Questão de Saúde Pública — Epidemiologia e Saúde Coletiva — FGV 2024
Saúde Pública›Epidemiologia e Saúde Coletiva
Código
fg096790
Banca
FGV
Órgão
TCE-PA
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Auditor de Controle Externo - Área Administrativa - Clínica Médica
A experiência nacional de enfrentamento à epidemia de AIDS no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), ao longo do tempo, foi estabelecida e alicerçada na participação social, no respeito aos direitos humanos, no combate ao estigma, ao preconceito e à discriminação.O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/AIDS (Unaids) propõe que a AIDS pode ser eliminada como problema de saúde pública até 2030, desde que se alcancem as metas 95/95/95 que consistem em: diagnosticar 95% das pessoas que vivem com HIV ou AIDS (PVHA), 95% delas estejam em tratamento com antirretrovirais, e 95% das em tratamento em supressão viral.Entretanto, o acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento ainda são muito desiguais no Brasil, o que se reflete no diagnóstico tardio, na cobertura de tratamento, na retenção ao cuidado, na perda de seguimento, na supressão viral e na sobrevida. De modo geral, esses indicadores são desfavoráveis entre PVHA com menor tempo de estudo formal, negras ou indígenas, com mais de 50 anos, que vivem em municípios menores e em algumas regiões do Brasil.Conforme protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para manejo da infecção pelo HIV em adultos, o seguinte exame é indicado para a abordagem inicial do paciente na avaliação de coinfecções, comorbidades e infecções sexualmente transmissíveis:
AIgM para toxoplasmose.
BCD4 e CD8.
CHemograma completo.
DRadiografia de tórax.
ECarga viral.
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GabaritoD — Radiografia de tórax.
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Abordagem inicial do paciente com HIV: exames para coinfecções e comorbidades
Gabarito: letra D. De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos, a radiografia de tórax é o exame de imagem indicado na avaliação inicial para rastreamento de tuberculose, coinfecção frequente e relevante em pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA). As demais alternativas referem-se a exames importantes, mas não especificamente voltados para a investigação de coinfecções, comorbidades e ISTs nesse contexto.
Alternativa A — ❌ Incorreta
IgM para toxoplasmose é um exame sorológico que pode ser solicitado em suspeita de toxoplasmose, mas não faz parte da bateria de exames rotineiros da abordagem inicial do HIV. A avaliação de coinfecções inclui triagem para tuberculose, sífilis, hepatites virais, entre outras, não sendo a toxoplasmose uma prioridade na primeira consulta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
CD4 e CD8 são marcadores de subpopulações linfocitárias utilizados para estadiamento imunológico e monitoramento da progressão da doença, não para rastreio de coinfecções. Embora a contagem de CD4 seja fundamental na avaliação inicial, a questão pede especificamente exame voltado para coinfecções, comorbidades e ISTs.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Hemograma completo é um exame inespecífico que avalia séries hematológicas e pode detectar anemias, leucopenias, etc., mas não é o exame direcionado para a identificação de coinfecções como tuberculose, sífilis ou hepatites.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Radiografia de tórax é o exame de escolha na triagem inicial de tuberculose pulmonar, que é a coinfecção mais comum e grave em PVHA. O PCDT do Ministério da Saúde recomenda a realização de radiografia de tórax em toda avaliação inicial, independentemente da presença de sintomas respiratórios, especialmente para diagnóstico precoce e prevenção de transmissão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Carga viral é utilizada para quantificar o RNA do HIV no plasma, sendo essencial para definir a necessidade de início de terapia antirretroviral e monitorar a resposta ao tratamento. Não é um exame voltado para o diagnóstico de coinfecções ou comorbidades.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre exames de monitoramento da infecção (CD4, carga viral) e exames de rastreio de coinfecções. O candidato pode ser tentado a escolher CD4 por ser um exame clássico na primeira consulta, mas o enunciado é específico para "coinfecções, comorbidades e infecções sexualmente transmissíveis". A radiografia de tórax atende diretamente a esse objetivo.