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Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — FGV 2024

MedicinaOrtopedia e Traumatologia
Código
fg096416
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Médio
Cargo
Técnico em Imobilização Ortopédica (Gesso)
Na luxação traumática coxo femoral posterior, a estrutura que apresenta maior possibilidade de estar lesionada é
  1. Aa artéria femoral.
  2. Ba artéria femoral profunda.
  3. Co nervo ciático.
  4. Do nervo femoral.
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GabaritoC — o nervo ciático.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Luxação traumática coxofemoral posterior: lesões associadas

Gabarito: letra C. Na luxação traumática posterior do quadril, a estrutura com maior possibilidade de lesão é o nervo ciático, que cursa posteriormente à articulação e fica particularmente vulnerável quando a cabeça femoral se desloca para trás. As artérias femoral e femoral profunda situam-se anteriormente e raramente são acometidas nesse tipo de luxação, assim como o nervo femoral, que também é anterior.

A luxação do quadril é uma emergência ortopédica que ocorre quando a cabeça do fêmur perde a congruência com o acetábulo. No trauma de alta energia, como acidentes automobilísticos, o mecanismo típico é a colisão do joelho contra o painel com o quadril fletido, gerando uma força que empurra a cabeça femoral para trás — a chamada luxação posterior, que é a mais frequente (chegando a uma proporção de 9:1 em relação à anterior). A posição do membro no momento do trauma é o principal determinante da direção da luxação: flexão, adução e rotação interna favorecem a luxação posterior; hiperabdução, extensão e rotação externa favorecem a anterior.

O nervo ciático emerge da pelve através do forame isquiático maior, logo abaixo do músculo piriforme, e desce posteriormente ao quadril, muito próximo à cápsula articular. Quando a cabeça femoral se desloca para trás, ela pode estirar ou comprimir esse nervo, causando disfunção neurológica. Estudos relatam que a disfunção do nervo ciático ocorre em cerca de 19% dos pacientes com luxação do quadril, sendo mais comum após fratura-luxação. Por isso, o exame neurológico do membro acometido — avaliando força, sensibilidade e reflexos no território do ciático (panturrilha e pé) — é fundamental antes e depois da redução. Se houver disfunção neurológica que não se resolve após a redução, isso configura uma urgência ortopédica, com indicação de exploração cirúrgica.

As estruturas vasculares, por outro lado, estão localizadas anteriormente ao quadril. A artéria femoral e a artéria femoral profunda passam pelo trígono femoral, na região anterior da coxa, e não têm relação direta com o trajeto posterior da luxação. O nervo femoral também é anterior, inervando o quadríceps e a face anterior da coxa. Portanto, embora lesões vasculares possam ocorrer em traumas de alta energia, elas são muito menos frequentes que a lesão do ciático nesse contexto específico.

A banca explora exatamente essa confusão entre as estruturas anteriores e posteriores da articulação. O candidato que não tem clara a anatomia topográfica do quadril pode ser tentado a marcar uma das artérias, mas o conhecimento da relação do nervo ciático com a cápsula posterior resolve a questão. Guarde: luxação posterior → lesão posterior (nervo ciático); luxação anterior → lesão anterior (vasos femorais, nervo femoral).

Luxação coxofemoral posterior
  • 1Mecanismo
    • Trauma de alta energia
    • Joelho contra painel (quadril fletido)
    • Flexão + adução + rotação interna
  • 2Estruturas posteriores (mais lesadas)
    • Nervo ciático (gabarito)
      • Estiramento/compressão
      • ~19% dos casos
      • Urgência se disfunção persiste
  • 3Estruturas anteriores (pouco lesadas)
    • Artéria femoral
    • Artéria femoral profunda
    • Nervo femoral
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A artéria femoral é uma estrutura anterior ao quadril, localizada no trígono femoral. Na luxação posterior, a cabeça femoral desloca-se para trás, afastando-se das estruturas anteriores, o que torna a lesão dessa artéria pouco provável. Lesões vasculares nesse contexto são raras e, quando ocorrem, costumam envolver estruturas posteriores.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A artéria femoral profunda também é anterior, originando-se da artéria femoral no trígono femoral e seguindo profundamente na face anterior da coxa. Não há relação anatômica direta com o trajeto da luxação posterior, portanto não é a estrutura com maior possibilidade de lesão.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O nervo ciático é a estrutura que apresenta maior possibilidade de lesão na luxação traumática posterior do quadril. Ele passa posteriormente à articulação, muito próximo à cápsula, e pode ser estirado ou comprimido pela cabeça femoral deslocada. A disfunção do ciático é relatada em cerca de 19% dos casos, sendo mais comum após fratura-luxação. A avaliação da função desse nervo após a redução é fundamental, e a persistência de disfunção configura urgência ortopédica com indicação de cirurgia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O nervo femoral é uma estrutura anterior, que inerva a face anterior da coxa (quadríceps). Ele não está no trajeto da luxação posterior e, portanto, não é a estrutura com maior risco de lesão nesse tipo de luxação. Sua lesão seria mais plausível em luxações anteriores ou em traumas diretos na região inguinal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca as estruturas posteriores (nervo ciático) pelas anteriores (artéria femoral, artéria femoral profunda, nervo femoral). A chave é lembrar que a luxação posterior desloca a cabeça femoral para trás, lesionando o que está atrás da articulação. Com esse raciocínio, você elimina as três alternativas anteriores de imediato.

Gabarito: letra C — o nervo ciático é a estrutura com maior possibilidade de lesão na luxação traumática coxofemoral posterior.

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