Questão de Odontologia — Periodontia — FGV 2024
- Código
- fg096055
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Odontólogo - Periodontista
- AV - V – V.
- BV – V – F.
- CF – F – V.
- DV – F – V.
GabaritoD — V – F – V.
Gabarito: letra D. A sequência correta é V – F – V: é verdadeiro que, em fenótipo fino, a combinação de enxerto de tecido conjuntivo com reposicionamento coronário do retalho supera a reposição coronária isolada; é falso que a remoção de enxertos mais superficiais da lâmina própria traga desvantagens pela maior quantidade de tecido glandular e adiposo (na verdade, enxertos mais superficiais têm MENOS tecido glandular e adiposo, sendo mais previsíveis); e é verdadeiro que, em recessões unitárias profundas e estreitas, a técnica de túnel fechado lateralmente pode ser considerada. A banca explora a inversão do raciocínio sobre a composição do enxerto de tecido conjuntivo.
O recobrimento radicular é um conjunto de procedimentos cirúrgicos periodontais que visa cobrir a superfície radicular exposta por recessão gengival, restaurando a estética e reduzindo a sensibilidade dentinária. A recessão gengival é a migração apical da margem gengival, expondo a raiz, e sua correção depende de técnicas que reposicionem o tecido gengival ou utilizem enxertos. As principais técnicas incluem o retalho reposicionado coronariamente (RRC), o enxerto de tecido conjuntivo (ETC) e a técnica de túnel, cada uma com indicações específicas baseadas no fenótipo gengival, na profundidade e largura da recessão, e na presença de tecido queratinizado.
O fenótipo gengival (espessura da gengiva) é um fator determinante na escolha da técnica. Em fenótipos finos (gengiva delgada), a combinação de ETC com RRC é preferível porque o enxerto aumenta a espessura do tecido, melhorando a previsibilidade do recobrimento e a estabilidade a longo prazo. A reposição coronária isolada, em fenótipo fino, tem maior risco de recidiva e menor ganho de espessura. Por isso, a afirmativa I é verdadeira.
A afirmativa II aborda a composição do enxerto de tecido conjuntivo. O ETC é geralmente obtido da região palatina, e a profundidade da coleta influencia a composição do enxerto. Enxertos mais superficiais (da lâmina própria) contêm menos tecido glandular e adiposo, sendo mais previsíveis e com menor morbidade. Enxertos mais profundos podem incluir tecido glandular e adiposo, o que é uma desvantagem. Portanto, a afirmativa II é falsa, pois inverte essa relação.
A afirmativa III trata da técnica de túnel fechado lateralmente, indicada para recessões unitárias profundas e estreitas. Essa técnica permite o recobrimento com menor trauma e melhor vascularização, sendo uma opção válida nesses casos. Portanto, a afirmativa III é verdadeira.
A pegadinha da questão está na afirmativa II, que inverte a relação entre a profundidade do enxerto e a quantidade de tecido glandular e adiposo. O candidato que não domina a anatomia do palato pode marcar como verdadeira, errando a questão.
Em fenótipos finos, a combinação de ETC com RRC apresenta melhores resultados do que apenas a reposição coronária. O ETC aumenta a espessura do tecido, melhorando a previsibilidade e a estabilidade do recobrimento. A afirmativa está correta.
A remoção de enxertos mais superficiais da lâmina própria NÃO traz desvantagens pela maior quantidade de tecido glandular e adiposo. Na verdade, enxertos mais superficiais contêm MENOS tecido glandular e adiposo, sendo mais previsíveis. A afirmativa inverte a relação, portanto é falsa.
Em recessões unitárias, profundas e estreitas, a técnica de túnel fechado lateralmente pode ser considerada. Essa técnica é indicada para esses casos, permitindo recobrimento com menor trauma e melhor vascularização. A afirmativa está correta.
Gabarito: letra D — sequência V – F – V.
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