo do membro afetado (sinal de Galeazzi) e limitação da abdução do quadril, não rotação externa. A banca inverte o sinal clínico — o achado típico é a assimetria, não a simetria.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que é uma condição autolimitada que não requer intervenção. A DDQ não é autolimitada: sem tratamento, a luxação persiste e evolui com sequelas funcionais. O tratamento é necessário e, na maioria dos casos, conservador (suspensório de Pavlik), não cirúrgico. A banca confunde com a sinovite transitória do quadril, que essa sim é autolimitada e não requer intervenção cirúrgica.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ultrassonografia é o método de escolha para o diagnóstico da DDQ no lactente (até 4-5 meses), pois o quadril ainda é cartilaginoso e a USG permite avaliar a anatomia e a relação entre a cabeça femoral e o acetábulo. É exatamente o que a alternativa descreve, alinhada à conduta recomendada na suspeita clínica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o tratamento inicial é cirúrgico para evitar osteonecrose. O tratamento inicial é conservador, com dispositivos de abdução (suspensório de Pavlik), e a cirurgia é reservada para casos tardios ou falha do tratamento conservador. A banca inverte a sequência terapêutica — a cirurgia não é a primeira opção, e a osteonecrose é uma complicação que se busca evitar justamente com o tratamento precoce e adequado.

Gabarito: letra C

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