Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — FGV 2024
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
fg096425
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Médio
Cargo
Técnico em Imobilização Ortopédica (Gesso)
Paciente do sexo feminino, 8 anos de idade, devido a queda da própria altura, sofreu uma fratura supracondiliana do cotovelo esquerdo.Essa fratura foi tratada na emergência por meio de redução incruenta e imobilização gessada circular. 12 horas após a redução, a criança retornou à emergência do hospital e a equipe médica a diagnosticou com síndrome de compartimento.O principal sinal ou sintoma que conduziu a equipe médica ao diagnóstico de síndrome de compartimento foi
AEdema acentuado na mão.
BPalidez cutânea.
CDiminuição do enchimento capilar.
DDor incompatível com a lesão.
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GabaritoD — Dor incompatível com a lesão.
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Síndrome de compartimento: o diagnóstico é clínico
Gabarito: letra D. Na síndrome de compartimento, o principal e mais precoce sinal é a dor desproporcional ao trauma ou ao procedimento realizado — a chamada "dor incompatível com a lesão" — que não melhora com analgésicos e piora com o estiramento passivo do músculo. Os demais sinais (edema, palidez, diminuição do enchimento capilar) são manifestações tardias e menos específicas, o que torna a alternativa D a correta.
A síndrome de compartimento é uma emergência ortopédica que ocorre quando a pressão dentro de um compartimento osteofascial fechado aumenta a ponto de comprometer a perfusão tecidual, levando a isquemia muscular e nervosa. No contexto da fratura supracondiliana do úmero em criança — a fratura mais comum do cotovelo pediátrico —, o risco é ainda maior, especialmente após redução incruenta e imobilização gessada circular, como no caso da paciente. O gesso circular, se não for bem acolchoado ou se o membro edemaciar, pode funcionar como um "garrote", aumentando a pressão intracompartimental.
O diagnóstico é essencialmente clínico. Os cinco sinais clássicos são conhecidos como os "5 Ps": dor (pain), palidez (pallor), parestesia (paresthesia), paralisia (paralysis) e ausência de pulso (pulselessness). A dor é o sintoma mais precoce e o mais importante — é desproporcional ao esperado para a lesão, é profunda, contínua, queimante e piora com o estiramento passivo dos músculos do compartimento. A palidez, a diminuição do enchimento capilar e a ausência de pulso são sinais de comprometimento vascular, que ocorrem mais tardiamente, quando a pressão já está muito elevada. A parestesia e a paralisia indicam lesão nervosa, também tardia. O edema é um achado comum, mas inespecífico — está presente em praticamente toda fratura recente, especialmente nas primeiras 72 horas.
A medição da pressão intracompartimental pode auxiliar no diagnóstico, mas não deve atrasar o tratamento. A conduta definitiva é a fasciotomia — abertura cirúrgica do compartimento para aliviar a pressão. Se não tratada, a síndrome de compartimento pode levar à necrose muscular, isquemia nervosa, contratura isquêmica de Volkmann e até perda do membro.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que os sinais vasculares (palidez, enchimento capilar diminuído) são tardios e não são os principais condutores do diagnóstico. A banca explora a confusão entre o que é mais precoce e específico (a dor) e o que é mais visível ou alarmante (os sinais vasculares).
1Dor desproporcional
2Parestesia
3Palidez
4Paralisia
5Ausência de pulso
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O edema acentuado na mão é um sinal comum após fratura e imobilização, mas é inespecífico e não é o principal indicador de síndrome de compartimento. O edema pode estar presente em qualquer fratura, especialmente nas primeiras horas, sem que haja síndrome de compartimento. O diagnóstico se baseia na dor desproporcional, não no edema.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A palidez cutânea é um sinal de comprometimento vascular, mas é um achado tardio na evolução da síndrome de compartimento. Quando a palidez aparece, a pressão intracompartimental já está muito elevada e a isquemia já está instalada. A dor é o sinal mais precoce e o que deve alertar a equipe médica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A diminuição do enchimento capilar também é um sinal de comprometimento vascular tardio. Assim como a palidez, indica que a perfusão distal já está comprometida. O diagnóstico precoce da síndrome de compartimento se baseia na dor desproporcional, que precede os sinais vasculares.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dor incompatível com a lesão é o principal e mais precoce sinal da síndrome de compartimento. É uma dor desproporcional ao trauma, que não melhora com analgésicos e piora com o estiramento passivo dos músculos do compartimento. No caso da criança com fratura supracondiliana tratada com redução incruenta e gesso circular, o retorno à emergência 12 horas após com dor intensa e desproporcional deve levantar imediatamente a suspeita de síndrome de compartimento.
PEGA ESSA DICA!
Na síndrome de compartimento, decore os "5 Ps" e lembre-se da ordem de aparecimento: dor → parestesia → palidez → paralisia → ausência de pulso. A dor é sempre o primeiro e mais importante sinal. Na prova, quando a questão perguntar sobre o principal sinal ou sintoma, a resposta quase sempre será a dor desproporcional.
Gabarito: letra D — a dor incompatível com a lesão é o principal sinal que conduz ao diagnóstico de síndrome de compartimento.