Questão de Psicologia — Psicologia e Políticas Públicas de Proteção e Promoção à Saúde — FGV 2024
Psicologia›Psicologia e Políticas Públicas de Proteção e Promoção à Saúde
Código
fg097167
Banca
FGV
Órgão
TCE-PA
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Auditor de Controle Externo - Área Administrativa - Psicologia
Daniel, 16 anos, conheceu o crack por intermédio de amigos e rapidamente desenvolveu uma dependência da substância. Daniel passa dias fora de casa e sua mãe, Denise, professora, muitas vezes sai pelas ruas à procura do filho.A(s) porta(s) de entrada para o tratamento de Daniel pode(m) ser por meio:
Ado CAPSi e do NASF.
Bda internação em equipamento do programa Consultório na Rua.
Cdos serviços de atenção básica à saúde e do CAPS AD
Ddo atendimento ambulatorial em comunidade terapêutica do território.
Edos serviços privados de saúde mental, apenas, já que se trata de paciente de classe média.
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GabaritoC — dos serviços de atenção básica à saúde e do CAPS AD
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Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e portas de entrada para tratamento de dependência química
Gabarito: letra C. No âmbito do Sistema Único de Saúde, as portas de entrada para o tratamento de problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas são, prioritariamente, os serviços de Atenção Básica à Saúde e o Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas (CAPS AD). Essa é a diretriz da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), instituída pelo Ministério da Saúde, que organiza o cuidado em saúde mental de forma territorial e hierarquizada.
A questão exige conhecimento sobre os pontos de acesso ao cuidado no SUS. Daniel, adolescente, apresenta dependência de crack, situação que demanda acolhimento e acompanhamento especializado. A Atenção Básica (UBS, equipes de Saúde da Família) é a porta de entrada preferencial, realizando o primeiro acolhimento e, se necessário, encaminhando ao CAPS AD, que é o serviço especializado de base territorial para transtornos decorrentes do uso de substâncias psicoativas.
Serviço / Estratégia
Função na RAPS
É porta de entrada para dependência química?
Público-alvo principal
Atenção Básica (UBS, ESF)
Acolhimento inicial, avaliação, encaminhamento
Sim
População geral do território
CAPS AD
Atendimento especializado (intensivo, semi-intensivo, não intensivo) para álcool e drogas
Sim
Pessoas com problemas relacionados ao uso de substâncias psicoativas
CAPSi
Atendimento a crianças/adolescentes com transtornos mentais graves (exceto dependência química)
Não
Crianças e adolescentes com transtornos mentais
NASF
Apoio matricial às equipes da Atenção Básica
Não
Equipes de saúde (não é serviço de porta de entrada)
Consultório na Rua
Cuidado à população em situação de rua
Não (porta de entrada específica para esse público)
Pessoas em situação de rua
Comunidade Terapêutica
Internação voluntária, de caráter residencial
Não (recurso de maior complexidade)
Pessoas com dependência química em regime de internação
Serviços privados de saúde mental
Atendimento particular ou por convênio
Não (não integram a RAPS como porta de entrada prioritária)
População com plano de saúde ou recursos financeiros
Portas de entrada (RAPS): Atenção Básica (UBS, ESF); CAPS AD (Álcool e drogas, Atendimento territorial); CAPSi (Transtorno mental grave, Não específico para drogas); Consultório na Rua (População em situação de rua, Daniel não se enquadra)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O CAPSi (Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil) atende crianças e adolescentes com transtornos mentais graves, mas não é o serviço específico para dependência química – esse papel é do CAPS AD. Já o NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família) não é uma porta de entrada, e sim um apoio matricial às equipes da Atenção Básica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O Consultório na Rua é uma estratégia voltada para a população em situação de rua. Daniel tem família e casa (mãe professora, procura-o), portanto não se enquadra no público-alvo prioritário dessa modalidade. Além disso, a internação não é uma porta de entrada; é um recurso de maior complexidade, indicado após tentativas ambulatoriais ou em situações de urgência.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Exatamente conforme a RAPS: a Atenção Básica (unidades de saúde, ESF) e o CAPS AD são as portas de entrada oficiais para o cuidado de pessoas com problemas relacionados ao uso de álcool e drogas. A Atenção Básica realiza o acolhimento inicial, a avaliação e o encaminhamento; o CAPS AD oferece atendimento intensivo, semi-intensivo e não intensivo, com equipe multiprofissional.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A comunidade terapêutica é um serviço residencial de caráter voluntário, mas não é uma porta de entrada do SUS. O acesso a ela se dá por meio de encaminhamento dos serviços da RAPS (como CAPS AD ou Atenção Básica), e não como primeiro ponto de contato.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O SUS é universal e gratuito, independentemente da classe social. Daniel pode e deve acessar a rede pública – a porta de entrada não se restringe a serviços privados. A classe média não impede o uso do SUS.
NÃO CAIA NESSA!
A banca testa o conhecimento sobre as especificidades dos serviços da RAPS. O erro comum é confundir CAPSi com CAPS AD (opção A) ou achar que a internação ou o Consultório na Rua são portas de entrada (opção B). Lembre-se: a porta de entrada para dependência química é a Atenção Básica + CAPS AD.