Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — FGV 2024
- Código
- fg096415
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Médio
- Cargo
- Técnico em Imobilização Ortopédica (Gesso)
- Aantibraquiopalmar.
- Bcruromaleolar.
- Cbraquiopalmar.
- Dsuropodálica.
GabaritoD — suropodálica.
Gabarito: letra D. Para lesão dos ligamentos talofibular anterior e calcâneo fibular (entorse lateral do tornozelo), a imobilização indicada é a suropodálica — também chamada de bota gessada — que engloba o pé e a perna até logo abaixo do joelho, imobilizando a articulação do tornozelo. As demais opções imobilizam segmentos diferentes: antibraquiopalmar e braquiopalmar são para o membro superior, e cruromaleolar é um termo que não corresponde à nomenclatura usual das imobilizações gessadas.
A imobilização gessada é um recurso terapêutico fundamental no tratamento conservador de lesões osteoarticulares e de partes moles. O objetivo é manter o segmento afetado em posição estável, impedindo movimentos que possam agravar a lesão, aliviar a dor e permitir a cicatrização dos tecidos. A escolha do tipo de gesso depende diretamente da articulação ou do segmento ósseo que se deseja imobilizar.
No caso específico do tornozelo, a lesão dos ligamentos talofibular anterior e calcâneo fibular caracteriza a clássica entorse lateral, a lesão ligamentar mais comum do corpo humano. O mecanismo típico é a inversão forçada do pé, que estira ou rompe esses ligamentos. O tratamento inicial, especialmente nos casos mais graves, envolve a imobilização para proteger os ligamentos durante a fase de cicatrização.
A imobilização suropodálica (ou bota gessada) é a mais adequada para essa situação, pois imobiliza o tornozelo e o pé, incluindo a articulação tibiotársica, que é exatamente onde se localizam os ligamentos lesionados. Ela se estende dos dedos dos pés até a tuberosidade anterior da tíbia, logo abaixo do joelho, permitindo a movimentação desta articulação, mas restringindo os movimentos do tornozelo.
É importante distinguir os tipos de imobilização gessada para não errar na prova:
Tipo de imobilização | Segmento imobilizado | Indicação típica |
|---|---|---|
Suropodálica (bota gessada) | Pé e perna até abaixo do joelho | Entorses do tornozelo, fraturas do pé e do tornozelo |
Cruropodálica | Pé, perna e coxa até a raiz da coxa | Fraturas do joelho, da tíbia e da fíbula |
Braquiopalmar | Mão, antebraço e braço até a axila | Fraturas do punho, antebraço e cotovelo |
Antibraquiopalmar | Mão e antebraço até o cotovelo | Fraturas do punho e da mão |
A pegadinha da questão está em confundir a suropodálica com a cruropodálica. A primeira imobiliza apenas o pé e a perna, enquanto a segunda se estende até a coxa, sendo indicada para lesões do joelho ou da perna. Para uma lesão ligamentar do tornozelo, a suropodálica é a escolha correta, pois imobiliza exatamente a articulação afetada sem a necessidade de imobilizar o joelho.
Guarde a relação entre o segmento anatômico e o tipo de gesso: é esse critério que separa as alternativas corretas das incorretas.
A imobilização antibraquiopalmar é utilizada para imobilizar a mão e o antebraço, estendendo-se até o cotovelo. É indicada para fraturas do punho, da mão e do antebraço, não tendo relação com lesões no tornozelo. O erro está em aplicar uma imobilização de membro superior para uma lesão de membro inferior.
O termo cruromaleolar não corresponde a uma imobilização gessada padrão na nomenclatura ortopédica. A imobilização que envolve a perna e o pé é a suropodálica, e a que envolve a perna e a coxa é a cruropodálica. A banca provavelmente criou esse termo para confundir o candidato, misturando "cruro" (perna) com "maleolar" (tornozelo), mas não é uma denominação consagrada.
A imobilização braquiopalmar é utilizada para imobilizar a mão, o antebraço e o braço, estendendo-se até a axila. É indicada para fraturas do úmero, cotovelo e antebraço. Assim como a antibraquiopalmar, é uma imobilização de membro superior, inadequada para a lesão ligamentar do tornozelo descrita no enunciado.
A imobilização suropodálica, também conhecida como bota gessada, é a indicada para a lesão dos ligamentos talofibular anterior e calcâneo fibular. Ela imobiliza o pé e a perna até logo abaixo do joelho, restringindo os movimentos do tornozelo e permitindo a cicatrização dos ligamentos lesionados. É o tratamento conservador padrão para entorses graves do tornozelo.
A banca explora a confusão entre suropodálica e cruropodálica. A primeira imobiliza apenas o pé e a perna (até o joelho), enquanto a segunda vai até a coxa. Para uma lesão no tornozelo, a suropodálica é a correta; a cruropodálica seria indicada para lesões do joelho ou da perna. Fique atento a essa distinção, pois é uma pegadinha clássica em provas de ortopedia.
Gabarito: letra D
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